PATRIMÔNIO CULTURAL

PATRIMÔNIO CULTURAL

Quando tive o privilégio de chefiar a Coordenadoria do Patrimônio Cultural da Secretaria de Estado da Cultura em 1988, fizemos a cultura paranaense passar por bons momentos. Não por mim, mas pelo competente Secretário Dr. René Ariel Dotti e o excelente Governador Alvaro Dias.

Secretário René Ariel Dotti – Coordenador do Patrimônio Cultural Marco Alzamora – Reunião do Conselho Estadual de Cultura – 1988

Nesta ocasião tive o privilégio de criar uma equipe interdisciplinar para rever a Lei de Tombamento que já se encontrava retrógrada e ultrapassada havia anos passados. Entre várias ações analisamos os ícones estaduais (Bandeira do Paraná e Brasão). Para Bandeira, enviamos a Londres o Professor Ferrarini com objetivo de analisar o mapa celeste na data de institucionalização do Estado. Dever-se-ia fazer correção nas estrelas da bandeira. Em heráldica, o Brasão não representava a fidalguia, pois a figura humana estava com a face voltada para a esquerda, enquanto deveria estar voltada para direita. A foice também foi polemizada.

Como Responsável Técnico, inerente ao cargo ocupado, fizemos a maior quantidade de restauros nos bens do Patrimônio Histórico e Artístico e demos ênfase especial ao Patrimônio Natural.

Restauramos a Sede da Secretaria com prospecções nas paredes que escondiam antigas pinturas; o Museu de Arte Contemporânea; Museu Alfredo Andersen; Sala Bento Mossurunga; Sala Miguel Bakun; Auditório Brasílio Itiberê. Lapa e Paranaguá, também foram objetos das atenções aos bens tombados.

Paranaguá – Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas.

A Curadoria do Patrimônio Natural, pilotada pelo iconográfico “Vitamina”, querido amigo Henrique Schmidlin que tinha na alma e no sangue a vocação divina da empatia com a natureza, também foi contemplada com carinho por todos nós.

O José La Pastina Filho, Superintendente Estadual – IPHAN-PR, INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL, igualmente foi um grande parceiro nas empreitadas preservativas da cultura.

Tudo é fascinante.

“O Patrimônio Cultural de uma nação, de uma região ou de uma comunidade é composto de todas as expressões materiais e espirituais que lhe constituem, incluindo o meio ambiente natural”. (Declaração de Caracas – 1992).

Extraído do Programa de Pós Graduação Profissionalizante em Patrimônio Cultural:

“O conceito de Patrimônio não existe isolado”. Só existe em relação a alguma coisa. Podemos dizer que Patrimônio é o conjunto de bens materiais e/ou imateriais que contam a história de um povo e sua relação com o meio ambiente. É o legado que herdamos do passado e que transmitimos a gerações futuras.

“O Patrimônio pode ser classificado em Histórico, Cultural e Ambiental”.

Quando morei na Europa, esbarrava o tempo todo nas reminiscências do passado histórico e artístico. De Firenze a Venezia, o antigo retumba na superfície.

Foto Marco Alzamora

O Patrimônio Natural lá, também é bem cuidado.

O Rio Aare que passa em Berna tem PH O (zero).

Foto Marco Alzamora

Lá, escrevi sobre as questões relativas aos restauros. Não concordando com alguns pontos praticados no Brasil.

Num momento em que o Conselho Estadual de Cultura se reuniu para avaliar os fatores determinantes da proposta de tombamento da Praça do Batel, há que se observarem os cânones do objetivo e do subjetivo. Como escreveu o colunista Celso Nascimento, para haver o tombamento se deve resgatar a forma original do objeto em questão. Resgate pelo restauro pode se tornar apenas arremedo. Originalmente existia uma rua, ali mesmo onde se queria abrir. Hoje, aberta!

A incipiente industrialização e pré-capitalismo dos meados do século XIX, na Alemanha e na Inglaterra, foram o pano de fundo para a vida e atuação de Karl Marx, nascido em Trier.

Cidade mais antiga da Alemanha, Trier tem mais de dois mil anos. Em nenhum lugar o passado romano está tão presente. Situada às margens do Mosela, oferece bons vinhos e muitas atrações. A casa onde nasceu Karl Marx é hoje um museu sobre o fundador do comunismo e o movimento operário. Fundada pelos romanos no ano 16 antes de Cristo como Augusta Treverorum, Trier é a cidade mais antiga da Alemanha. Como foi residência imperial e a capital do Império Romano do Ocidente no final do século 3º, chegou a ser considerada a “segunda Roma”.

Seis imperadores residiram na cidade, que no século 4º já tinha 80 mil habitantes.

Fonte DW Cidades & Roteiros

Porta Nigra data do século 2º D.C.

Como “filósofo da prática“ e criador do socialismo científico, influenciou decisivamente o desenvolvimento internacional político e social dos últimos 150 anos. Como aconteceu com todos os teóricos contemporâneos, seu pensamento foi marcado pela análise idealista de Hegel, que ele se propôs a enfocar do ponto de vista materialista e a tirar do campo teórico para passá-la á realidade. Karl Marx foi influenciado pelos pré-socialistas franceses, pela filosofia materialista e pelas teorias dos economistas britânicos.

Martin Hengel (14 de dezembro de 1926 – 2 de julho de 2009) teólogo e historiador alemão, que estudou o Segundo Templo.

Modelo do Templo de Herodes – Fonte Wikipédia

Em 1848, juntamente com Friedrich Engels, Karl Marx publicou o “Manifesto Comunista”. Em 1867, publicou em Londres, no exílio, o primeiro volume do que viria a ser sua obra mais importante, “O Capital”, uma análise e crítica do capitalismo. Trier, fundada pelos romanos em XVI A.C., é a cidade mais antiga daquela região. Ela conta com numerosos monumentos históricos em bom estado de conservação e foi declarado pela UNESCO Patrimônio Cultural da Humanidade.

Friedrich Engels (Barmen, 28 de novembro de 1820 — Londres, 5 de agosto de 1895) foi um teórico revolucionário alemão que junto com Karl Marx fundou o chamado socialismo científico ou marxismo. Ele foi coautor de diversas obras com Marx, sendo que a mais conhecida é o Manifesto Comunista. Também ajudou a publicar, após a morte de Marx, os dois últimos volumes de O Capital, principal obra de seu amigo e colaborador.

Grande companheiro de Karl Marx escreveu livros de profunda análise social. Entre dezembro de 1847 a janeiro de 1848, junto com Marx, escreve o Manifesto do Partido Comunista, onde faz uma breve apresentação de uma nova concepção de história, afirmando que:

“A história da humanidade é a história da luta de classes.”

Lá não há arremedo do passado na vã intenção de preservá-lo. Em toda Europa, desde os tempos mais remotos, berço da cultura e da civilização, o patrimônio nosso, da humanidade, é cultuado com respeito e sem “arremedamento”. O que foi a duzentos anos, trezentos ou sei lá quantos “entos” antes, não tem que ser copiado “capengamente”. Restauro… Sim!

Em Berlim, o contraste da arquitetura entre o velho e o novo valoriza tanto um quanto o outro.

Berlim

Enfim, a Praça do Batel em Curitiba, agora com o “Quarto Templo de Salomão” (Grande shopping ali instalado) ficaria linda apenas com a revitalização do espaço urbano. Embora com trânsito meio caótico!

Com a obra do projeto de Oscar Niemeyer, Curitiba continua com os olhos atentos para o PATRIMÔNIO CULTURAL!

Ora mais… Ora menos!

Acho que tanto Marx quanto Engels concordam com Darwin:

“Cada macaco no seu galho”!

Aquela banda que tocava no coreto daquela praça deixa na memória e na lembrança o conjunto de bens materiais e/ou imateriais que contam a história de um povo e sua relação com o meio ambiente. É o legado que herdamos do passado e que transmitimos às gerações futuras.

Vamos continuar “praceando”!

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