O Gato Preto Não Cruzou a Estrada…

O Gato Preto Não Cruzou a Estrada…

Acordei muito azedo! Mas muito azedo mesmo!

Saco cheio! Mas muito cheio mesmo!

Faz três dias que me visto todo de preto.

Elegante cor, principalmente para os gordos. Dizem que emagrece. E é verdade. Chama-se correção ótica. Ao contrario do que os gregos faziam nas colunas abauladas para serem vistas esguias de longe.

Quando contei para minha mulher que havia recebido alguns elogios sobre minha última escrita, fruto de elaborada lavra de boa verve, ela comentou sentada no computador dela: “Eles mexem com a sua vaidade, massageiam o seu ego, né?”.

Respondi fingindo ser humilde e resignado: É natural sentir-se bem quando o seu trabalho é reconhecido! Bufando…

Ela: “Han… han”.

Saímos, eu, ela e minha sogra para almoçarmos num shopping que tem livraria também. (todos tem né? Animal!).

Só faltava o gato preto cruzar a estrada!

Bufando…

Comi rápido e enquanto elas foram chupar sorvetes, fui ver livros.

Esbarrei de cara com um que me hipnotizou.

Meu avô estudava hipnose e chegou ao grau superior da letargia.

Da Editora Resson, “O Filho DO HIPNOTIZADOR e outras histórias de estranhas pessoas” do, ainda não conhecido meu Dennis D, eu abri na página certa para um bufante de preto que procurava chutar qualquer gato preto que cruzasse a estrada.

“A Puta Que Não Pariu” era o título da historieta.

Por sinal, muito boa como às outras do livro.

Bufando… Comprei!

Não vou contar para não tirar a graça da surpresa.

Ali me identifiquei com o autor, até mesmo pelo vicio do computador.

Estou escrevendo por quê?

No prefácio, o autor já manda forte.

“Escrever é revelar-se”. “Por isso, talvez, já disseram que toda escritura – como ofício ou como arte – é apenas uma das muitas faces do exibicionismo humano.”

“Não sei se há vício e vulgaridade em toda escritura, mas sei que lidar com as palavras atrai fantasmas de sentimentos, fantasmas de emoções assustadoras que vagueiam por aí, nos desvãos da quarta dimensão, à procura de um ser humano que esteja com a caneta entre os dedos ou, como é o meu caso, diante de um computador”.

Já gostei muito do autor. Ele diz exatamente o que eu quero dizer.

Porra! Mas é ele quem está dizendo!

Será que ele vai dividir comigo a massagem no ego?

Sei lá.

A verdade é que parece ser uma transmutação fantasmagórica entre bruxos que sentem as mesmas coisas, como:

“Acreditem, mostrar a bunda na janela pode ser menos constrangedor do que expor, em letras, as entranhas da própria sensibilidade”.

Para não ficar enchendo a bola do autor, demasiadamente, fui checar meus e-mails.

Minha amiga Martha Schulman, grande incentivadora das minhas peraltices grafimontadas, enviou algo que mexeu com a elucubração em questão.

Chama-se “REMOVENDO AS VENDAS”.

No inicio pensei tratar-se de coisas ligadas ao comercio, lojinhas, barganhas e outras gambiarras.

Muito mais que isso!

Mensagem do YEHUDABERG, onde diz:

“Você já escutou de algum amigo, ou talvez até de alguém que não seja seu amigo, que existe alguma coisa na sua personalidade de que eles não gostam? Na maioria das vezes, quando alguém aponta traços negativos em nós, que não tivemos o mérito de enxergar sozinhos, discordamos imediatamente.”

Meu azedume foi passando com o passar dos pássaros passarinhando.

Comecei a resignação. Li mais adiante e compreendi.

“Quanto mais abertos estivermos à crítica, tanto mais poderemos remover as vendas de nossos olhos e começar a mergulhar em nosso verdadeiro trabalho espiritual.”

Não se tratava de vendinhas, lojinhas ou gambiarras.

Uma das amigas incentivadoras do meu ego é a Alegre Bromfman, querida Ageh para nós.

Como tenho o habito de citar nomes, não poderia deixar de homenagear meu dileto amigo Luiz Orestes Gavazzoni, Juan Campesino e outros bruxos mais, que entra em nova primavera.

Parabéns grande figura!

Não vá se lambuzar Luigi. Só pode ir brincar na piscina de bolinhas!

Já não estou tão azedo mais.

Uma rosa mística para os leitores, leitoras e para o Luigi um presente de esperança e carinho.

Pouco me importa ser escravo.

“O homem é dono do que cala e escravo do que fala.”

“Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo.”

Sigmund Freud.

Assim vocês vão continuar sabendo mais de mim do que os de quem falo.

Vestido de preto. CRUZEI A ESTRADA DO GATO PRETO!

KKK! Dei um pulo no gato!

O Gato Preto Não Cruzou a Estrada.

Melhor ainda, NÃO SUBIU NO TELHADO!

Tô de olho em você!

Já não estou tão azedo mais.

Mas com saco cheio ainda.

Recebo pela internet, diariamente, o Bom Dia Hoje do Professor e Aprendiz da Vida Sigmar Sabin.

No inicio das suas mensagens sempre tem o Pensamento para um Bom Dia HOJE:

“Os anos deixam rugas na pele, mas a falta de entusiasmo deixa rugas na alma”.

(Michael Lynberg)

Pensei… Rugas na pele! Huum… Bufo!

…Rugas na alma!…Huum… Bufo dois!

Pelo menos com saco cheio as rugas não aparecem lá!

Dei um tempo para assistir o Jornal do meio dia.

Ânsia de vomito olhando para a cara do Lewandowski.

A sorte é termos o Batman.

A sorte maior ainda é termos o Joaquim Barbosa.

Já não estou tão azedo mais.

Mas com saco cheio ainda.

Fazendo enxerto em texto que comecei trésontonte, essa página tinha ficado em branco.

Vou escrever nela.

Antes vou comer um chocolate… Diamante Negro é claro!

Ops… É escuro!

Vá fazer frio assim lá na PUTA QUE NÃO PARIU!

Trocando olhares com minha mulher que estava sentada teclando em seu escritório ao lado do meu, nos comunicamos por e-mail. Disse, no olhar, que iria “turbinar” esse texto. Entendemo-nos bem só de olhar.

A página já não está mais tão branca.

O Luigi, que é responsável por tudo isso ir ao ar, disse que ia voltar para os braços do Orfeu!

Respondi usando o autor de O Filho DO HIPNOTIZADOR:

“Ao sobreviver uma fadiga literária, só nos resta um caminho: dormir um pouco, preferencialmente em horários indevidos, para estimular novos sonhos e esvaziar velhas melancolias”. “Não há muito mais o que fazer, nem seria prudente tentar quaisquer outras soluções”.

Dennis D.

Orfeu, Plutão e Perséfone, de François Perrier

 

Mais tarde eu dou um grito para ele: Acorda aí Mané!

Vamu que Vamu!

Sem rugas na pele, na alma e no saco.

Sem puta parindo nem gato preto não cruzando a estrada!

Como ainda não escureceu, vou continuar preenchendo estas páginas em branco.

Desci para assistir a sessão da tarde.

O filme era “The Good Witch” com Catherine Bell.

Google

Gata preta que pula no capô do carro do policial já no inicio do filme.

Isso é um sinal!

Vou comprar o bilhete do gato… Ou da gata!

Pô! A página continua em branco?

Acho que vou contratar alguém da área de informática para me tirar dessa escuridão!

Paradoxo? Página em branco na escuridão?

Não!

Ainda não escureceu. Já estou com essa cara.

Google – Jean Luc-Godard

Que saco né?

Sem rugas.

Estou parecendo àquelas figuras na rede social “face book”. Elas ficam postando o tempo todo o que estão fazendo.

“Agora vou ao cinema”; “Agora vou ao restaurante tal”; “Agora vou fazer xixi”; “Agora vou fazer coco”!

QUE NOJO!

Minha mulher chegou e foi tomar banho. Disse que o cabelo estava grudento. Contei que eu estava “turbinando” o texto.

Ela disse que já estava muito bom, pra que mexer? Respondi que “muito bom” é muito menos do que pretendo.

Quero que fique muito mais que apenas “muito bom”.

Está começando escurecer e não sinto vontade de parar de escrever.

Vou escrever mais quatro páginas e parar. Não sei se paro ou não!

Depois vou ao meu psiquiatra.

Tchau!

Já pensaram no EDGAR ALLAN POE contratando a Cléo Pires para um filme de terror?

O GATO PRETO

Para a muito estranha embora muito familiar narrativa que estou a escrever, não espero nem solicito crédito. Louco, em verdade, seria eu para esperá-lo, num caso em que meus próprios sentidos rejeitam seu próprio testemunho.

Contudo, louco não sou e com toda a certeza não estou sonhando. Mas amanhã morrerei e hoje quero aliviar minha alma. Meu imediato propósito é apresentar ao mundo, plena, sucintamente e sem comentários, uma série de simples acontecimentos domésticos. Pelas suas consequências, estes acontecimentos, me aterrorizam me torturaram e me aniquilaram. Entretanto, não tentarei explicá-los. Para mim, apenas se apresentam cheios de horror. Para muitos, parecerão menos terríveis do que grotescos. Mais tarde, talvez, alguma inteligência se encontre que reduza meu fantasma a um lugar comum, alguma inteligência mais calma, mais lógica, menos excitável do que a minha e que perceberá nas circunstâncias que pormenorizo com terror apenas a vulgar sucessão de causas e efeitos, bastante naturais.

EDGAR ALLAN POE – FICÇÃO COMPLETA – CONTOS DE TERROR, MISTÉRIO E MORTE.

Isso sim é terrorismo!

FICÇÃO COMPLETA

Aqui está a Gata Que Não Pariu e a Puta Que Não Atravessou a Estrada!

Meu humor melhorou consideravelmente.

O GATO PRETO NÃO CRUZOU A ESTRADA!

A PUTA QUE NÃO PARIU!

E SOU NETO DE HIPNOTIZADOR!

O Gato Preto Que Não Cruzou a Estrada…

Encontrou… Achou…

A namorada…

Amou…

 

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