Ao Meu Amor…

Se eu fosse você, eu voltava pra mim…

Foi assim que comecei escrever hoje. Conversando com meu querido amigo e parceiro destas estrepolias literárias, Luigi, Xuqui, Juan Campesino ou outras mil facetas de identificação do feiticeiro  Cervantes, perguntei qual é a música! Ele de “bate pronto” respondeu: “Estava pensando em alguma coisa importante em minha vida…”  

Pra você eu guardei
Um amor infinito
Pra você procurei
O lugar mais bonito
Pra você eu sonhei
O meu sonho de paz
Pra você me guardei demais
Se você não voltar
O que faço da vida?
Não sei mais procurar
A alegria perdida
Eu não sei nem porque
Terminou tudo assim
Ah, se eu fosse você
Eu voltava pra mim
Voltava sim…

Desenho em aquarela – Marco Alzamora

Mandou-me um vídeo com a música e comentou:

Não sei se vai ajudar a tua inspiração”.

Era esta música que eu estava pensando… Sem as moças alegrinhas que estão no vídeo. Ou podemos fazer uma revista para elas. Kkkk.

Sério, esta música é linda.

Sem preconceitos! É claro!

Respondi: Realmente!

Desenho em aquarela – Marco Alzamora

Belas desperdiçadas num idílio de amor. Sublime, embora não seja meu sonho erótico.

A música deve dizer algo que você deixou passar… Nunca é tarde… Se a morte ainda não levou!

Veja e ouça o “Secreto Eterno”. – Reforcei.

Ele insistiu:

“Vá… Duas senhoritas, um bom uísque (quando podíamos), uma casa na praia, sem dívidas, dinheiro no bolso… Foi sempre um sonho de consumo de qualquer homem”.

“Hoje, realmente, também não faz mais parte de meu sonho erótico”.

O “Secreto Eterno” é lindo, mas cantado em espanhol, no órgão fica muito triste e engraçado, a música é uma mistura de tango com bolero, ou estou enganado?

O mote está em DEIXOU PASSAR… Mas será que posso ter uma segunda chance?

Se a morte ainda não levou… Na teoria… Sim! Tem uma música, não sei se é apropriada, somente para ilustrar “Se eu soubesse naquele dia o que sei agora. Eu não seria este ser que chora, eu não teria perdido você”…

Mas, ela não dá a condição da reconquista do que você deixou passar.

Espetáculo este tema, tem que ser tratado com luvas de pelica.

Vai! Dom Marco

Vai ficar uma história linda.

Depois dessa, se ele não mandar me matar, vou continuar escrevendo até o fim essa empreitada.

O “Secreto Eterno” remete ao casamento místico. Meu avô, estudante profundo de metafísica, assobiava e cantarolava com tanto esmero e pureza d’alma… Que fico emocionado até hoje ao lembrar.

Neste meio tempo lembrei-me do recém lido livro de Anne Tyler, “O Começo do Adeus” – Aprendendo a se despedir…

Anne Tyler nasceu no dia 25 de outubro de 1941 em Minnesota. O seu  sorriso mostra muito bem que ela entende o que estou escrevendo agora. É um sentimento de quem já se despediu de muitos entes queridos. A dor da perda todos nós conhecemos. Desde que nascemos. Em sua ficção, a autora conta a história de Aaron, um homem de meia idade, desolado pela morte da esposa.

Meu teclado não quer parar de fazer tec-tec-tec… Ou será PEC – PEC – PEC de iniciativa popular?

Tagarelas são os meus dedos!

Percebi que sou o primogênito de um enlace amoroso de tempos idos. Meu pai e minha mãe fizeram juras de amor eterno ao despertarem no desejo sublime que me fez nascer. Fruto da magia divina. Moraram em verdadeiros barracos escorados com pedaços de madeira nesses interiores paranaenses. Ali havia nascido o amor.

O tempo não para nunca. Os caminhos da vida são infinitos. Quando recebi um e-mail do meu progenitor, contando uma história linda, reforcei meu desejo de explorar o tema nesse artigo.  Embora muitos já conheçam, contava o seguinte:

CASADOS PARA SEMPRE

Há muito tempo atrás, um casal de idosos que não tinham filhos, morava em uma casinha humilde de madeira, tinham uma vida muito tranquila, alegre, e ambos se amavam muito. Eram felizes. Até que um dia… Aconteceu um acidente com a senhora. Ela estava trabalhando em sua casa quando começa a pegar fogo na cozinha e as chamas atingem todo o seu corpo. O esposo acorda assustado com os gritos e vai a sua procura, quando vê coberta pelas chamas e imediatamente tenta ajudá-la. O fogo também atinge seus braços e, mesmo em chamas, consegue apagar o fogo. Quando chegaram os bombeiros já não havia muito da casa, apenas uma parte, toda destruída. Levaram rapidamente o casal para o hospital mais próximo, onde foram internados em estado grave. Após algum tempo aquele senhor menos atingido pelo fogo saiu da UTI e foi ao encontro de sua amada. Ainda em seu leito a senhora toda queimada, pensava em não viver mais, pois estava toda deformada, queimara todo o seu rosto. Chegando ao quarto de sua senhora, ela foi falando: – Tudo bem com você meu amor?

-Sim, respondeu ele, pena que o fogo atingiu os meus olhos e não posso mais enxergar, mas não se preocupe amor, que sua beleza está gravada em meu coração para sempre. Então triste pelo esposo, a senhora pensou consigo mesma: “Como Deus é bom, vendo tudo o que aconteceu a meu marido, tirou-lhe a visão para que não presencie esta deformação em mim”. As chamas queimaram todo o meu rosto e estou parecendo um monstro. E Deus é tão maravilhoso que não deixou ele me ver assim, como um monstro!

 Obrigado Senhor!

Passado algum tempo e recuperados milagrosamente, voltaram para uma nova casa, onde ela fazia tudo para o seu querido e amado esposo, e o esposo agradecido por tanto amor, afeto e carinho, todos os dias dizia-lhe:

-COMO EU TE AMO.

Você é linda demais. Saiba que você é e será sempre, a mulher da minha vida! E assim viveram mais 20 anos até que a senhora veio a falecer. No dia de seu enterro, quando todos se despediam da bondosa senhora, veio aquele marido com os olhos em lágrimas, sem seus óculos escuros e com sua bengala nas mãos. Chegou perto do caixão, beijou o rosto acariciando sua amada, disse em um tom apaixonante: -“Como você é linda meu amor, eu te amo muito”. Ouvindo e vendo aquela cena, um amigo que estava ao seu lado perguntou se o que tinha acontecido era milagre. Pois parecia que o velhinho parecia enxergar sua amada. O velhinho olhando nos olhos do amigo, apenas falou com as lágrimas rolando quente em sua face: – Nunca estive cego, apenas fingia, pois quando vi minha amada esposa toda queimada e deformada, sabia que seria duro para ela continuar vivendo daquela maneira. Foram vinte anos vivendo muito felizes e apaixonados! Foram os 20 anos mais felizes de minha vida. E emocionou a todos os que ali estavam presentes.

CONCLUSÃO: Na vida temos de provar que amamos! Muitas vezes de uma forma difícil… E, para sermos felizes, temos de fechar os olhos para muitas coisas, mas o importante é que se faça única e intensamente com AMOR!

Ao Meu Amor… VAI DAR TUDO CERTO!

Google – Imagem

E assim vamos levando… Maridos se vão e esposas ficam… Esposas se vão e maridos ficam… Bom quando todos vão juntos… Ou ficam! Quando existe a “cara metade”, é a alma que se apresenta na relação. Tempos passados com amor, sempre estarão presentes em nossas mentes e corações. Quando alguém canta… “Chorei… Não precisava esconder… Todos viram… Fingiram… Pena de mim não precisava… Ali onde eu chorei… Qualquer um chorava! É porque já viveu uma paixão…

Google – Imagem

Será que isso já aconteceu com você? Comigo? Com meu amigo Juan Campesino?

Sei lá! O importante é a preservação daquele sentimento puro que um dia existiu! Ao Meu Amor…

Um Amor e uma Cabana!

Quando falo disso não estou falando em…

…Serenata de Schubert!

Falo de um amor e uma cabana mais simples!

Quando o amor é tão grande que até as paredes escoradas em caibros de madeira formam estruturas suficientemente fortes para sustentar os fluxos divinos da paixão. Ali nascem os frutos contínuos da procriação.

A alma canta em harmonia com vibrações musicais das esferas.

Existe quem defenda o contrário. Aliás, nos tempos atuais essa poesia cultivada nos antigos casais, não funciona mais  para a maioria dos jovens amantes. A magia sumiu?

As lembranças do passado estreitam os relacionamentos?

“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”

Fernando Pessoa

“A amizade é um amor que nunca morre.”

Mario Quintana

Agora, para finalizar essa viagem no tempo e no espaço…

Ofereço… O meu abraço…

Ao Meu Amor…

ADEUS AGONIA…

ADEUS AGONIA…

Quero que tuas lágrimas sejam minhas e que teus sorrisos sejam meus.
Por favor, não fiques assim sozinha, não importa o que aconteceu.
Vem para cá que já raiou o dia.
Diz o teu adeus à agonia, sente o meu amor que contagia.
Quero que tuas lágrimas sejam minhas e que teus sorrisos sejam meus.
Desperta em tua alma a alegria. Vem viver a vida que é poesia.

Leon Knopfholz

Letra e música, premiadas no programa NOVOS TALENTOS MUSICAIS DE CURITBA, Leon me conta que compôs quando visitava um hospital para Crianças Especiais. Com sua banda de cordas, mostra a sensibilidade peculiar dos Knopholz. Violino, violoncelo, violão e guitarra. O violino chega perto de o “Violinista no Telhado”, que é um musical em dois atos do compositor americano Jerry Bock, com letra de Sheldon Harnick e libreto de Joseph Stein. A obra, que se passa na Rússia czarista, em 1905, é baseada na peça Tevye e suas Filhas, também conhecida como Tevye, o Leiteiro, e outros Contos, de Sholem Aleichem. A história gira em torno de Tevye, pai de cinco filhas, e suas tentativas de manter sua família e suas tradições religiosas judaicas enquanto as influências externas penetram em suas vidas. Tevye se vê obrigado a lidar com as ações determinadas de suas três filhas mais velhas, cujas escolhas de marido as afastarão dos costumes de sua fé, e com o edito do czar Nicolau II da Rússia, que expulsa os judeus de sua vila.

Recomendo o vídeo do Leon no youtube.com

Google – Imagem José Mayer (Um Violinista no Telhado).

Com o carnaval se aproximando, as pessoas colocam e tiram as máscaras o tempo todo. Literalmente. Quando alguém tem uma atitude humana e sensível, desperta em nós os sentimentos mais sublimes. Comecei este escrito comovido com a história do hospital para Crianças Especiais. Ao entrar no hospital, Leon contou que recebeu um sorriso de uma menininha, paciente da instituição.  Sorriu retornando carinho e compôs para ela. Na verdade, compôs para todos aqueles sorrisos esperançosos que ali se abriam. Levou amor! Com louvor!

Quando se está sofrendo, a agonia é quase sempre presente. Dar adeus a ela já é meio caminho andado para buscar a felicidade e a paz. No carnaval, as pessoas se travestem em suas imaginações e amenizam seus sofrimentos.

O Carnaval é, por excelência, o período espetacularmente mais festivo do ano. Nesta época, que antecede os 40 dias que compõem a Quaresma, tudo (ou quase tudo) é permitido. As pessoas saem à rua envergando máscaras que ocultam a sua identidade, vestindo trajes que escondem a sua personalidade e tomando atitudes muito diferentes das que são, geralmente, socialmente aceites.

Curiosidades da História – Blog da Escola Dom Pedro lV.

Na época em que o Leon foi visitar o hospital, era Presidente da B’nai B’rith no Paraná. Isaac Cubric era o Primeiro Secretário. A Ordem Independente da B’nai B’rith (בני ברית)-(Os Filhos da Aliança em idioma hebraico) é a mais antiga organização judaica em todo o mundo e também a mais antiga organização dedicada aos Direitos Humanos ainda em funcionamento. Funciona sob uma estrutura semelhante à da maçonaria.

Leon assumindo a Presidência da B’nai B’rith. Sempre contando com o prestígio do Senador Alvaro Dias, a presença de Abraham Goldstein, Presidente Nacional da B’nai B’rith e Ester Proveller.

No mesmo evento, Mauricio Schulman, Marco Alzamora, Alvaro Dias, Waldemir Kürten e Abraham Goldstein.

B’nai B’rith

Relatei os fatos para corroborar a ideia das máscaras.

Quando agimos de uma ou de outra forma, nossos semblantes se transformam… Muitas vezes em sorrisos carinhosos como o dá menininha do hospital. Responder na mesma vibração… Depende de quem somos.

ADEUS AGONIA!

Quem é você…?

Diga logo…

Que eu quero…

Saber…

Nossa mascara só é ouro… Se for também o coração…

E o Carnaval se aproxima. Sem agonia… Nem de noite… Nem de dia! O ano velho acabou. O ano novo nasceu. Com ele as esperanças. Quem sabe… O Adeus Agonia? Desde os tempos mais remotos, o ser humano cria eventos e movimentos para a maioria de seus momentos. É festa disso, festa daquilo. O carnaval não foge a regra. Até na lavagem da escadaria do Bonfim, lá na Bahia de todos os santos.

Carnaval é uma festa que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica em 590 d.C.. É um período de festas regidas pelo ano lunar no cristianismo da Idade Média. O período do carnaval era marcado pelo “adeus à carne” ou do latim “carne vale” dando origem ao termo “carnaval”. Durante o período do carnaval havia uma grande concentração de festejos populares. Cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes. O carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX.  

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Visitei muitos carnavais pelo mundo a fora. Até na Bahia!

Em Veneza… Fui Escravo da Alegria!

Tirei a mascara para respirar melhor. Sem agonia!

Não consigo tirar do pensamento, o sorriso da menininha do hospital. É quase carnaval, daí:

“Ta-hi”

Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim.

Ai meu bem, não faz assim comigo não!

Você tem… Você tem que me dar seu coração!

Meu amor, não posso esquecer,

Se dá alegria faz também sofrer.

A minha vida foi sempre assim:

Só chorando as mágoas que não têm fim.

Essa história de gostar de alguém…

Já é mania que as pessoas têm.

Se me ajudasse Nosso Senhor,

Eu não pensaria mais no amor.

Joubert de Carvalho (Uberaba, 6 de março de 1900 — 20 de setembro de 1977) foi um médico e compositor brasileiro, autor de canções como “Maringá” e “Ta-hi”.

É clima de carnaval. Sem agonia. Com Alegria.

Assim… Vou cantando… E ninguém vai me calar!

Meu primeiro carnaval foi no Circulo Militar do Paraná. Meu avô era sócio. Lá pulei pela primeira vez do trampolim. Cortei as costas em caco de vidro na quadra poliesportiva. Cacos da noite anterior de carnaval. Tinha lança perfume para refrescar as costas das mocinhas. Só para isso! Podem acreditar! Cantava “Lua óh lua”… “Não deixem te passar pra trás…”. Enquanto olhava para a “Cabeleira do Zezé”. Era tudo muito puro e inocente. Como o sorriso da menininha do hospital.

Neste carnaval… Pode escolher a feição… Do seu CORAÇÃO!

Google – Imagem

Fui…

A Lesma A Môsca e A Cobra

A Lesma A Môsca e A Cobra

No ato de diminuir ainda mais a velocidade dos moluscos gastrópodes hermafroditas muitas vezes dizemos que isso ou aquilo é a “Lesma Lerda”!

Se o “bichinho” já é lento pela própria natureza, imaginem sendo “lerdo”.

Claro que a referência usual e coloquial seria uma similaridade com as palavras “A Mesma Merda”, corriqueiramente utilizada para criticar alguma situação de insatisfação que se repete de tempos em tempos.

Quando acordei fui passar meu café matinal.

No primeiro gole senti uma “borra” enrolando a língua.

Engoli o líquido e peguei com os dedos a tal massa estranha.

Era o resto sólido de um “ser alado” do tipo inseto que reputo ter sido uma môsca.

Pensei:

Com tantas disritmias acontecendo no mundo e tanta gente se manifestando sobre os acontecidos, melhor seria ficar calado.

“Em boca fechada não entra môsca”!

A expressão significa que em certas ocasiões é mais prudente manter o silêncio para evitar consequências desagradáveis.

Porém…

“Os lugares mais sombrios do Inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral.”

Dante Alighieri.

Com tantas encrencas surgindo no mundo inteiro, fiquei imaginando outra frase de efeito:

“É cobra engolindo cobra”!

Lembrei-me de um ex-sócio lá no Estado do Tocantins, matuto da região e garimpeiro aposentado, que dizia:

“Cobra que não anda não engole sapo… Mas também não leva cacetada”!

Ponderei a filosofia matuta e sábia fazendo analogias.

Em boca fechada não entra môsca… Mas também não entra nada!

Pela boca morrem os peixes e os homens.

Corpo sem alimento… Torna-se esquálido!

Será a “Lesma Lerda”?

Primeiro, os nazistas vieram buscar os comunistas, mas, como eu não era comunista, eu me calei.

 Depois, vieram buscar os judeus, mas, como eu não era judeu, eu não protestei.

 Então, vieram buscar os sindicalistas, mas, como eu não era sindicalista, eu me calei.

 Então, eles vieram buscar os católicos e, como eu era protestante, eu me calei.

 Então, quando vieram me buscar…

 Já não restava ninguém para protestar.

Martin Niemoller.

Martin Niemoller era filho de um pastor luterano e foi educado para a fidelidade ao imperador com sentimento patriótico alemão.

Depois de concluir o curso colegial, ele ingressou na Marinha como soldado de carreira.

Durante a Primeira Guerra Mundial, serviu como comandante de submarino, vindo a ser condecorado com a Cruz de Ferro.

 Após a guerra, viveu durante algum tempo em Freikorps e estudou Teologia.

Em 1931, foi ordenado pastor da Igreja de Santa Ana em Dahlen, subúrbio de Berlim.

Em 1934, Niemöller acreditava ainda que poderia discutir com os novos donos do poder.

 Numa recepção na Chancelaria em Berlim, ele contestou Hitler, que queria eximir a Igreja de toda responsabilidade pelas questões “terrenas” do povo alemão.

Relato de Martin:

Ele me estendeu a mão e eu aproveitei a oportunidade.

 Segurei a sua mão fortemente e disse:

 Senhor Chanceler, o senhor disse que devemos deixar em suas mãos o povo alemão, mas a responsabilidade pelo nosso povo foi posta na nossa consciência por alguém inteiramente diferente.

Então, ele puxou a sua mão, dirigindo-se ao próximo e não disse mais nenhuma palavra.

“Em boca fechada não entra môsca”?

Hoje encontrei uma postagem complementar em uma rede social:

Agora, os mulçumanos atacaram os judeus, como não sou judeu, não protestei.

Depois atacaram Israel, como não moro lá, me calei.

Agora estão atacando a Europa…

Será que vamos ter que passar por isso de novo sem ninguém protestar?

Mas não param por aí as trocas de mensagens e postagens nas redes sociais.

Penso que só perda, ainda, para as grandes redes de comunicação televisivas.

Será a “Lesma Lerda”?

Abaixo reproduzo postagem, desconheço a autoria, no Facebook:

Fiquei comovido com a tragédia na França.

Resolvi colocar a bandeira francesa no meu perfil do Facebook em solidariedade às vítimas e familiares.

Após 5 minutos começaram a comentar:

Modinha!

 Coloca bandeira da França, mas não coloca a de MG pela tragédia em Mariana.

Resolvi fazer uma montagem e coloquei a bandeira da França e a de MG na mesma foto.

Passaram-se 10 minutos e comentaram:

Seu sulista!

Comove-se com a França, com Minas Gerais, mas não se sensibiliza pela chacina no Ceará que deixou 11 mortos essa semana!

Resolvi então postar uma bandeira do Brasil ao lado de uma bandeira francesa.

Em poucos minutos criticaram novamente:

Modinhas do Facebook com bandeiras da França e do Brasil…

Mas e os atentados no Líbano?

 E em Bagdá?

Já um pouco irritado resolvi radicalizar.

Mudei o perfil e postei uma pomba branca da paz.

Minutos se passaram e comentaram minha foto:

Por que a paz tem que ser representada por uma pomba necessariamente branca?

Claro, o preto é ruim.

 Gato preto traz azar.

 É o racismo embutido nas nossas situações cotidianas…

Sem pestanejar, mudei a foto novamente.

Tirei a pomba branca, botei um urubu, só de pirraça.

Dois segundos depois um Vascaíno escreveu:

Modinhas alienados pela Rede Globo são assim, todos torcem pelo Flamengo!

Apaguei o Facebook!

Entendeu ou quer que desenhe:

“Em boca fechada não entra môsca”!

A III Guerra Mundial estará nas mãos de Angela Merkel, Vladimir Putin, David Cameron, Barack Obama e François Gérard Georges Nicolas Hollande?

Será a “Lesma Lerda”?

“Em boca fechada não entra môsca”?

Ou… “É cobra engolindo cobra”!

A China ainda não apareceu no cenário!

Agora existe o…

Assim… Caminha a humanidade!

Berço Esplêndido

Berço Esplêndido

Quando postei a foto de capa desta lavra com a frase, “Estendido em berço esplêndido!”, numa rede social, as reações foram de tristeza e pesar!

“Triste, mas real”.

“Tem disso em todas as cidades, principalmente nas turísticas”.

“Muito triste! Ninguém merece isto. Dói muito”.

E assim por diante…

Seria impotência do ser humano não poder fazer nada para mudar a situação? Seria o egoísmo? O indivíduo estendido na calçada não quer ser atendido pelas entidades humanitárias?

No Brasil, segundo cálculos do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, ligado ao Palácio do Planalto), o número de indigentes do país cresceu de 10,08 milhões, em 2012, para 10,45 milhões em 2013.

Segundo analistas, o aumento de pobreza absoluta é por causa de estagnação econômica e alta inflação nos últimos anos.

Pelo andar da carruagem… A coisa vai piorar ainda mais!

É claro que esse desequilíbrio está em todos os pontos cardeais da crosta terrestre!

Todos os dias, nos deparamos com cenas, até bem piores, como a da foto dessa capa.

Dizer que: “Assim Caminha a Humanidade”… Seria tétrico e de mau gosto! O flagelo humano existe em todos os grandes centros povoados.

Igualmente generalizáveis para todas as grandes metrópoles, acrescentam-se os problemas com a poluição e com as redes de esgoto que se mostram de todo insuficientes para responder a um crescimento exagerado que não se previu e dificilmente, ou nunca, se poderá conter.

Do acúmulo do lixo urbano, a formação do lixo humano é apenas um passo, um curto trecho percorrido pelas classes mais baixas em quase todas as grandes metrópoles.

Dentro deste quadro de “rush” permanente, ruído, lixo, poluição e isolamento, o homem das classes médias em especial (que não conta com os recursos das faixas mais abastadas para afastar-se das grandes metrópoles e não possui a mesma capacidade de luta e resposta das camadas mais baixas) encontra-se asfixiado, acuado e oprimido por uma vivência em ritmo permanentemente acelerado, dentro de um monstro de tecnologia e concreto, cuja realidade e complexidade não são capazes de entender.

Se, em termos clínicos, situássemos os problemas da cidade grande, longe de ser grande cidade, concluiríamos pela existência de uma síndrome, isto é, de um grupo conexo de sintomas.

E certamente iniciaríamos o quadro desta síndrome pelos evidentes sinais de hipertrofia presente neste crescimento vertiginoso, irregular e patológico.

Se de um lado os métodos clínicos empregados pelos urbanistas, nas metrópoles mais antigas, têm-se mostrado de todo insuficientes, as previsões ressalvam algumas esperanças para as cidades mais novas, em fase de crescimento, cujos administradores deverão valer-se dos exemplos deixados pelo velho mundo.

Num questionamento mais astronômico, pergunta-se:

Quanta gente poderia habitar esta nave espacial que chamamos Terra?  Está o mundo urbano evoluindo de forma que permita acreditar que pelo menos quatro bilhões de pessoas poderá habitar nas cidades deste planeta no ano 2010 vivendo razoavelmente?

O que acontecerá com o homem? Com suas instituições políticas e seus traços culturais, num mundo que se urbaniza assim desta forma e tão rapidamente?

Um grupo londrino conhecido por “Archigram” desenhou uma cidade-esteira para unir toda a Europa, na qual os prédios são encaixados nas mais diversas ordens e hierarquias.

Em Israel, Moshe Safdie construiu casas que são como brinquedos de armar e diz que a “arquitetura morreu”.

Nos EUA, Buckminster Fuller levou para prancheta uma cidade-casa, construída sob um domo tetraédrico, para flutuar na baía de Tóquio, com um milhão de pessoas.

Em Atenas, Doxiadis, autor do plano do Rio, nos disse que os homens estão se tornando meio-gente, meio-automóveis.

Em Paris, Candilis nos diz que a megalópole (áreas metropolitanas que se juntaram) é o “casamento da vaca com a chaminé”.

Qual destes gênios poderia definir a solução para os problemas que surgem entre a superpopulação e o meio ambiente?

Para José Pio Martins, economista e reitor da Universidade Positivo:

O governo é o maior responsável pela desigualdade de renda e, para mitigar seus efeitos, executa programas sociais, que são usados pelos governantes para elogiar a si mesmos e atrair votos. Programas sociais são necessários, pois a função do setor privado é ser uma máquina de produzir, cabendo ao governo à função distributiva e social. Mas a questão é que a pobreza se agrava quando o setor público torna-se responsável pela concentração de renda pelas vias da inflação, da tributação e do descuido com a educação.

“O respeito ao produtor de riqueza é o começo da solução da pobreza” é uma frase de Roberto Campos, para quem o governo, não satisfeito em causar pobreza, coloca empecilhos para a solução mais importante. Sem a geração de riqueza, a solução da pobreza é um exercício de distribuição de migalhas.

O RESPEITO AO PRODUTOR DE RIQUEZA É O COMEÇO DA SOLUÇÃO DA POBREZA.

Roberto Campos

Para uns, a culpa está na ganância dos ricos. Outros culpam a falta de solidariedade humana.

José Pio Martins

Deitado eternamente em berço esplêndido,

Ao som do mar e à luz do céu profundo,

 Fulguras, ó Brasil, florão da América,

 Iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

As Meninas da Cidade

As Meninas da Cidade

Boa parte da minha tenra infância morei na casa dos meus avós paternos.

Meus avós maternos moravam em frente.

Rua Marechal Deodoro em Curitiba no Paraná.

Era constante aquela geração ouvir pelo rádio Nhô Belarmino & Nhá Gabriela.

Consagrada como a dupla sertaneja mais famosa de Curitiba.

Foi o nome artístico do casal formado por Salvador Graciano e de sua esposa Júlia Alves Graciano.

Um ano antes de eu vir ao mundo, em homenagem à dupla, a Cidade de Curitiba criou a fonte Mocinhas da Cidade, localizada no centro da capital paranaense e cujo título é uma homenagem à composição de mesmo nome.

 Esta canção foi gravada pela primeira vez nos anos de 1950 sendo o maior sucesso da dupla.

Daí… Veio a minha primeira década aqui na Terra!

Predominava no Brasil uma população rural, voltada ao trabalho do campo e a uma vida simples, com quase nenhuma tecnologia à disposição, com exceção de alguns raros aparelhos de rádio.

Logo que comecei frequentar o curso primário no Colégio Santa Maria, era levado por algum parente mais próximo.

Não demorou muito para que eu fosse sozinho devido à proximidade do colégio com a casa dos meus avós na esquina das ruas Marechal Deodoro e General Carneiro.

Era mais difícil ver As Meninas da Cidade, já que o colégio era só para meninos.

Lembrei-me das vestimentas dos convivas em meu aniversário no interior do Estado.

Principalmente das mocinhas com saias abaixo dos joelhos.

Isso foi em Reserva, onde meu pai era Promotor Público.

Na foto aparece minha vó Adelaide com seu afiliado Luiz Aurélio, minha mãe Débora ao lado com meu pai Zanoni e meu avô João Quadros Gonçalves.

Na cadeirinha estava o Ricardo, quatro anos mais novo que eu, amparado por uma mocinha que atendia por Miloca… Eu acho!

O meu irmão caçula Vinicius só nasceu uns dez anos depois em Bela Vista do Paraíso.

Voltando á Curitiba, os anos 50 foram marcados por grandes avanços científicos, tecnológicos e mudanças culturais e comportamentais.

Era a década em que começaram as transmissões de televisão, provocando uma grande mudança nos meios de comunicação.

No campo da política internacional, os conflitos entre os blocos capitalista e socialista (Guerra Fria) ganhavam cada vez mais força.

 A década de 1950 é conhecida como o período dos “anos dourados”.

No site SuaPesquisa.com encontrei um resumo de alguns fatos marcantes:

Principais acontecimentos dos Anos 50

Ciência e Tecnologia:

Em 1957, o Sputnik II coloca, em orbita da Terra, o primeiro ser vivo, a cadela Laika.

Em 1953, Francis Crick e James Watson apresentam a descrição da estrutura do DNA.

Criação da NASA em 20 de julho de 1958.

Comunicações:

A TV Tupi, inaugurada em setembro de 1950, é o primeiro canal de televisão da América Latina.

Lançamento do primeiro satélite, o Sputnik I (1957).

Guerras e Conflitos:

Começa a Guerra da Coreia em 25 de junho de 1950. A guerra termina em 27 de julho de 1953.

Em plena Guerra Fria é assinado, em 1955, o Pacto de Varsóvia (tratado de defesa militar que envolvia os países socialistas do leste europeu, comandados pela União Soviética).

Em 1959, ocorre a Revolução Cubana.

 O líder da revolução, Fidel Castro, torna-se presidente de Cuba.

Começa, em 1959, a Guerra do Vietnã.

Em 1950, a Líbia se torna independente da Itália.

Criação do Pacto de Varsóvia, em 1955, bloco militar integrado pelos países socialistas, sob o comando da União Soviética.

Cultura e Arte:

No dia 20 de outubro de 1951, é inaugurada a I Bienal Internacional de Arte de São Paulo.

Política:

No dia 6 de fevereiro de 1952, Elizabeth II torna-se rainha da Inglaterra.

Em 24 de agosto de 1954, ocorre o suicídio do presidente do Brasil Getúlio Vargas.

Em 16 de setembro de 1955, um golpe militar na Argentina tira do poder o presidente Juan Perón.

Em outubro de 1955, Juscelino Kubitschek (JK) é eleito presidente do Brasil.

Economia:

Criação da empresa estatal Petrobrás, em 1953.

Assinado o Tratado de Roma, em 1957, estabelecendo a Comunidade Econômica Europeia (CEE).

Música:

Com muito rock e um estilo dançante, Elvis Presley começa a fazer sucesso em 1956.

O estilo musical brasileiro Bossa Nova começa a fazer sucesso.

 Os maiores representantes deste movimento foram: Tom Jobim, Vinícius de Morais e João Gilberto.

No final da década de 1950, é formada a banda de rock Beatles.

A ideia deste resgate foi assistindo uma belíssima produção da novela Eta Mundo Bom.

Com ênfase de que na novela não faltam malandros, cafajestes e vigaristas na trama.

Mas todos eles têm algo em comum:

São lindos de morrer!

 A começar por Ernesto.

Com uma lábia infalível e um pé de valsa daqueles, o vilão conhece Filomena e a convence a fugir com ele para a capital com a promessa de se casar com a bela roceira.

 Mas o mundo de Filó desaba quando os dois chegam a São Paulo.

 Ernesto diz que não vai casar coisa nenhuma e praticamente obriga a moça a se tornar uma dançarina em uma espécie de cabaré.

 E o pior:

 Ernesto fica com a maior parte do dinheiro que ela ganha no local.

As mocinhas da cidade são bonitas e dançam bem!

Dancei uma vez com uma moreninha, já fiquei querendo bem!

Hoje conheço as meninas do interior e As Meninas da Cidade!

Êta Mundo Bom.

Êta Mundo Bom.

O Travo e a Trova

O Travo e a Trova

O Travo brigou com a Prosa
Adverso
Travou
O Verso

Há dias o nascedouro de ideias está seco! Poderia titular o texto como: “Deu um Branco”! Muito comum e sem Criatividade! Mesmo que a aquarela da capa induza á caixas cranianas esbranquiçadas… Existe um momento em que o sangue recomeça a correr nas têmporas! Destravar a mente, nem que seja como um parto a fórceps ou por vácuo extrator (ventosa) é mais fácil que pegar galinha pela orelha! O medo de se expor aumenta. Além disso, sempre me lembro de “O Filho DO HIPNOTIZADOR e outras histórias de estranhas pessoas” de Dennis D:

“Escrever é revelar-se. Por isso, talvez, já disseram que toda escritura – como ofício ou como arte – é apenas uma das muitas faces do exibicionismo humano.”

“Acreditem, mostrar a bunda na janela pode ser menos constrangedor do que expor, em letras, as entranhas da própria sensibilidade”.

Pablo Neruda diz que “Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias”.

Será? Mesmo o meio sendo uma “merda”?

“A verdade é que não há verdade.”

Pablo Neruda

Por isso e por todo o risco que corro agora, escrevendo, invoco o mestre que diz:

“A timidez é uma condição alheia ao coração, uma categoria, uma dimensão que desemboca na solidão”.

Pablo Neruda

Estamos vivendo um momento mundial carregado de intempéries e incongruências. Os meios de comunicação nos “metralham” com todo tipo de disritmias entre os povos e entre as nações! Há desgaste cultural em civilizações milenares! Um esvaziamento da massa encefálica dos indivíduos e do consciente coletivo torna a superficialidade fator dominante, favorecendo ao tal do “branco da mente”.

O Travo brigou com a Prosa

Prosa é o nome que se dá à forma de um texto escrito em parágrafos. O termo deriva do latim prosa, que significa discurso direto, livre, em linha reta. Trata-se da expressão do “não eu” (ou do objeto), por meio de metáforas univalentes.

Aristóteles já observava, em sua “Poética”, que nem todo texto escrito em verso é “poesia”, pois na época era comum se usar os versos até em textos de natureza científica ou filosófica, que nada tinham a ver com poesia. Da mesma forma, nem tudo que é escrito em forma de prosa tem conteúdo de prosa.

Mudando o rumo dessa Prosa, na ansiosa tentativa de punir o Travo, com o sangue já circulando nas têmporas, vamos falar de Arte!

Arte geralmente é entendida como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada a partir da percepção, das emoções e das ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias da consciência e dando um significado único e diferente para cada obra. A arte se vale para isso de uma grande variedade de meios e materiais, como a arquitetura, a escultura, a pintura, a escrita, a música, a dança, a fotografia, o teatro e o cinema.

Quem sabe se pelo fato de encontrar-me em algumas dessas variadas formas de expressão, tenha que pagar o “preço” do desgaste de criar, com o famoso “branco”?

Quantas “calorias mentais” são gastas para colorir um desenho?

Seria melhor fazer uma Trova?

Ato de falar e tentar convencer a outra pessoa da sua ideia. Falar “abobrinhas” e fazer com que a pessoa acredite. Pode-se também dizer que seria como um “xaveco”. Trovadores são pessoas que te convencem a algo somente com a fala? Com a escrita é Poeta?

A Criatividade é assunto de reflexão de alguns cientistas e escritores como Vygotsky, Dostoievski, Damásio, Leo Szilard e Jonas Salk.

Em sua obra “Criação e imaginação”, Vygotsky afirma que é a atividade criadora que faz do homem um ser que se volta para o futuro, erigindo-o e modificando o seu presente.

Para esse psicólogo e educador, a criação é a condição necessária da existência e tudo que ultrapassa os limites da rotina deve sua origem ao processo de criação do homem e que a obra de arte reúne emoções contraditórias, provoca um sentimento estético, tornando-se uma técnica social do sentimento.

Para Dostoievski a necessidade de criar nem sempre coincide com as possibilidades de criação e disso surge um sentimento penoso de que a idéia não foi para a palavra.

Antonio Damásio, em seu livro “O Erro de Descartes” diz que criar consiste não em fazer combinações inúteis, mas em efetuar aquelas que são úteis e constituem apenas uma pequena minoria.

Para esse neurocientista, inventar é discernir, escolher. Aponta idéias idênticas às suas quando ele apresenta, em seu livro, afirmações feitas por Leo Szilard e Jonas Salk. Szilard: “O cientista criador tem muito em comum com o artista e o poeta”.

O pensamento lógico e a capacidade analítica são atributos necessários a um cientista, mas estão longe de ser suficientes para o trabalho criativo.

“Aqueles palpites na ciência que conduziram a grandes avanços tecnológicos não foram logicamente derivados de conhecimento preexistente: os processos criativos em que se baseia o progresso da ciência atuam no nível do subconsciente”.

Jonas Salk defende que a criatividade assenta numa “fusão da intuição e da razão”.

Criatividade é, portanto, para mim, a capacidade humana de escolher algumas dentre as várias possibilidades preexistentes e mesclá-las, criando algo inusitado.

Google – Imagem

Esse personagem da foto acima comeu bastante maracujá… Ficou calminho… Calminho!

Como era dado a projeções de vidências avançadas, se irritou tanto que criou a Teoria da Relatividade.

E o ano novo começou! O litoral descongestionou. A megalópole se entupiu outra vez. O trânsito voltou a sangrar. Deveriam distribuir suco de maracujá para os motoristas… Se os peixinhos não tiverem comido todos lá no mar do sul.

No resto do Brasil… Varonil… O Travo e a Trova!

As Trevas! Alfafas… E… As Favas!

Google – Imagem

Sem comentário… E agora José?

Vai de ônibus ou vai a pé?

Mamãe Eu Quero / Tico Tico No Fubá / Aquarela do Brasil.

O Clips da Lua

O Clips da Lua

Há algum tempo tenho ido a um bar em Curitiba.

Ali encontro figuras animadas e com riquíssimas memórias das várias características da urbe, capital paranaense.

Cada mancebo frequentador tem uma infinidade de histórias e estórias fabulosas.

Bar é descontração onde se ri muito e desopila-se o fígado!

Até dá pra tomar mais uma com moderação!

Existe apenas um garçom que atende por “Alemão”.

Nem é preciso dizer que é um “negão” simpático e cheio de sacadas bem humoradas… Além das “pegadinhas” que prepara todos os dias para “sacanear” os novos frequentadores.

Muitas vezes pega até mesmo os frequentadores mais antigos por causa da memória de alguns mais idosos!

Todos se divertem muito!

O alemão é uma figura que circula ouvindo tudo que falam nas mesas disformes do “boteco” e é invólucro da liberdade do pensar.

Ele pediu que fosse postada uma foto onde aparecesse o fundo de opções das bebidas do Stuart.

Vá lá então:

Tem “pinga” e adstringentes pra dar de pau!

O responsável pelo meu reencontro com esse lugar de magias no centro de Curitiba foi o amigo Antonio Carlos Coelho.

Eu e o Coelho por ocasião de um almoço no restaurante e bar Texas Grill.

Andando pela região central mais miscigenada da cidade, encontramos todos os tipos de gente.

Pobres e ricos!

Pedintes e doadores!

Até uma Fontana existe naquela praça.

Fui apresentado ao José Trindade… Ou apenas Zezinho!

Outras alcunhas também o identificam, como Sereno por exemplo.

Passeando e proseando eu fui ciceroneado pelo mito Zé Trindade.

Abaixo, na foto, Jorge e Zé Trindade no primeiro plano.

No trio do segundo plano nós vemos o Ernani, o Coelho e eu em pé.

A foto foi tirada pelo Nelson Ferri, proprietário do Bar Stuart.

Que turma boa!

Voltando ao “papo” do alemão, quando passa alguma moça mais ousada no vestir, ele sempre faz um som para chamar a atenção dos mancebos frequentadores do bar:

Sucessss! Sucessss!

Todos voltam os olhares para a calçada!

Um dia eu perguntei se ele estava triste ou cansado.

Sua fisionomia era de pensativo e observador.

Ele respondeu:

Ontem eu espetei 60 quilos de carne!

Perguntei:

Onde foi o churrasco?

A resposta veio imediata:

Que churrasco cara?

Minha mulher pesa 60 quilos!

Hehehe!

Pegadinhas constantes na postura de um bom garçom que sabe fazer rir os clientes.

Afinal, rir é o melhor remédio.

Assim o tempo passa e a descontração faz do lugar um grande laboratório de psicanálise.

Outro dia cheguei ao bar e logo o alemão me perguntou se eu tinha visto o eclipse da lua ontem!
Perguntei:

 Pô alemão!

 Tá de sacanagem comigo?
Em um segundo veio à prova!
O alemão do bar do Stuart trouxe O Clips da Lua!

Daí…

Fica um velho provérbio escocês:

Nunca confie num homem que não bebe!

E não encham o meu saco…

Pode causar um Trauma Testicular Abrupto!

A Luz Maior

A Luz Maior

A Abóbada Celeste

Fui acender a luz do andar de cima e percebi que a luz maior já estava acesa!

Após uma semana de destemperos e desencontros com contas á pagar, objetos e utensílios de usos diários quebrando ou não funcionando de uma hora para outra, enfim, nada andando fluidicamente como todos nós desejamos em nossa caminhada de vida, encontrei uma luz no céu do entardecer.

Havia acabado a Páscoa cristã e nós já tínhamos completados os dois dias de Pessach na casa da minha cunhada.

Para quem não sabe, Pessach (do hebraico פסח, ou passagem) é a “Páscoa judaica”, também conhecida como “Festa da Libertação”, e celebra a libertação dos hebreus da escravidão no Egito.

Subi os dezoito degraus da escada que leva ao andar superior da minha casa.

O objetivo era somente mover um interruptor de luz elétrica. Em cada degrau dessa escada, fui imaginando minha escalada na mística maçonaria. Escada de Jacó!

Quando me deparei com a janela do escritório em semiarco, enxerguei as mágicas cores do Universo iluminando algumas nuvens.

Projetei-me na Abóbada Celeste!

Assim criei a capa desta escrita.

Além disso, com minha alma judaica, observei que a Cabala ensina sobre o número 18 corresponder ao poder de vontade na alma. Os preceitos da Torá são a vontade de D’us.

Quando a pessoa cumpre um mandamento, dá a D’us, por assim dizer, “prazer”, pois cumpriu a vontade divina. Vontade corresponde a Arich, que também é Arichut Yamim, uma vida longa.

Isto, é claro, corresponde ao “Chai”, 18. A longa vida mencionada aqui é pelo mérito dos preceitos que a pessoa cumpre.

Pois bem, a passagem pela transição de um grande amigo também “pesou” nas disritmias da semana que se findava.

Imaginei que ele tenha encontrado a Luz Maior!

Tudo convergia para aguçar os sentimentos.

Dá matéria… Um mergulho vertiginoso ao espírito!

Meu amigo Guga foi ver a Luz Maior! Bom fotógrafo sabia distinguir os efeitos da luz e sombra!

Gustavo de Almeida Rayel Junior e seu progenitor!

Os quadros, ao fundo, eu havia pintado no sublime encontro da foto e deixo aqui registrado, à cores, para homenagear essa duas almas lindas.

Não por acaso, outro amigo acabara de ir buscar a Luz Maior! Ambos eram exímios fotógrafos.

Ivan Rodrigue! R.I.P.

Se já conhecia o segredo da luz e sombra… Agora leva mais brilho ás nuvens que fotografei da minha janela!

Há alguns anos passados, eu estava afastado das artes plásticas e pedi um projetor emprestado. Fui parar no estúdio do Guga e do Ivan. Ali esbocei os retratos dos meus grandes amores. Minha mulher e minha filha.

Viajando no tempo e no espaço, quase me esqueci de acender a luz do escritório. A Luz Maior enlevou-me aos píncaros do sublime. Meus amigos são mortos.

Mas eles eram muito jovens ainda!

Porque isso acontece?

Bom, meus amigos conheceram o que escreveu Alphonse Louis Constant, que utilizava o pseudônimo “Eliphas Levi,” para publicação dos seus livros, com o objetivo de usar a origem hebraica associando-o, dessa forma, mais facilmente a outros cabalistas famosos.

Já com o interruptor da luz do meu escritório ligado, continuei apreciando a natureza lá fora.

As cores iam mudando em frações de segundos! Entrou, sem pedir licença em minha mente, tal de Baruch Espinoza! Foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Nasceu em Amsterdã, nos Países Baixos, no seio de uma família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.

A sua família fugiu da Inquisição de Portugal. Foi um profundo estudioso da Bíblia, do Talmude e de obras de judeus como Maimônides, Ben Gherson, Ibn Ezra, Hasdai Crescas, Ibn Gabirol, Moisés de Córdoba e outros. Também se dedicou ao estudo de Sócrates, Platão, Aristóteles, Demócrito, Epicuro, Lucrécio e de Giordano Bruno.

Ganhou fama pelas suas posições opostas à superstição: “Deus sive Natura”!

O homem não nasce livre, mas torna-se livre, ou liberta-se, e ainda devido ao fato da sua ética ter sido escrita sob a forma de postulado e definições, como se fosse um tratado de geometria.

Dia 05/10/2015 fez um ano do passamento pela transição de um representante do bom judiciário!
Quando nascemos, choramos para insuflar a primeira baforada de ar da vida.
Pneuma.
“Sopro da Vida”.
Espírito.
Alma.
Enquanto o novo rebento chora com expressão de dor, os entes envoltórios queridos choram de alegria.
Nascer!
Viver!
Morrer!
Existe “choro” para todo tipo de situação.
Já chorei de tristeza, de alegria, de raiva, de agonia, quando alguém nasceu e quando alguém morreu.
Chorei na maternidade, no cemitério, na formatura, no casamento, em frente à televisão, escutando o rádio do carro, sozinho e, até, sonhando!
Existem lágrimas até quando se chora sonhando…
É só sentir a fronha do travesseiro molhada para constatar essa verdade.
É muito estranha a sensação de perder um pai!
Só perdendo para se saber o vácuo deixado no Ar que se respira…
Na Água que se navega…
No Fogo que se queima…
Na Terra que se emerge o corpo!
Ciclo da Vida!
Ir e Vir!
Reencarnação!
Repouse em Paz meu Pai!

Pintei a face e colori minha alma! Na Abóbada Celeste encontrei a Luz Maior!

Ontem ainda

Eu tinha vinte anos

Acariciava o tempo

E brincava de viver

Como se brinca de namorar

E vivia a noite

Sem considerar meus dias

Que escorriam no tempo

Fiz tantos projetos

Que ficaram no ar

Alimentei tantas esperanças

Que bateram asas

Que permaneço perdido

Sem saber aonde ir

Os olhos procurando o Céu

Mas, o coração posto na Terra!

Charles Aznavour

A Aliança

A Aliança

Se nos reportarmos aos tempos da Arca Sagrada, segundo o livro do Êxodo, onde a montagem da arca foi orientada por Moisés, que por instruções divinas indicou seu tamanho e forma, A Aliança é tida como forma sublime. Na arca foram guardadas as duas tábuas da lei, a vara de Aarão, e um vaso do maná. Estas três coisas representavam A Aliança de Deus com o povo de Israel.

Para judeus e prosélitos a Arca não era só uma representação, mas a própria presença de Deus.

A Arca da Aliança (hebraico: ארון הברית aróhn hab·beríth; grego: ki·bo·tós tes di·a·thé·kes) é descrita na Bíblia como o objeto em que as tábuas dos Dez mandamentos e outros objetos sagrados teriam sido guardadas, como também veículo de comunicação entre Deus e seu povo escolhido.

Foi utilizada pelos hebreus até seu desaparecimento, que segundo especulações, ocorreu na conquista de Jerusalém por Nabucodonosor.

Segundo o livro de II Macabeus, o profeta Jeremias foi o responsável por escondê-la.

Wikipédia, a enciclopédia livre.

A Aliança, como anel, é o símbolo utilizado para constatar uma união afetiva. Como um acordo é o pacto entre duas ou mais partes objetivando a realização de fins comuns.

Em arquitetura há quem diga que as linhas curvas são mais românticas.

Gizele Menezes Arquitetura e Urbanismo – Juazeiro do Norte, CE.

A ideia da arquiteta parece-me que vem daí…

Imagem – Google.

Na geometria euclidiana, uma circunferência é o lugar geométrico dos pontos de um plano que equidistam de um ponto fixo. O ponto fixo é o centro e a equidistância o raio da circunferência.

Em meu desenho os “elos” são almas que vagam em curva pelo universo!

A Aliança na filosofia chinesa é muito interessante. Os polegares representam os pais. Os indicadores representam teus irmãos e amigos. O dedo médio representa a você mesmo. O dedo anelar (quarto dedo) representa o seu cônjuge. O dedo mindinho representa seus filhos. Junte suas mãos palma com palma e una os dedos médios de forma que fiquem apontando para você…

Nessa posição, você consegue separar os polegares.

Eles se abrirão com facilidade, pois os seus pais não estão destinados a viver com você pelo resto de sua vida. Os indicadores também podem se abrir, pois seus irmãos construirão uma vida separada de você. Assim que formarem suas próprias famílias. Os dedos mínimos, que representam seus filhos, também se separam com facilidade, já que seus filhos irão crescer e se casar. Finalmente, tente separar os dedos anulares, o dedo da aliança e do anel de noivado, que representam seu cônjuge. Você ficará surpreso, pois perceberá que você simplesmente não poderá separá-los, porque o casal é destinado a estar um ao lado do outro pelo resto de suas vidas. Assim, usamos alianças e anéis de noivado no dedo anular, pois representam uma união duradoura e inquebrável.

O Senhor dos Anéis

A história narra o conflito contra o mal que se alastra pela Terra-média, através da luta de várias raças – Humana, Anã, Elfos, Ents e Hobbits – contra Orcs, para evitar que o “Anel do Poder” volte às mãos de seu criador Sauron, o Senhor do Escuro. Wikipédia.

E assim por diante, observamos a “força” que estes objetos redondos possuem em seus simbolismos.

Argolas, anéis, elos… O poder da Aliança!

Porém… Assim como Uma corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco!

A Aliança só será poderosa… Se houver AMOR!

Para tanto, desde a minha tenra pré-adolescência, muito me emocionou o drama épico, da guerra e romance de Boris Pasternak.

Doutor Jivago!

As gerações mais recentes não tiveram a oportunidade de ver e sentir o sublime enlace entre o casal Yuri Jivago e Lara Antipova. De Romeu e Julieta todos ouviram falar. Foi outra prova de grande amor.

A Revolução Russa de 1917 serve de cenário para a história de amor entre Yuri Jivago, um jovem médico aristocrata e Lara Antipova, uma enfermeira plebeia.

Lara é filha de uma costureira russa que, viúva, apenas consegue sustentar a casa em que ambas moram graças ao dinheiro que lhe é dado periodicamente por Victor Komarovsky, um importante e inescrupuloso expoente da sociedade local.

Com o fim da Guerra, Jivago e Lara voltam para suas famílias e perdem o contato. Ao voltar para casa, Jivago se depara com a decadência da alta sociedade russa e decide fugir para o interior com sua esposa, filho e sogra. Wikipédia.

É dessa Aliança que me refiro.

A Aliança só será poderosa… Se houver AMOR!

Mas Romeu e Julieta ficaram imbatíveis no decorrer das histórias de amor. Eu tinha 17 anos. Foi em 1968 quando assisti Romeu e Julieta. A música do filme era “A time for us Romeo and Juliet 1968”. Meus cabelos eram cacheados e todos os garotos queria ter a cara do Romeu. Aprendi que colocar uma meia de mulher, cortada, na cabeça deixava o cabelo liso. Chamavam de “fazer toca”. Cortei a “juba” no modelo do artista que fazia o Romeu no filme. Ali A Aliança não era só a argola de colocar no dedo. Essa Aliança era de um pacto de vida ou morte. O amor infinito compactuado era muito mais que um anel utilizado para constatar uma união afetiva. Assisti inúmeras vezes… Perdi a conta de quantas vezes.

“Romeu e Julieta”. História trágica escrita entre 1591 e 1595, nos primórdios da carreira literária de William Shakespeare, sobre dois adolescentes cuja morte acaba unindo suas famílias, outrora em pé de guerra. A peça ficou entre os mais populares na época de Shakespeare e, ao lado de Hamlet, é uma das suas obras mais levadas aos palcos do mundo inteiro. Hoje, o relacionamento dos dois jovens é considerado como o arquétipo do amor juvenil.

Assim… O pacto foi A Aliança… ETERNA!

Escravo da Alegria…

Já tive a oportunidade de ser apresentado muitas vezes por proeminentes figuras. Quando, recém-formado e me transferindo para a Bahia, em busca de trabalho, fui agraciado com um bilhete de apresentação feito pelo então já famoso prefeito de Curitiba. Era, inicialmente, endereçado para o “Toninho Malvadeza”, Antonio Carlos Magalhães, governador daquele Estado.

Por motivos de não comprometimento político… Não foi endereçado para a “Malvadeza”…

Citado por um dos mais competentes jornalistas paranaenses, eu fico com ele nessa história:

Patrimônio propõe presença na futura Constituição estadual

Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 13 de outubro de 1988

Resultado de pelo menos seis meses de trabalho e com consultas técnicas junto aos municípios, proposta de texto de lei relacionado ao patrimônio cultural está sendo encaminhada aos parlamentares paranaenses para aproveitamento na Constituição Estadual, na iminência de ser elaborada. A sugestão, que parte da Coordenadoria do Patrimônio Cultural da Secretaria da Cultura, está fundamentada na Carta Magna recém-promulgada e tem o propósito de ser mais dinâmica e objetiva que a legislação em vigor, que data de 1953. Marco Antônio Alzamora Gonçalves, coordenador de patrimônio da SEEC e que preside a equipe interdisciplinar que preparou a nova redação à lei do patrimônio, justifica o estudo como forma de aprimorar o próprio trabalho da Coordenadoria, que esbarra num texto que se deteriorou ao longo de 25 anos. O técnico da Secretaria da Cultura lembra que a Lei nº 1.211 refere-se ao patrimônio histórico, artístico e natural, omitindo outras manifestações culturais.

Na Bahia, optei por Carlos Bastos ao invés de Jorge Amado. Pois se tratava de artes plásticas e não de literatura.

Da Editora Resson, “O Filho DO HIPNOTIZADOR e outras histórias de estranhas pessoas” do ainda não conhecido meu Dennis D:

“Escrever é revelar-se”. “Por isso, talvez, já disseram que toda escritura – como ofício ou como arte – é apenas uma das muitas faces do exibicionismo humano.”

“Acreditem, mostrar a bunda na janela pode ser menos constrangedor do que expor, em letras, as entranhas da própria sensibilidade”.

Aqui estou eu novamente expondo sentimentos… Sem bunda na janela!

Na vida ou se perde ou se ganha. Se empatar vai para os pênaltis e após, persistindo o empate, é cara ou coroa em moedinha de um centavo!

Desempregado, procurei alguns amigos influentes para ajudar-me na empreitada da consecução de boa colocação em uma grande empresa.

Alguns se negaram! Outros fingiram que não era com eles. Apareceu uma santa alma que resolveu me ajudar na busca de um espaço de trabalho. Redigiu a carta de apresentação abaixo:

Ilmo. Senhor,

Dr. FULANO DE TAL

Proprietário da Empresa Operosa

Neste importante momento de formação de quadros para a administração dessa Operosa Empresa é preciso contar com profissionais experientes nas diferentes áreas de gestão pública e privada, para composição do staff das diretorias e outras funções essenciais.

Não temos dúvida da qualidade técnica e da experiência daqueles que, ao longo de anos, foram e serão apontados para exercer diversas funções para a próxima administração empresarial. Mesmo assim, profissionais de diversas áreas, com conhecimento do serviço público e privado, que acompanham de perto o desenvolvimento e as atuações de gestões empresariais anteriores sente que apresentar um profissional qualificado e com sólida formação acadêmica é uma forma de contribuir com a próxima gestão desta grande firma.

Apresentamos o senhor Marco Antônio Alzamora Gonçalves. Arquiteto e Urbanista “inoxidavelmente” brilhante.  Prova disto é a atuação nas prefeituras de municípios da Bahia com a implantação de uma rede de quiosques para venda de cachaça e acarajé. Locais que chegou a se apresentar como tocador da rabeca. Além disso, coordenou a lavação das escadas do Senhor do Bonfim, prova da sua dedicação às causas da fé popular.  Atuou, juntamente com vereadores, no projeto de instalação de mictórios públicos. Projeto que fez um sucesso muito grande entre a malta de cagões e mijões da cidade.

Quiosque próximo aos “Chalés do Mundaí”.

Secretariando o Conselho Estadual da Cultura.

Google dando Bandeira.

Marco Alzamora, homem requintado, que nos faz lembrar a fisionomia de Antonio Banderas, vá lá que numa versão meio prejudicada pelos anos dedicados a boemia dos tempos que viveu na Europa, na França e na Bahia. Apesar disso, temos a certeza, senhor proprietário, que Marco, Marcão, como é conhecido aqui no Janguito Malucelli, é também chefe da torcida do Paraná Clube, função que exerce há décadas, desde que o Paraná se chamava Ferroviário.

Vitória do Coxa no Janguito Malucelli.

Quando Coordenador do Patrimônio Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, ligando para o Rettamozo e para o Miguel Bakun, avisando que eles estavam atrasados para a coletiva da Denise Roman…

Alzamora é um homem da administração pública e privada. Atuou imensamente na divulgação da cultura baiana. Como exemplo de atuação exemplar, citamos a organização das festas de aniversário de Jaime Lerner, onde se encarregava de fornecer acarajé, manguzá, canjica, cachaça, figa e nega gorda para os convivas. E nas festas do litoral – Nossa Senhora do Rocio do Pilar – Marcão executava sua rabeca. Foi, por anos, o primeiro rabequista – rabequista spala – da Orquestra de Fandango da Ponta da Pita.  Sua veia artística lhe permitiu bater, com o esmero de um filho de Iansã, tambor em terreiro e decorar casa de quenga em Ilhéus e arredores.  Marcão faz mais. Além de bater o tambor em terreiro, o devoto de Jorge, bate a cabeça em terreiro de candomblé e, nas horas vagas, em ponta de faca.

Alzamora é um homem sensível. Ele possui uma veia espiritualista como poucos. Lê cartas, joga búzios e bocha na Sociedade Água-Verde, desmancha malfeito e sela casamentos (tu vais precisar Senhor Empresário Proprietário), levanta empresa falida e como num passe de mágica, cura brochura.

Senhor Proprietário, como vê, não é a toa que apresentamos o urbanista, o artista, o rabequista Marcão.  Ele sim irá dar o tom e a cor na sua administração. Pergunte para Bina. Ela confirmará o que estamos dizendo.  Chame Marcão para administração da empresa. Ele é “o cara”.

Não consegui o emprego!

Fiquei triste e desconsolado. Queria ficar alegre.

Escravo da Alegria.

“Piquei a mula” para Veneza e fiz da vida um grande carnaval.

Comprei uma gôndola e saí navegando outra vez.

Era Escravo da Alegria!

Tristeza
Por favor vai embora

A minha alma que chora…

Cantei e dancei um montão.

Enturmei-me!

Comprei máscara também!

Meu Emprego Minha Vida!

Google

Escravizei-me no dourado da Alegria!

Esqueci-me dos que se negaram a me recomendar para o emprego na grande empresa tupiniquim!

Mas continuei grato ao redator que teve a boa vontade de redigir minha apresentação. Ele teve boa vontade… Mas o curriculum… Não ajudou! kkk

Fui me especializar na língua e na culinária italiana.

Meu prato “carro chefe” era Coniglio arrosto con Acarajé e Pepe.

Para bom entendedor ficam visíveis os protagonistas dessa mirabolante viagem!

Não querendo ficar triste nunca, busquei com afinco a alegria.

Escravo de novo?

Sim… Escravo da Alegria.

Levei para Veneza o projeto de instalação de mictórios públicos. Projeto que fez um sucesso muito grande entre a malta de cagões e mijões venezianos.

Os canais de Veneza se transformaram em líquido viscoso com tons fortes de âmbar e dourado.

Como a máscara que comprei.

Alegria… Alegria… Vem de noite… Vai de dia…