Procurando… Einstein!

Procurando… Einstein!

“A Pedra”

Quando fui morar em Berna, capital da Confederação Helvética, Suíça, passava quase todos os dias na rua onde morou Albert Einstein.

Do alto da Catedral de Berna, fotografei a rua onde ele desenvolveu a Teoria da Relatividade. É a Kramgasse 49.

Eu já costumava tirar uma pedrinha do bolso para obter alguma ideia criativa. Ali onde o gênio viveu eu respirava o mesmo ar e sentia a presença da genialidade impregnada nas paredes, nos pisos, nos tetos… Nas eternas curvas do universo.

Google Earth – Kramgasse 49 – Morada de Einstein

O Jogo de telhados agasalhou a teoria da relatividade.

Pensando estar conversando com Albert, senti que ele estava me falando: “Marco, continue andando até encontrar uma pedrinha, guarde em seu bolso e retire vez ou outra, para ativar o senso de criatividade”. “Nunca deixe de escutar música, você vai gostar de – Mansamente pastam as ovelhas – de Bach”.

Bom, certamente irei encontrar ovelhas pela caminhada sugerida. Nesta terra onde passou Maurits Cornelis Escher e Sir Charles Spencer Chaplin, não tenho dúvidas quanto ao ambiente ser propício para criatividade.

Com Escher, fiquei pensando por onde começar a caminhada. Não sabia se subia… Ou se descia…

Só existiam “malucos” nessa cidade?

Google – O MUNDO MÁGICO DE ESCHER

Tentei ver se conseguia desenhar a mim mesmo… Tentando imitar o mago do desenho…

Olhei a bola de cristal e vi que era só ele mesmo a conseguir tal façanha…

Google – Imagem

Com Charles Chaplin, comecei aprender a sonhar e rascunhar…

Botei o pé na estrada outra vez… Sem dó dos calos!

… E sem bengalas!

Saindo da rua onde Einstein viveu, fui “curtir” um churrasquinho na laje dos Gauer.

Jean-Jacques e Emeline Gauer com algum alemão ao lado falando com o cachorrinho abaixo à esquerda.

Proprietários do Scweizerhof Bern – GAUERGHOTEL, onde fiz minha exposição de desenhos como já divulguei em artigo anterior.

Hoje eles aumentaram a rede hoteleira e investimentos. LAUSANNE PALACE & SPA.

Situado no coração de Lausanne com vista para o lago de Genéve e para os Alpes.

O casal não deixou de ser meu MECENAS também, como citei no artigo “MECENATO”. Bancaram toda exposição e os nobres convites às personalidades como Roman Polanski e Elizabeth Taylor, hospedes tradicionais. Como retribuição e gentileza de minha parte, fiz o portrait da Emeline sem cobrar um tostão sequer… Kkk

Retrato – Emeline Gauer – Bern 83 – Marco Alzamora

Jean-Jacques gostava de contar piadas. Eram sempre as mesmas.

-Marco, você conhece aquela do Belga que foi comprar carne? (Os franceses, suíços, italianos e, quem sabe, toda Europa estão para os belgas como o Brasil está para Portugal). Os Belgas lá são os portugueses cá!

-Não Jean-Jacques, qual?

-O belga era sempre chacoteado pelos parisienses. Com a devida fama de “sonsidade”. Cansado das chacotas foi passar um ano em Paris para se tornar um verdadeiro francês. Fez curso de dicção, mandou confeccionar terno com corte de alfaiate famoso, estudou gestual e passou a pensar (segundo ele) como um verdadeiro parisiense.

Quando foi comprar carne, entrou direto para o balcão de um estabelecimento comercial e pediu um quilo de carne.

Imediatamente o balconista olhou para ele e perguntou: “O senhor é belga né”?

O belga ficou estupefato e retrucou: Como assim? Não estou falando como um verdadeiro francês?

Sim, respondeu o interlocutor.

Não estou vestido como um verdadeiro parisiense?

Sim respondeu o vendedor.

Então, como sabe que sou belga?

Meu caro senhor, com o devido respeito, aqui não é um açougue… É uma SAPATARIA!

A outra é mais velha e manjada. Para fazer amor, falamos em italiano. Para fazer negócios falamos em Inglês. Para sermos gentis falamos em francês e com nosso cachorro falamos em Alemão! Platz… Platz!

Quando me mudei para a periferia de Berna, Kirchlindach, uns 4 km do centro da capital, passeava num bosque lindo a 18º negativos. Parecia filme do Walt Disney. Esquilos pulando de galho em galho e desprendendo flocos de neve que brilhavam como diamantes suspensórios aéreos. Era o cenário de desenho animado. Carneirinhos deixando a grama bem podada.

Vista do fundo do quintal da casa que me hospedei em Kirchlindach.

Nos finais de semana, como ninguém é de ferro, ia até Gstaad raspar a bunda na neve como exímio esquiador. Dois metros e meio era o percurso máximo que eu conseguia ficar em pé. Ficava hospedado num chalé de uma amiga vizinha do Ivo Pitangui.

Chalés onde os vinhos eram colocados no lado de fora das janelas para ficarem na temperatura ambiente. “Casinha” do Ivo Pitangui na 1ª foto.

Fotos – Marco Alzamora

Por enquanto só tinha achado pedrinhas de gelo e neve…

Como eu precisava comer, fui ao alto da estação de inverno fingindo que era um vero italiano.

Gstaad

Mangia… Mangia… Che cosa ti fa bene…

Ainda procurando a pedrinha de Einstein, escutando Johann Sebastian Bach… Franz Peter Schubert e lembrando-me de Maurits Cornelis Escher e Sir Charles Spencer Chaplin, eu fui caminhando…

Indo de um lado para o outro, a caminho de Liechtenstein, fiquei uma semana numa fazenda em Lucerna, precisamente em Ruswil, onde em troca de hospedagem e tortas schartswald (floresta negra), feitas com chocolates nacionais, eu pintei um mural na parede que separava o estacionamento do casarão e o chiqueiro. Chiqueiro com assepsia. Tudo em aço inoxidável e brilhando de tão limpo.

Painel em Hüswil – Zell – Schweizerland – Marco Alzamora

Após ter visto muita Ferrari e Rolls-Royce no Principado de Liechtenstein:

Fui passear pelas rodovias vicinais degustando o cardápio regional e assistindo aos passeios do Clube do Rolls-Royce formado por cidadãos da classe média proprietários dos mais variados modelos e anos de fabricação. É mais ou menos como o Club dos Opalas em Astorga, no interior do Paraná! Brincadeirinha!

Foto – Marco Alzamora

Paisagem vista da estradinha onde os Rolls-Royce desfilam.

Fotos Marco Alzamora

Aqui ficou clara a observação que o mundo todo faz: “Os suíços varrem a paisagem”!

Ao lado da casa maior, é habito e costume, se construir uma casinha menor que se chama stöckli, para acomodar os filhos quando se casam. Eles ficam por um tempo morando ali. Cada um com seus “pobrema” né?

Quando eu falava que estava morando na Suíça, os italianos diziam que eu era velho e acomodado. Que país sem graça e sem sal! Tudo é muito certinho e o ônibus para no ponto às 11h22min: 33seg e milésimos escambau!

Aí, “piquei a mula” da Suíça e fui jogar francos suíços na Fontana. A esperança era a de conseguir todos os meus desideratos. Da Itália fui para a Grécia e da Grécia para o então recentemente institucionalizado o novo Estado do Tocantins. Antropologia perde! Lá, no norte velho de Goiás, passei a “grunhir”: Fui fazer churrasco e uma gambira de baixo dum pé de manguba! Mas isso é papo para outra hora.

Enchi de moedinhas o meu bolso e de esperanças… Minha cabeça! Ops…

Enchi de pedrinhas o meu bolso e de esperanças…

Procurando Einstein! “A pedra”

Ainda procurando a pedrinha de Einstein, escutando Johann Sebastian Bach… Franz Peter Schubert e lembrando-me de Maurits Cornelis Escher e Sir Charles Spencer Chaplin, eu fui caminhando…

Caminhando… Encontrei David carregando uma “pedrinha”! Quase voltei a Berna para falar com Albert… Ele não havia me contado sobre Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni!

Na viagem quase sem retorno, eu fui até a Bologna…

Quebrar algum galho não substitui procurar pedrinhas de criatividade…

Corri para Veneza atrás de Einstein…

Fiquei com… Beethoven – 9ª Sinfonia – Ode a Alegria…

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