SEMIÓTICA ARQUITETÔNICA

SEMIÓTICA ARQUITETÔNICA

“A semiótica é um saber muito antigo, que estuda os modos como o homem significa o que o rodeia”.

Envolve todos os sentidos, e muito mais, além de todos (metafísica).

Os Tomagnini de Pietra Santa eram comerciantes de mármore do Carrara. Meu bisavô materno, Ítalo Tomagnini, nasceu em Mônaco.

Eu aqui.

Lapidando pedras de Petit Pavê na Rua das Flores.

Às vezes escorregando na lisura do pedregulho.

Se olhar para cima, vejo, escuto e cheiro os detalhes do caminho.

Se olhar para baixo, escorrego e tropeço menos. Mas continuo vendo, escutando e cheirando os detalhes do caminho.

Dá-lhe Pituca:

“Solto a voz nas estradas, já não quero parar”… “Meu caminho é de pedras, como posso sonhar”…

“Sonho feito de brisa, vento vem terminar”…

“Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar…”.

Continuo andando.

Na estrada da Toscana, um caminhão velho levava um bloco de mármore bruto e tosco.

Lembrei-me das pedrinhas do calçadão de pedestres da capital paranaense.

Resgatei Dante Mendonça em Paraná Online por volta de 2008:

“Se essas ruas fossem minhas, voltaria ao capitão Matheus Leme e convocaria uma eleição nesta Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais”.

“Sendo que hoje uma boa calçada é legítima defesa do pedestre, o povo poderia escolher democraticamente o seu feitio”:

Pedrinhas de brilhante;

Lajotas antiderrapantes;

Revestimentos cerâmicos de Campo Largo;

Cascas de bananas;

Blocos de concreto pré-moldado intertravados;

Petit Pavê.

“Façam suas apostas!”

SEMIÓTICA.

Caminhada reconhecendo o envolto construído e o natural.

Comecei ler “A LEBRE COM OLHOS DE ÂMBAR” de Edmund De Waal onde ele abre o livro com: “Tire um objeto do seu bolso e o coloque diante de si. Você começa a contar uma história”.

Tirei uma pedrinha do bolso!

Ela foi parar na França…

Misturada com outras pedrinhas, à beira da estrada, continuei seguindo, vendo, escutando e cheirando os detalhes do caminho.

As curvas da arquitetura me induziram ao romântico. A curva é romântica.

O cheiro era de mar.

 O som era do vento marinho e do borbulhar de ondas um pouco mais distantes.

SEMIÓTICA ARQUITETÔNICA E LEITURA DA PAISAGEM URBANA.

Como não pude identificar a primeira pedrinha, peguei a mais próxima e joguei para cima…

Ela foi parar em Paris.

Eles estavam reformando o piso da Rue de La Reyne e minha pedrinha ficou tão pequena perto das outras que guardei no bolso para jogá-la mais em frente.

Os toldos cor carmim davam calor ao outono.

Mas continuo vendo, escutando e cheirando os detalhes do caminho.

O cheiro era da Pizza Pino, misturado com o pó da reforma da calçada.

Devia estar tocando em algum lugar, a música “Noite do meu bem”, cantada em francês pela Elis Regina.

La nuit de mon amour

Aujourd’hui je veux la plus belle rose du monde
Je veux la première étoile du soir
Pour embellir la nuit de mon amour…

Senti saudades das pedrinhas do Brasil.

Continuei andando e observando o envolto.

Era meu exercício preferido, SEMIÓTICA.

Suspirei profundamente com minha pedrinha no bolso.

Fui até Veneza!

Voei outra vez!

Paris.

Os letreiros. Carros e motos nas calçadas. A arquitetura antiga com grades nas janelas.

Andei rápido como as pessoas em volta. Envolto me cansei.

Descansado abri a janela do apartamento.

Voltei a ler o urbano.

Li o espaço e não vi calçada digna. Pombos se alimentavam próximos ao meio fio. Não joguei minha pedrinha ali. Subi no telhado e joguei tão alto que minha pedra de bolso passou por cima de Mônaco.

De Mônaco diretamente para Ostuni, entre Bari e Brindisi.

Cidade Caiada.

Aqui a leitura da paisagem urbana mostra transformações de conceitos no decorrer dos séculos.

Minha pedra já pensou na Grécia.

A SEMIÓTICA induzia o caminhar.

Ainda em Ostuni, onde o romano não entende o dialeto e vice versa.

A iluminação pública é a arandela.

Joguei minha pedrinha do último degrau da escadaria branca, caiada.

Ela atravessou o mar e foi parar em Korfu na Grécia.

A paisagem entre estes lugares tem características semelhantes.

Fui recebido pelo simpático habitante montanhês.

Branquinho como minha pedra do bolso, recebemos as boas Vindas!

…COM OLHOS DE ÂMBAR…

Os gregos são muito acolhedores…

A do meio foi minha professorinha de grego!

Parakalo, kalismera!

O sol da Grécia é de trincar!

Minha pedrinha queria ver outras pedras.

Estava muito solitária na escuridão do meu bolso.

Fui mergulhar em Paleokastritsa.

Lavei a pedrinha e subimos até o alto para alçar novos voos.

Comia pizza com muito azeite em Paleokastritsa.

A pedrinha subiu e foi parar perto de seus semelhantes esculpidos e lapidados.

Apaixonou-se e ficou lá para sempre.

Embora seja outra história, em SEMIÓTICA, a mesma paisagem pode ser sentida de formas diferentes, de dia ou de noite…

Minha casa no Tocantins

De dia…

De noite…

Mas continuo vendo, escutando e cheirando os detalhes do caminho.

SEMIÓTICA no TOCANTINS é

ANTROPOLOGIA URBANA!

Você… Não sabe nada!

Você… Não sabe nada!

É desse tamanho a dimensão da encrenca!

Já escutei essa acusação de alguns indivíduos.

Confesso que eles tinham razão.

Mesmo que um, ou outro, seja mais idiota que eu.

Mas engoli até com compreensão!

A grande diferença foi na forma e no “tom” das expressões.

Quando uma linda criança disse:

“O titio não sabe nada”, fiquei comovido e aceitei carinhosamente a observação.

Claro! Eu não sabia escrever ou falar hebraico!

Estava recentemente vivendo em Israel!

Mas deixando os idiotas para o passado, recomecei um novo aprendizado!

Quem sabe um dia eu saberei mais que eles?

Não é fácil mudar de um país ocidental para um oriental.

Talvez assim eu me “oriente” mais que os pretensos sabedores?

Já vivi em tantos lugares e estudei tantas matérias que não precisava escutar isso de alguém que se achava o proprietário da verdade.

Claro que esta escrita é um desabafo!

Porém, é uma grande forma de reflexão!

Até agradeço ao mancebo que num momento de destempero bradou em meus ouvidos a frase raivosa.

Imagino que a sua disritmia tenha sido maior que a minha na discussão evidenciada.

Fiquei mastigando esse amargo durante muito tempo.

Mas…

Evoluí quando escutei a mesma frase com o carinho de uma linda criança!

Realmente… Não sabemos nada!

Boa parte dessa lavra surgiu com um impulso psicológico ao assistir o filme Palavras de Amor.

Elenco grandioso com Richard Gere e Juliette Binoche.

O sucesso de Eliza Naumann, de 11 anos, em concursos de soletrar acaba por desenterrar segredos familiares, alterando a dinâmica do relacionamento de toda a família.

Pesquisando sobre o filme, encontrei uma crítica interessante pertinente ao título desta minha escrita.

No site sineclickl tudo sobre cinema, lê-se:

Sempre penso que as palavras perdem cada vez mais o significado.

Dizer “eu te amo”, por exemplo, não significa, necessariamente, que existe amor verdadeiro envolvido.

Eu mesma, confesso, já me peguei dizendo coisas que não sinto.

 No entanto, como jornalista – portanto, uma pessoa que valoriza as palavras tanto lidas quanto escritas -, acredito que a banalização na comunicação é algo irreversível.

A existência de um filme como Palavras de Amor faz com que pensemos melhor nessa questão.

Afinal, é isso que a produção dirigida por Scott McGehee e David Siegel (Até o Fim) faz:

Dá valor às palavras perdidas ao vento.

O negrito na frase é minha iniciativa.

Assim vou expelindo minhas mágoas já mofadas.

Enfim…

Assim…

Da Editora Resson, “O Filho DO HIPINOTIZADOR e outras histórias de estranhas pessoas” do ainda não conhecido meu Dennis D:

“Escrever é revelar-se”.

 “Por isso, talvez, já disseram que toda escritura – como ofício ou como arte – é apenas uma das muitas faces do exibicionismo humano.”

“Acreditem, mostrar a bunda na janela pode ser menos constrangedor do que expor, em letras, as entranhas da própria sensibilidade”.

Aqui estou eu novamente expondo sentimentos… Sem bunda na janela!

Na vida ou se perde ou se ganha.

Se empatar vai para os pênaltis e após, persistindo o empate, é cara ou coroa em moedinha de um centavo!

E ainda fico em dúvida sobre a letra da música de Cole Porter:

“Conflicting questions rise around my brain/ should I order cyanide or order champagne?”

“Questões conflitantes rondam minha cabeça/ devo pedir cianureto ou champanha?”.

Nada É Por Acaso

Assim o Acaso é um indivíduo inútil!

Sendo que Nada é por ele.

Vamos dar uma pincelada rápida na etimologia. Filosoficamente ao pensar-se no Nada, associamos à nossa mente a ausência de qualquer coisa que seja o vazio absoluto.

O nada foi pensado como conceito pelos filósofos que questionavam inclusive se “o nada existe?”.

Ao definir o nada como a ausência de qualquer coisa, então do próprio existir, Kant apresentou a existência do nada como um “pseudoproblema”, uma falsa questão. Sartre vai tratar o nada em oposição ao ser, que é o existir de algo.

Heidegger, cujo pensamento foi influenciado pelos místicos, trata em sua aula inaugural, “Que é Metafísica?”, que a pergunta fundamental da metafísica é “por que existe o ser e não o nada?” (ou “por que existe afinal ente e não antes nada?”), e esta pergunta, pelo cosmólogo brasileiro Mário Novello, também é a pergunta fundamental da cosmologia , quando tenta tratar como surgiu o universo, que seria o maior objeto que a ciência pode tratar.

Não sabendo nada…

Vou seguindo minha caminhada!