Sob o Sol

Sob o Sol

Quando o sol sobe num céu azul de anil fosforescente, a luz clareia os olhos da alma. E o calor dos espectros irradiados deixa a superfície dermatológica em bronzes variados. Imerso num mar de esmeraldas brilhantes cujo arco íris reflete as linhas das luminescências divinas! Contraponho-me a ideia de que nadar e morrer na praia possa ser ruim. É bom demais. Morrer na praia é muito melhor que “mais ou menos”. O céu de Brigadeiro corrobora a limpidez do horizonte. A gaivota dialoga com o urubu. Dividem divinamente o pescado esquecido, do barco que singrava em mares mais profundos, nas areias repletas de conchas brilhantes e siris lépidos. Com tantos grãos de areia a ampulheta do tempo conquistou a possibilidade do eterno. A linha do horizonte, que marca o divisor da água e do etéreo, mostra o caminho do infinito. Como os pássaros cantam, não falam, escuto o som de boas-vindas! Até mesmo, ao deitar, antes de adormecer, esses seres alados sibilam “boa noite”.

Não existe pecado do lado de baixo do equador! Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor…

Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho!
Um riacho de amor…

Na semana que antecipou a oficialização de um enlace com 19 anos de belo convívio, eu e minha mulher (noiva então) fomos passar uns dias na casa do meu irmão numa praia. Como vocês podem notar já começo descrever o ambiente da chegada com pitadas de surrealismo. Sim, casar com 62 anos de idade é uma façanha surrealista. Meditando em um local aprazível e harmonizado pela natureza vibrante, ficamos convencidos de que regularizar a situação da relação estável era mais do que um prêmio, outorgado pelo Grande Arquiteto do Universo! O amor permanecia mais forte ainda.

Há quase duas décadas passadas eu encontrei o amor da minha vida. Olhei para a nubente e pensei… Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho!
Um riacho de amor…

Ela sorriu com expressão feliz e aquiesceu!

Assim compartilho a ideia de que nadar e viver na praia é muito bom. É bom demais. Viver e não morrer na praia é muitíssimo melhor que “mais ou menos”.

O astro rei estava sendo o melhor cúmplice daquele momento mágico. Embora nos parecesse surreal.

Fiquei pensando naquela música do Chico Buarque:

Todo dia ela faz tudo sempre igual…
Me sacode às seis horas da manhã…
Me sorri um sorriso pontual…
E me beija com a boca de hortelã…

A verdade é que durante todo tempo que passamos juntos com alguém, muitas vezes deixamos de reparar o cotidiano. Faça Sol ou faça chuva! Mas, certamente, Sob o Sol a luz penetra nosso interior mais profundamente. Principalmente quando se vive abaixo da linha do Equador. Acontece tudo com bom humor e energias positivas.

Não existe pecado…
Do lado, de baixo do Equador…
Vamos fazer um pecado…
Rasgado, suado…
A todo vapor…

Todos os rios correm para o mar e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá se tornam eles a correr. Todas as coisas são canseiras. Tais que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem se enchem os ouvidos de ouvir.

O “ECLESIASTES” E A MESMICE.

 São Paulo, domingo, 1º de janeiro de 1978.

Foi para não ficar na mesmice que resolvemos nos casar! Optamos por fazer borbulhas de amor com os pingos da garoa e com os respingos das ondas do mar!

A paisagem dinâmica, em nossos cérebros, ficou colorida em cada passo dado…

Em cada parada e em cada recomeço da andança!

Chamei Salomão para responder algumas questões… Ele respondeu:

Case com uma grande esposa e o seu casamento será maravilhoso. Existe apenas uma característica à prova de erro em uma grande esposa, que as mulheres deveriam adquirir e os homens exigir. Beleza ou favores não tem valor aqui. Sem esta característica ela decepcionará e causará tristeza.

A escolha de uma esposa é crucial. A diferença entre a esposa virtuosa e odiosa é enorme. Uma delas será como uma coroa para você diante dos outros; a outra o matará por dentro, e os outros saberão a dor que você suporta.

Assim optei por casar com a mulher que apareceu em meus sonhos. Minha “alma gêmea”.

Sob o Sol!

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu, e o dia amanheceu em paz…
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar!

Obrigado Meu Amor

Por ter me escolhido Sob o Sol!

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