Berço Esplêndido

Berço Esplêndido

Quando postei a foto de capa desta lavra com a frase, “Estendido em berço esplêndido!”, numa rede social, as reações foram de tristeza e pesar!

“Triste, mas real”.

“Tem disso em todas as cidades, principalmente nas turísticas”.

“Muito triste! Ninguém merece isto. Dói muito”.

E assim por diante…

Seria impotência do ser humano não poder fazer nada para mudar a situação? Seria o egoísmo? O indivíduo estendido na calçada não quer ser atendido pelas entidades humanitárias?

No Brasil, segundo cálculos do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, ligado ao Palácio do Planalto), o número de indigentes do país cresceu de 10,08 milhões, em 2012, para 10,45 milhões em 2013.

Segundo analistas, o aumento de pobreza absoluta é por causa de estagnação econômica e alta inflação nos últimos anos.

Pelo andar da carruagem… A coisa vai piorar ainda mais!

É claro que esse desequilíbrio está em todos os pontos cardeais da crosta terrestre!

Todos os dias, nos deparamos com cenas, até bem piores, como a da foto dessa capa.

Dizer que: “Assim Caminha a Humanidade”… Seria tétrico e de mau gosto! O flagelo humano existe em todos os grandes centros povoados.

Igualmente generalizáveis para todas as grandes metrópoles, acrescentam-se os problemas com a poluição e com as redes de esgoto que se mostram de todo insuficientes para responder a um crescimento exagerado que não se previu e dificilmente, ou nunca, se poderá conter.

Do acúmulo do lixo urbano, a formação do lixo humano é apenas um passo, um curto trecho percorrido pelas classes mais baixas em quase todas as grandes metrópoles.

Dentro deste quadro de “rush” permanente, ruído, lixo, poluição e isolamento, o homem das classes médias em especial (que não conta com os recursos das faixas mais abastadas para afastar-se das grandes metrópoles e não possui a mesma capacidade de luta e resposta das camadas mais baixas) encontra-se asfixiado, acuado e oprimido por uma vivência em ritmo permanentemente acelerado, dentro de um monstro de tecnologia e concreto, cuja realidade e complexidade não são capazes de entender.

Se, em termos clínicos, situássemos os problemas da cidade grande, longe de ser grande cidade, concluiríamos pela existência de uma síndrome, isto é, de um grupo conexo de sintomas.

E certamente iniciaríamos o quadro desta síndrome pelos evidentes sinais de hipertrofia presente neste crescimento vertiginoso, irregular e patológico.

Se de um lado os métodos clínicos empregados pelos urbanistas, nas metrópoles mais antigas, têm-se mostrado de todo insuficientes, as previsões ressalvam algumas esperanças para as cidades mais novas, em fase de crescimento, cujos administradores deverão valer-se dos exemplos deixados pelo velho mundo.

Num questionamento mais astronômico, pergunta-se:

Quanta gente poderia habitar esta nave espacial que chamamos Terra?  Está o mundo urbano evoluindo de forma que permita acreditar que pelo menos quatro bilhões de pessoas poderá habitar nas cidades deste planeta no ano 2010 vivendo razoavelmente?

O que acontecerá com o homem? Com suas instituições políticas e seus traços culturais, num mundo que se urbaniza assim desta forma e tão rapidamente?

Um grupo londrino conhecido por “Archigram” desenhou uma cidade-esteira para unir toda a Europa, na qual os prédios são encaixados nas mais diversas ordens e hierarquias.

Em Israel, Moshe Safdie construiu casas que são como brinquedos de armar e diz que a “arquitetura morreu”.

Nos EUA, Buckminster Fuller levou para prancheta uma cidade-casa, construída sob um domo tetraédrico, para flutuar na baía de Tóquio, com um milhão de pessoas.

Em Atenas, Doxiadis, autor do plano do Rio, nos disse que os homens estão se tornando meio-gente, meio-automóveis.

Em Paris, Candilis nos diz que a megalópole (áreas metropolitanas que se juntaram) é o “casamento da vaca com a chaminé”.

Qual destes gênios poderia definir a solução para os problemas que surgem entre a superpopulação e o meio ambiente?

Para José Pio Martins, economista e reitor da Universidade Positivo:

O governo é o maior responsável pela desigualdade de renda e, para mitigar seus efeitos, executa programas sociais, que são usados pelos governantes para elogiar a si mesmos e atrair votos. Programas sociais são necessários, pois a função do setor privado é ser uma máquina de produzir, cabendo ao governo à função distributiva e social. Mas a questão é que a pobreza se agrava quando o setor público torna-se responsável pela concentração de renda pelas vias da inflação, da tributação e do descuido com a educação.

“O respeito ao produtor de riqueza é o começo da solução da pobreza” é uma frase de Roberto Campos, para quem o governo, não satisfeito em causar pobreza, coloca empecilhos para a solução mais importante. Sem a geração de riqueza, a solução da pobreza é um exercício de distribuição de migalhas.

O RESPEITO AO PRODUTOR DE RIQUEZA É O COMEÇO DA SOLUÇÃO DA POBREZA.

Roberto Campos

Para uns, a culpa está na ganância dos ricos. Outros culpam a falta de solidariedade humana.

José Pio Martins

Deitado eternamente em berço esplêndido,

Ao som do mar e à luz do céu profundo,

 Fulguras, ó Brasil, florão da América,

 Iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

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