Iluminado Canto Encantado

Iluminado Canto Encantado

Assim encerrei uma empreitada deveras complicada. Eu estava vibrando no contra tempo! Não era contra o tempo. É diferente a interpretação e a afirmação. Só fazia “batucada” nos espaços sonoros vazios! Preguei meu quadro na parede e acendi a luminária! Ascendi á um patamar mais elevado. Como já estava sentindo-me no escanteio com tantas tentativas de vibrar no mesmo diapasão do Universo, e não estar conseguindo, fui ao canto da sala e veio-me uma ideia… Uma luz! Por dentro, primeiro… Por fora, depois!

Embora o prumo do quadro estivesse ficado aproximadamente quatro milímetros desequilibrado, decidi que só o aprumaria no final dessa escrita!

Vou tentar explicar as razões dessa empreitada deveras complicada!

Já havia alguns dias que não me vinha absolutamente nada na “cachola” no que diz respeito ao ato de escrever. Nem de cantar… Nem de nada! Só ansiedade e angústia. Vejam que não estou falando da minha canhota e rubra conta bancária! Essa é indigesta.

Subi e desci as escadas da minha casa até dar dor na panturrilha! Fui desenhar uma escada helicoidal.

Desenhando, ocupo-me com o ato criativo e esqueço, um pouco, algumas disritmias da realidade. Ou da atualidade!

Em um determinado momento desse marasmo insólito, ainda sem saber que rumo tomar para aprumar o quadro pregado na sala de estar, atendo a um telefonema da minha mulher no celular.

Amor!… Meu carro parou! Desligou tudo! Nem sinal de luz! E o pior é que não tenho comigo o número do telefone do seguro!

Como já estava chovendo, pensei: Só falta chover pedra!… Choveu!

Estando já na rua, dirigi-me ao local do sinistro! Arrumamos tudo! Não com muita facilidade.

A partir desse acontecido, começamos, eu e minha amada, investigar o porquê de algumas intempéries que nos rodeavam nos últimos dias.

Claro que questões financeiras e econômicas nos incomodavam muito. Mas a coisa era bem mais mística do que material. Saudades!

Ao recebermos o comunicado abaixo, constatamos a causa maior do nosso estado de espírito! Saudades!

O Departamento Religioso da Kehilá do Paraná comunica e convida a comunidade a participar da cerimônia que será realizada neste domingo, dia 23 de fevereiro, às 11:30, no Cemitério Israelita Água Verde Matzeivá de Sabine Wahrhaftig Z”L.

Z “L ou z”l (letras hebraicas: ז”ל) é uma abreviatura para hebraico zichro livracha (זיכרו לברכה) ou livracha zichra (זיכרה לברכה), que pode ser traduzida como seu/sua memória para uma bênção.

Matzeivá. O costume de colocar uma matzeivá, pedra tumular, remonta aos tempos dos nossos patriarcas. É um ato de respeito pelo falecido. Marcando visivelmente o local do sepultamento, asseguramos que os mortos não serão esquecidos, e sua sepultura não será profanada.

A matzeivá pode ser colocada a partir do término da Shivá após um mês ou um ano do falecimento. A tradição judaica recomenda que a lápide seja simples, sem nenhuma ostentação. Simbolicamente, porque a morte é o grande nivelador.

Se havia diferenças em vida, elas são eliminadas na morte. Não há ricos nem pobres. Somos todos iguais, porque nosso destino final é o mesmo.

Saudades! E… Mais Saudades!

Depois de alguns meses, vou colocar a pedrinha que guardei para ela… Em sua lápide!

Os sepultamentos judaicos tendem a ser sempre bastante simples: o corpo, depois de lavado e purificado, deve ser sepultado o mais rapidamente possível, em um caixão simples, enquanto se recitam orações e trechos da Torá e dos Salmos. Uma prática, do entanto, chama a atenção de quem passe por um cemitério judaico. Sobre as lápides, muitas vezes, estão depositadas pequenas pedrinhas, por aqueles que visitaram o túmulo. Fontes: Chabad.org e Pastoral da Cultura.

Antes de voltar ao Iluminado Canto Encantado, com o objetivo de aprumar o quadro na parede e apagar aquela luz artificial da luminária, fiquei lembrando-me de algumas passagens que tivemos com essa minha sogra querida! Bina!

Porém, ela dizia que era Sabine com “e”! Polonesa metida à francesa?

No Shabat, quando ela dizia “Eu sube” (soube), não adiantava mais corrigir. Era sube” e fim de papo. Afinal ela veio da “Polónha”.

Logo depois da Brachá (reza) do vinho, ela começava falar alguma coisa, como relembrar algum acontecido ou simplesmente perguntar algo para alguém, com o objetivo de iniciar às peculiares polêmicas e corriqueiras discussões da ocasião.

“Eu e o Léo brigávamos o tempo todo, mas na cama éramos um só”.

Pronto! Lá vinha a libidinosa atacando outra vez.

Sua libido era caso de deixar Freud ruborizado. Tinha palavras que não se podem escrever aqui.

Outra sexta feira, e recomeçava-se com novas ingerências verbais.

A Renata, minha filha, deixou de ir a alguns Shabats. Para dar um “cutuco”, a Bina disse para ela:

“Você não faz parte do meu tipo” (Claro que a frase correta é parte do meu time).

“Você só pensa em balada e barzinho que tem garções embestiados (garçons abestalhados) pra servir”.

Em seguida, para puxar papo com alguém, contou que estava usando “nebacetina” (Nebacetin) para as feridas no rosto.

Como o resto do pessoal que participava do colóquio shabático começou a conversar entre si, deixando de escutar o que ela dizia, ela perguntou e arrematou:

“Quem pensa ainda ouve? Que ideia de Jericó!” (jerico).

Justificando porque não nos convidou para jantar no restaurante Ile de France:

 “Eu descendo do Rei Leão!”.

Querendo referenciar sua linhagem sagrada, talvez, no Rei Salomão.

Pelo menos rima. Assim, nós mortais, não éramos dignos de frequentar a nobreza.

Quando ela contava que estava no shopping:

“Entrei lá dentro pra comprar um tênis tipo tênis!” (sem tradução), eu e a Sandra resolvemos mudar de assunto. Afinal das contas nós já havíamos percorrido, até aquela data, o equivalente a mais de 18 voltas ao redor da Terra acompanhando a manceba nos shoppings da vida.

Aí eu quis sacanear e perguntei:

 Bina, que diferença faz se for “idiossincrasias dicotômicas ou dicotomias idiossincrásicas?”.

Para não ficar sem resposta ela afirmou com categoria:

 Dicotomia = mau de coto mia.

 Idiossincrasia = sincrasia apenas.

“Articulista é quem escreve artigos”!

“O meu telefone está garimpado”! Serve “grampeado”?

“Vou estourar o balão”! Serve “Vou arrebentar a boca do balão”?

“Um dia eu joguei um prato de sopa na Sheilla… Mas tava morna!”

Narrando histórias sobre fazer os filhos comerem.

Recordando-me dessa peça rara que foi minha sogra, já estava esquecendo-me da empreitada deveras complicada com que me referi no inicio desta lavra.

Sabine teve um sonho. Foi tentada pelo yetzer hara (capeta, diabo). Ele apareceu duas vezes para fazer suas propostas. Na primeira, prometeu joias de ouro, platina, brilhantes e etc…  Para que ela fosse com ele. Ela rejeitou peremptoriamente alegando que isso tudo já possuía. Na segunda tentativa, o chifrudo fez oferta mais abrangente. Segunda ela, foi ofertado “Um pedaço do Paraíso dentro do Inferno”. Não aceitou também e continua vivinha em nossas memórias. Abaixo ela se exibe para o “capeta” dizendo que não precisa de joia nenhuma. Xô satanás!

Voltando ao meu Iluminado Canto Encantado, apagando a luz artificial, ofereço rosas eternas e uma serenata á minha sogra e mãe querida!

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