Torre de Pizzas

Torre de Pizzas

SONORO DESPERTAR

Acordei, abri a janela e o bem-te-vi cantou olhando para mim. Ontem o sono demorou a chegar. Nem sei se chegou. Às vezes o limbo confunde a percepção. Estava pensando como escrever a continuidade das minhas incursões europeias.  Falando da Suíça, lembrei-me do saudoso amigo Oscar Bolliger, Cônsul que me atendeu e orientou quando, após ter voltado da Europa, pensei em retornar à Confederação Helvética. A ideia era montar uma Comercial Importadora em Berna, onde levaria algumas representações brasileiras. O Bolliger me apresentou o então Secretário de Indústria e Comércio, Antônio Fernando Miranda, que se tornou um bom amigo também. Fernando Miranda, sabendo do meu desiderato, apresentou-me Nicola Minervini, alto executivo da Brown Boveri (empresa multinacional com sede em Zurique) para a América Latina. Acompanhei Nicola durante dois anos em suas andanças pelo Brasil, realizando palestras sobre comércio exterior. Bondade do Fernando Miranda e paciência do Minervini ao me proporcionarem tamanha oportunidade. Fiz muitos contatos para angariar marcas e produtos susceptíveis de serem comercializados na Europa. Em determinado momento, para realizar o pretendido, com boa parte da documentação já providenciada, me foi solicitado pelo Governo Suíço, uma Carta de Apresentação de algum órgão oficial ligado ao setor de exportação e importação. Ingo Zadrozny, então dono da Artex e presidente da entidade mor de comércio exterior no Brasil, me agraciou com tal Carta. Como precisava de um capital inicial de grande envergadura, não pude realizar o projeto de retorno ao coração da Europa. Embora não tenha vingado vitória na empreitada historiada, ganhei muitos amigos e uma experiência impar na caminhada da vida.

Conheci Arnaldo Macedo Caron que me proporcionou a concepção do logotipo de sua empresa de transportes aéreos e o projeto arquitetônico do primeiro terminal de containers fora do Porto de Paranaguá, na saída para as praias em Curitiba.

Logotipo da Comissária de Transportes. Marco Alzamora.

Henrique Lenz Cesar, competentíssimo Desembargador e Presidente do TJP eu já conhecia do próprio Tribunal de Justiça do Paraná, por intermédio do meu pai Juiz de Direito Zanoni de Quadros Gonçalves. A amizade ficou fortalecida pelo convívio de vizinhança nas férias de Caiobá. Sua casa ficava em frente à do Renato Schaitza, meu então sogro, e já tínhamos o Rotary em comum.

Renato Schaitza, minha filha linguaruda Renata com os priminhos Otávio e Alfredo em Caiobá.

Apadrinhado pelo Rotary Club Curitiba (o Curitibão), fiz parte da fundação do Rotary Club Curitiba-Marumby, no qual fui Secretário. Muitas vezes saímos, eu, Henrique e Caron, no enorme iate do último (maior barco do Iate Clube de Paranaguá) e após belíssimos passeios em alto mar, ancorávamos próxima a Ilha do Mel para saborear a moqueca especialidade do bom chef Lenz Cesar. Como era bom de serviço o saudoso companheiro. Chegava a empatar com a moqueca do Rubens Teig nos jantares da Confraria do Lechaim (Grupo de amigos do Centro Israelita do Paraná que se confraternizam todas as terças feiras de cada mês, revezando-se na cozinha).

Marco e um amigo “sabra”. Confraria do Lechaim!

Le Grand Chef Rubens Teig e o Poderoso Chefão da Confraria Isaac Ingberman.

Ao fundo o Guardião da Vodca (Lechaim) Claude Hasson.

Nessas andanças, eu não poderia deixar de citar dois grandes companheiros dos tempos idos:

Odone Fortes Martins (Jornal Indústria e Comercio) e Miguel Zattar (Labra).

Odone Fortes Martins

O empresário Odone Fortes Martins já foi membro dos Conselhos Superior e Deliberativo, vice-presidente (1990/94), primeiro vice-presidente (94/96), vice-presidente e coordenador do Conselho Político (2008/2010) e vice-presidente e coordenador do Conselho de Comércio Exterior e Relações Internacionais na Associação Comercial do Paraná.

Se o meu amigo “Sancho Pança” comentasse a foto, diria:

“Lá vai o ‘Mala’ e as malas”

De pronto eu responderia:

São malas com alças! Mané! Viu SSP*?

*Seu Sancho Pança – El Bruxo doravante!

No Brasil a Torre se chamaria:

“BALANÇA… Mas Não Cai”!

E… Io cammino per le strade!

E Ando Devagar…

Guardando na memória:

Oscar Bolliger

Antonio Fernando Miranda

Nicola Minervini

Ingo Zadrozny

Arnaldo Macedo Caron

Renato Schaitza

Henrique Lenz Cesar

Zanoni de Quadros Gonçalves

Rubens Teig

Isaac Ingberman

Claude Hasson

Odone Fortes Martins

Miguel Zattar

TRANSITANDO… POETIZANDO… POLEMIZANDO POLETIZANDO… – Licenciosidade poética –

TRANSITANDO… POETIZANDO… POLEMIZANDO

POLETIZANDO

 – Licenciosidade poética –

Minha mulher olhou para mim e me desafiando falou:

“Quero ver você ser poeta falando deste trânsito”!

Todos os dias, penso duas vezes quanto à coragem de sair de casa. 

Fui buscar os DANTES!

Lembrei-me da escrita do Dante Mendonça para completar o caos:

Para o eleitor do sexo masculino, machista por natureza, é próprio das mulheres a falta de espírito de decisão, a capacidade de decidir ou resolver de pronto. Usando como exemplo uma velha piada, no trânsito temos uma colisão na via de mão dupla: 

– Seu guarda, a madame  fez sinal que ia entrar à esquerda. Acelerei, também desviei à esquerda, e fui com tudo pra cima do carro dela. 

– Mas a senhora não estava sinalizando que ia entrar à esquerda? 

– Justamente! É inacreditável, mas ela entrou de fato à esquerda! Quem iria imaginar? O normal seria a madame sinalizar à esquerda, e entrar à direita!

Quando não penso no trânsito, saio mais rápido, sem titubear.

Protelado o massacre do stress, vencido o primeiro medo, mergulho no fluxo sanguinário de artérias entupidas, congestionadas, cujo sistema nervoso assemelha-se às questões anatômicas de um corpo doente.

Não dá para ser poeta do caos.

Dante Alighieri em sua viagem guiada pelo poeta romano Virgílio, poetiza o inferno.

Dante e Virgílio no Inferno, quadro de William-Adolphe Bouguereau. Wikipédia.

No trânsito esses corpos se metamorfoseiam em automóveis de aço.

No estado e na capital paranaense temos os ANÉIS como forma de sugerir fluxos mais fluídicos e induzir ao progresso.

ANÉIS…

Anel de integração… Anel viário…

Anelado, continuo pensando em como fazer poesia, sem heresia e com cortesia.

No poema de Dante, o inferno é descrito com nove Círculos de sofrimento localizados dentro da Terra.

Belo Horizonte, a primeira cidade brasileira projetada e concebida, pelo urbanista Aarão Reis, tem como conceito concepcional o sistema radial, com muitos anéis até a Avenida Contorno. Os raios têm seu ponto central na Praça Sete. A cidade foi planejada para acomodar 600 mil habitantes.

Aqui até houve proposta com similaridade conceitual. Plano Agache.

Agache aqui… Aarão lá!

O trânsito continua a “lesma lerda”.

Sem querer ser cínico, engraçadinho ou poeta, a lerdeza é a mesma!

Se colocarmos os nove Círculos de Dante no caminho de onde estamos e para onde vamos, aqui seria diferente de Belo Horizonte. Lá o mineirinho diria: “doncovim, oncotô… proncovô?”.

Aqui, o atleticano xinga o coxa-branca e vice versa. O torcedor do Paraná Clube fica quietinho… E assim o trânsito continua não fluindo!

Há alguns anos passados escrevi que o trânsito em Curitiba funcionava como um relógio suíço.

 Era o arquiteto Marcos Prado o responsável pelo DETRAN.

Sincronia de sinais como sinfonia de pardais!

Outro tempo é claro.

O adensamento vertiginoso despreza a lerdeza do planejamento.

Entre “tapas e beijos”, os tapa-buracos!

É! Obras também corroboram o caos transitório.

Necessárias para melhoria e conforto da população, carecem de planejamentos minuciosos para diminuir os transtornos na saúde da urbe.

Voltemos à poesia de Dante e Virgílio.

Portal do Inferno:

Portal do Inferno não tem portas ou cadeados, somente um arco com um aviso que adverte: uma vez dentro, deve-se abandonar toda a esperança de rever o céu, pois de lá não se pode voltar. A alma só tem livre-arbítrio enquanto viva, portanto, viva se decide pelo céu ou pelo inferno. Depois de morta, perde a capacidade de raciocinar e tomar decisões.

Arco, anel e circulo… Parace que tudo está “redondinho”.

Soma-se a isso tudo, os carrinheiros; motoqueiros; estacionamentos em fila dupla (carros, caminhões e até pedestres afoitos); mal traçado trajeto de coletivos.

Revista Eletrônica do Grupo Educacional Uninter

Foto: Larissa Glass

Êta ferro! Eu que já fui motoqueiro fico pensando que trabalhar com moto deve ser “osso duro de roer”.

Melhor seria fazer como meu irmão Vinícius…

Vai navegando sem destino pelo mundo a fora…

Para trás, só olhando no espelhinho.

Quando chega a alguma paragem, estica os músculos e continua sua viagem rumo ao desconhecido.

É como velejar no asfalto… Com motorzinho bem turbinado.

Ciclonibus via?

Ligeirinho invade trecho da ciclofaixa da Rua Marechal colocando em risco integridade dos ciclistas: “Tenho horário para cumprir”, justifica o motorista.

Alexandre Costa Nascimento/Ir e Vir de Bike

Tire a gravata e vá trabalhar de bicicleta!

Idiosincrasias dicotômicas ou dicotomias idiosincráticas?
“O cérebro encolhe e fica titica de galinha”

Antonio Costa/ Gazeta do Povo

Para taxistas, Avenida Visconde Guarapuava lidera lista das vias com pior tráfego em Curitiba.

Como sempre me dizia o saudoso amigo, companheiro e padrinho das minhas artes, Dino Almeida: “O curitibano já é ruim de boleia… Quando chove então o cérebro encolhe e fica do tamanho de uma titica de galinha”!

Situação bastante comum e incômoda em vários pontos da urbe.

No trajeto minha mulher falou que será difícil poetizar com esse infernal trânsito.

Lembrei-me do Zé Lopes, garimpeiro no Tocantins que comprou diploma de advogado para herdar uma fazenda, como procurador.

“Difícil é pegar galinha pela orelha”! 

Esse trânsito está um chute, de bico, no apêndice pendular masculino!

Pô, o cara tem uma BMW!

No trânsito, para ser poeta… Só se for trabalhar de bicicleta!

Mas… Tem que ser atleta!

Cala a boca seu poeta!