Os Sapatos… Dos Outros!

Os Sapatos… Dos Outros!

Vestir o sapato alheio pode não ser a mesma coisa que fazer mesuras com bonés alheios, ou seja, “cumprimentar com o chapéu dos outros”! Termo antigo, usado para fazer reverência ao interlocutor. Todos nós já pusemos os sapatos dos nossos pais ou parentes quando éramos crianças. É claro que as “mulherzinhas” tinham um fascínio muito maior do que a curiosidade dos “hominhos”! Sem machismo, que fique bem claro! É que elas são mesmo mais sensíveis do que eles!

O hábito antigo de saudar alguém se tirando o chapéu era denominado chapelada. Tirar o chapéu é um sinal convencional de saudação ou agradecimento, normalmente efetuado apenas pelos homens. Pode ser observado também quando se entra em um templo religioso em sinal de respeito. Quando alguém é homenageado por ações que não praticou, pode-se dizer que fez mesuras com chapéu dos outros.

Há alguns dias escutei, em uma rádio, algo sobre usar os sapatos alheios. Momento Espirita, se não me engano. Os países de língua inglesa usam uma expressão muito interessante para explicar a empatia, “Colocar seus pés nos sapatos dos outros”.

Fui consultar sobre empatia:

O estudo sobre os processos empáticos é relativamente recente, sendo que as primeiras pesquisas científicas conhecidas sobre empatia foram feitas a partir da segunda metade do século XX, embora esse conceito já existisse pelo menos desde o início do século XX.

A empatia é, segundo Hoffman (1981), a resposta afetiva vicária a outras pessoas, ou seja, uma resposta afetiva apropriada à situação de outra pessoa, e não à própria situação. O termo foi usado pela primeira vez no início do século XX, pelo filósofo alemão Theodor Lipps (1851-1914), “para indicar a relação entre o artista e o espectador que projeta a si mesmo na obra de arte”.

Na psicologia e nas neurociências contemporâneas a empatia é uma “espécie de inteligência emocional” e pode ser dividida em dois tipos:

A cognitiva – relacionada à capacidade de compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas; e a afetiva – relacionada à habilidade de experimentar reações emocionais por meio da observação da experiência alheia.

Wikipédia.

Começamos a prática desse exercício já em tenra infância, quando colocamos os sapatos maiores que nossos pés. Ao fazermos isso, iniciando nossas vidas, não temos a consciência de estarmos propriamente nos transportando para a personalidade do proprietário dos sapatos. Somente mais tarde, com exercício prático, é que conquistamos a capacidade de suspender provisoriamente a insistência no próprio ponto de vista, e encarar a situação a partir da perspectiva do outro. Pesquisas indicam que a empatia tem uma resposta humana universal, comprovada fisiologicamente. Dessa forma a empatia pode ser tomada como causa do comportamento altruísta, uma vez que predispõe o indivíduo a tomar atitudes não egoísticas. Fico imaginando isso:

Brincadeirinha à parte, o assunto é sério e importante para que possamos entender as diferenças.

Só “calçando os sapatos do outro” saberemos onde o “calo” dói. Assim poderemos compreender e tomar atitudes mais eficazes para consolar e ajudar nossos semelhantes. Sempre julgaremos menos ou, certamente, com menos severidade. Suavizamos o ódio, o rancor e o ressentimento, ficando mais susceptíveis para o perdão.

Em O Óleo de Lorenzo, um filme estadunidense de 1992, do gênero drama, dirigido por George Miller, fica a expressão maior de um ato de amor. Era como se os pais colocassem os sapatos do filho. História real de um casal, Augusto e Michaela Odone, cujo único filho, Lorenzo, começa a apresentar hiperatividade, surdez, desequilíbrio e vários outros sintomas. Os pais do menino não se conformaram com o fracasso dos médicos e com a falta de medicamentos para a doença.  Assim, decidiram estudar e pesquisar sozinhos, na esperança de descobrir algo que pudesse deter o avanço da doença, de caráter hereditário, transmitida geneticamente pela mãe.

Nesse caso triste e ao mesmo tempo lindo, foram os pais que vestiram os sapatinhos do filho!

Na vida real, Lorenzo sobreviveu a sua mãe, Michaela Odone, que morreu em 10 de junho de 2000, vítima de câncer de pulmão. Lorenzo morreu em 30 de maio de 2008 (um dia depois do seu 30° aniversário), em decorrência de uma pneumonia. Ele vivera 22 anos além do que os médicos haviam prognosticado, quando a doença foi diagnosticada. Sua sobrevida foi atribuída ao óleo que seus pais inventaram. Augusto Odone, seu pai, faleceu em 24 de outubro de 2013, de insuficiência cardíaca.

Esse é sem nome… Sem pai… E sem mãe… Quem sabe?

Nunca usou Os Sapatos… Dos Outros! Até aí, nunca pôde “Colocar seus pés nos sapatos dos outros”.

Outros… Mesmo com os sapatos furados… Ainda guardam um pouco da esperança em…

“Colocar seus pés nos sapatos dos outros”.

Meu sapato já furou

Minha roupa já rasgou

E eu não tenho onde morar

Meu dinheiro acabou

Eu não sei pra onde vou

Como é que eu vou ficar?

Eu não sei nem mais sorrir

Meu amor me abandonou

Sem motivo e sem razão

E pra melhorar minha situação

Eu fiz promessa pra São Luís Durão

Quem me vê assim pode até pensar

Que eu cheguei ao fim

Mas quando a minha vida melhorar

Eu vou zombar de quem sorriu de mim

Meu sapato já furou…

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