Chute… Ponta pé… Inicial!

Chute… Ponta pé… Inicial!

O primeiro “Chute” é na barriga da mamãe! De dentro para fora… É claro! Não é, necessariamente, uma “bicuda” ou “Ponta Pé”! Como se referiam os atletas mirins do futebol quando marcávamos um gol de “bico”. Somente bem depois ficamos exibidos. Principalmente quando ganhamos a primeira chuteira e posamos na foto com a perna cruzada para dar ênfase à nova indumentária. Para se mostrar “grande” (pensando que é gente)… Tomamos “chimarrão” com bomba e cuia… Como manda a tradição!  A chaleira é parte instrumental da ritualística. Aprendemos desde a tenra infância disciplinar os rituais das nossas ações. Lógico que estamos falando de meninos, embora muitas meninas joguem futebol hoje em dia. Piás, guris, moleques, pirralhos… E outros tantos codinomes para essas peças miúdas que começam suas caminhadas e seus “chutes” vida a fora e vida adentro.

Não que as meninas também deixem de “chutar”, mas aqui a conversa é de “meninos”. Dizíamos que no “Clube do Bolinha” não entra “Luluzinha”! Educação machista né? Mas é assim até hoje. A “Luluzinha” de hoje também não quer nenhum “Bolinha” botando o bedelho em seus colóquios femininos! Não muito mais tarde, descobrimos que o bom mesmo é “hominho e mulherzinha” estarem sempre juntinhos! Senão a Humanidade não caminha!

Já existia quem desse um “Chute” em pedrinhas na Lua. Era “Ponta Pé”… Inicial!

Todos nós temos lembranças dos nossos primeiros passos. Nossos primeiros chutes. Tropeços. Existem várias formas de chutar uma bola. Peito de pé, com calcanhar, do tipo “folha seca”, com efeito, pegando de ladinho na “pelota”. Tudo isso a gente aprende na prática. Teoria é só mesmo para profissional com “professor” e tudo mais.

Já “chutar o balde” é coisa bem diferente… Mas é chute.

Esse tipo de ilustração fazia com que os “chutadores mirins” ficassem mais aguçados… E os “chutadores adultos” também. Isso já é “sacanagem”!

Existem também aqueles que foram… São… E serão sempre… “Um chute no saco”! Aprenderam ser “bacaninhas” quando crianças e continuaram sendo até a velhice!

Lembro-me ter jogado futebol no GESM Mirim – Grêmio Esportivo Santa Maria – Era artilheiro. Daí continuar “me achando” sempre o “bom de bola”! Fui mal acostumado com minhas conquistas. Mas nem tudo eram festa e alegria. Roubaram minhas bolinhas de gude acertadoras.  Minhas figurinhas e até álbuns foram objetos de rapinagem por “demônios” mais terríveis do que eu. A trapaça era inerente aos pequenos maus intencionados. Eu nunca roubei quase nada!

Somente na adolescência foi que eu peguei emprestado um maço de cigarros do meu pai, sem ele saber é claro! Não vou contar o que aconteceu. Seria tema fora desta abordagem! É aprendendo que se apanha! Ops! Será o contrário? Deixe quieto. Assim está de bom tamanho.

Vamos lembrar-nos de coisas boas e saudáveis. Como na escola as crianças estragavam muito os sapatos, dando chutes em tudo que estivesse no caminho, ganhei um Vulcabrás. Era um tanque de guerra.

A primeira chuteira vocês já viram na foto de capa dessa escrita. Mas o primeiro tênis foi o famoso Kichute! Que tempos bons!

Do filme Meninos de Kichute

Sinopse

Beto é um garoto que vive com a família num bairro operário do interior nos anos 1970. Em uma década que viu o Brasil ser tricampeão mundial e viveu o rigor do regime militar, meninos calçavam seus tênis Kichute para jogar partidas nos campinhos do bairro. Beto quer ser jogador de futebol, e pra realizar seu sonho tem que lutar contra os rígidos princípios religiosos do pai, a concorrência com os outros garotos e especialmente contra seus medos.

Nós tínhamos muitos medos sim! Quando algum “pirralho” cometia algum ato maior de bravura, as mães e os pais dos amiguinhos comentavam que esse “guri” era muito afoito!

O que me inspirou escrever esse artigo foi o fato de ter acabado de conhecer o seu autor, produtor, diretor e “escambau”! Trata-se de Luiz Carlos Coelho Amberg. Figura querida e de altíssima sensibilidade humana e criativa.

É ele quem tem me dado a maior “força” nas traduções dos meus textos.

Roteirista e diretor: Luiz Carlos Coelho Amberg

Nascido em Lages, Santa Catarina.

Bacharel em roteiro e direção para cinema e televisão pela Universidade do Sul da Califórnia – 1992.

Roteiro e Direção dos filmes de longa metragem:

Caminho dos Sonhos, Heróis da Liberdade e Meninos de Kichute www.meninosdekichute.com.br. Prêmio Júri Popular de Melhor Filme Brasileiro Mostra Internacional de Cinema de São Paulo/2010.

Roteiro do projeto de longa metragem XAMÃ aprovado na ANCINE 2012. Escreveu e dirigiu REISELE e recebeu o Premis Tirant Guarnicê, de melhor curta metragem 35 mm, Valencia, Espanha.

Roteirista e diretor: Luiz Carlos Coelho Amberg

Vendo e sentindo a arte desse meu mais novo amigo, “viajei” no tempo e no espaço. Onde foi parar minha primeira camisa Volta ao Mundo e de Ban-Lon?

Se quiser fumar eu fumo e não quero nenhum “chute no saco” que reprima com esse papo politicamente correto!

Acho que continuo meio “Rebelde Zinho” ainda!

E minhas calças de nycron, que fim levou?

Exibido, eu ficava sentando e levantando o tempo todo para mostrar a peculiaridade do produto!

Foi fazendo exibicionismo que acabei quebrando minha primeira régua de plástico. O plástico não era tão flexível quanto o tamanho da exibição. Antes só existiam de madeira. Meu avô ficou tão sensibilizado com minhas lágrimas que saiu e foi comprar outra. Expliquei para ele que não estava chorando por causa do equipamento de medição e, sim, por achar que o teria magoado, foi ele quem deu o presente. Eu era muito exibido! Ops! Alguém está dizendo que continuo ainda.

Como minha avó era costureira, muitas vezes usei a fita métrica dela para medir o meu grau de “exibido”!

Quando eu jogava futebol de salão em Bela Vista do Paraíso no interior do Paraná, caí e fraturei a rótula. Chorei de dor. O goleiro do time adversário era o “Zé Embica”. De tanta raiva por eu fazer tantos gols, ele começou a me chamar de “florzinha”! Grande FDP… O apelido pegou e durou muito… Até eu namorar a filha do prefeito José Marcelino que era sobrinha dele. Aí ele teve que “me engolir”! Mané!

Bullying sempre existiu!

Já no Colégio Marista Santa Maria de Curitiba, no curso primário, eu dividia com o José Ricardo Araujo, Roberto Motta Cociolli e João Alfredo Arruda os quatro primeiros lugares da sala, mensalmente. Gerava desconforto aos outros “capetinhas”. O Guilherme Guerreiro fazia jus ao nome. Era bem “briguento” e era fortinho mesmo. Tinha cara de mau!

Um vagabundo como eu
Que vivo a vida a procurar
Alguém que siga
Ao meu caminho
E veja tudo como eu…

Se caminhando eu encontrar
Alguém que pensa como eu
Será o fim dessa estrada
E finalmente irei parar…

Um vagabundo como eu
Também merece ser feliz
Pois eu só quero dessa vida
Ter um amor, somente meu…
Assim… Enquanto vemos uma Nova Copa chegar!

Lembramos saudosos de Copas Passadas!

E… Chuto, ainda enxuto, meu Kichute!

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