A Luz Maior

A Luz Maior

A Abóbada Celeste

Fui acender a luz do andar de cima e percebi que a luz maior já estava acesa!

Após uma semana de destemperos e desencontros com contas á pagar, objetos e utensílios de usos diários quebrando ou não funcionando de uma hora para outra, enfim, nada andando fluidicamente como todos nós desejamos em nossa caminhada de vida, encontrei uma luz no céu do entardecer.

Havia acabado a Páscoa cristã e nós já tínhamos completados os dois dias de Pessach na casa da minha cunhada.

Para quem não sabe, Pessach (do hebraico פסח, ou passagem) é a “Páscoa judaica”, também conhecida como “Festa da Libertação”, e celebra a libertação dos hebreus da escravidão no Egito.

Subi os dezoito degraus da escada que leva ao andar superior da minha casa.

O objetivo era somente mover um interruptor de luz elétrica. Em cada degrau dessa escada, fui imaginando minha escalada na mística maçonaria. Escada de Jacó!

Quando me deparei com a janela do escritório em semiarco, enxerguei as mágicas cores do Universo iluminando algumas nuvens.

Projetei-me na Abóbada Celeste!

Assim criei a capa desta escrita.

Além disso, com minha alma judaica, observei que a Cabala ensina sobre o número 18 corresponder ao poder de vontade na alma. Os preceitos da Torá são a vontade de D’us.

Quando a pessoa cumpre um mandamento, dá a D’us, por assim dizer, “prazer”, pois cumpriu a vontade divina. Vontade corresponde a Arich, que também é Arichut Yamim, uma vida longa.

Isto, é claro, corresponde ao “Chai”, 18. A longa vida mencionada aqui é pelo mérito dos preceitos que a pessoa cumpre.

Pois bem, a passagem pela transição de um grande amigo também “pesou” nas disritmias da semana que se findava.

Imaginei que ele tenha encontrado a Luz Maior!

Tudo convergia para aguçar os sentimentos.

Dá matéria… Um mergulho vertiginoso ao espírito!

Meu amigo Guga foi ver a Luz Maior! Bom fotógrafo sabia distinguir os efeitos da luz e sombra!

Gustavo de Almeida Rayel Junior e seu progenitor!

Os quadros, ao fundo, eu havia pintado no sublime encontro da foto e deixo aqui registrado, à cores, para homenagear essa duas almas lindas.

Não por acaso, outro amigo acabara de ir buscar a Luz Maior! Ambos eram exímios fotógrafos.

Ivan Rodrigue! R.I.P.

Se já conhecia o segredo da luz e sombra… Agora leva mais brilho ás nuvens que fotografei da minha janela!

Há alguns anos passados, eu estava afastado das artes plásticas e pedi um projetor emprestado. Fui parar no estúdio do Guga e do Ivan. Ali esbocei os retratos dos meus grandes amores. Minha mulher e minha filha.

Viajando no tempo e no espaço, quase me esqueci de acender a luz do escritório. A Luz Maior enlevou-me aos píncaros do sublime. Meus amigos são mortos.

Mas eles eram muito jovens ainda!

Porque isso acontece?

Bom, meus amigos conheceram o que escreveu Alphonse Louis Constant, que utilizava o pseudônimo “Eliphas Levi,” para publicação dos seus livros, com o objetivo de usar a origem hebraica associando-o, dessa forma, mais facilmente a outros cabalistas famosos.

Já com o interruptor da luz do meu escritório ligado, continuei apreciando a natureza lá fora.

As cores iam mudando em frações de segundos! Entrou, sem pedir licença em minha mente, tal de Baruch Espinoza! Foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Nasceu em Amsterdã, nos Países Baixos, no seio de uma família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.

A sua família fugiu da Inquisição de Portugal. Foi um profundo estudioso da Bíblia, do Talmude e de obras de judeus como Maimônides, Ben Gherson, Ibn Ezra, Hasdai Crescas, Ibn Gabirol, Moisés de Córdoba e outros. Também se dedicou ao estudo de Sócrates, Platão, Aristóteles, Demócrito, Epicuro, Lucrécio e de Giordano Bruno.

Ganhou fama pelas suas posições opostas à superstição: “Deus sive Natura”!

O homem não nasce livre, mas torna-se livre, ou liberta-se, e ainda devido ao fato da sua ética ter sido escrita sob a forma de postulado e definições, como se fosse um tratado de geometria.

Dia 05/10/2015 fez um ano do passamento pela transição de um representante do bom judiciário!
Quando nascemos, choramos para insuflar a primeira baforada de ar da vida.
Pneuma.
“Sopro da Vida”.
Espírito.
Alma.
Enquanto o novo rebento chora com expressão de dor, os entes envoltórios queridos choram de alegria.
Nascer!
Viver!
Morrer!
Existe “choro” para todo tipo de situação.
Já chorei de tristeza, de alegria, de raiva, de agonia, quando alguém nasceu e quando alguém morreu.
Chorei na maternidade, no cemitério, na formatura, no casamento, em frente à televisão, escutando o rádio do carro, sozinho e, até, sonhando!
Existem lágrimas até quando se chora sonhando…
É só sentir a fronha do travesseiro molhada para constatar essa verdade.
É muito estranha a sensação de perder um pai!
Só perdendo para se saber o vácuo deixado no Ar que se respira…
Na Água que se navega…
No Fogo que se queima…
Na Terra que se emerge o corpo!
Ciclo da Vida!
Ir e Vir!
Reencarnação!
Repouse em Paz meu Pai!

Pintei a face e colori minha alma! Na Abóbada Celeste encontrei a Luz Maior!

Ontem ainda

Eu tinha vinte anos

Acariciava o tempo

E brincava de viver

Como se brinca de namorar

E vivia a noite

Sem considerar meus dias

Que escorriam no tempo

Fiz tantos projetos

Que ficaram no ar

Alimentei tantas esperanças

Que bateram asas

Que permaneço perdido

Sem saber aonde ir

Os olhos procurando o Céu

Mas, o coração posto na Terra!

Charles Aznavour

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