Ufa! Era só… Um sonho…

Ufa!

Era só…

Um sonho…

Demorei a dormir naquela noite. Estava com o ventilador ligado para amenizar o calor. Ensopado. Sentia-me como num banhado de ouro. Meu carro de ouro estava sendo rebocado. Antes de comprar essa joia, feita do metal mais precioso do mundo, eu morava numa cidadezinha atrasada do Golfo Pérsico. Mas já era bilionário. Possuía alguns bilhões de dólares. E não pagava imposto de renda. “Nem nos seus dias de maior fastígio os Rocke-fellers, os Morgans e os príncipes indianos conheceram fortuna que remotamente se comparasse à desse potentado”. (Edwin Muller).

A cidade ficava num país com uma área de 15.500 quilômetros quadrados (pouco mais da metade de Sergipe). Única, circundada pelo Golfo e pelas areias do deserto.

Acordei espantado, suado e ensopado. Gritei! Esse cara não sou eu! O do sonho… É claro!

O nome dele era Abdullah as-Salim as-Subah, e o lugar ainda é o Kuwait. Segundo a matéria de Edwin Muller, “O Creso do século vinte”, publicada na Revista Seleções do Reader’s Digest de setembro de 1952, que eu havia lido antes de pegar no sono, o xeque era proprietário pessoal e incontestável de muitos bilhões de dólares.

Relatando a eterna problemática existente na infinita distância entre os ricos e poderosos de uma nação e o povo pobre e desatendido, o autor salienta fatos que perduram até os dias de hoje em grande parte da superfície terrestre.

Encerrando sua belíssima matéria, Edwin Muller escreve:

Alguém já sugeriu que o soberano de Kuwait destinasse a maior parte de sua fabulosa renda à criação de um fundo para o desenvolvimento, em plano único, de todos os Estados Árabes do Oriente Próximo. Poderia haver contribuições para esse fundo por parte da Arábia Saudita e do Iraque, bem como pelas companhias petrolíferas estrangeiras, que estariam invertendo capital na estabilidade da Ásia Menor.

A administração de semelhante fundo envolveria dificuldades imensas, principalmente em virtude da falta de unidade existente entre os povos árabes. Os árabes tem um velho provérbio: “Nós, os árabes, apenas concordamos em discordar”. E, contudo, eles têm língua e religião comuns. Um plano econômico comum talvez conseguisse unificá-los. A iniciativa na elaboração desse plano só poderá partir de alguém dotado de grande clarividência. Talvez Abdullah as-Salim as-Subah, o homem mais rico do mundo, também venha a revelar-se um dos mais esclarecidos.

Google- intertwined infosys building Kuwait cobra tower.

É… Não escutaram Abdullah as-Salim as-Subah!

Google – Imagem- Invasão do Iraque no Kuwait.

Só para justificar o título “O Creso do século vinte”:

Creso foi o último rei da Lídia, da Dinastia Mermnada, (560–546 A.E.C.), filho e sucessor de Aliates que morreu em (560 A.E.C.). Submeteu as principais cidades da Anatólia (salvo a cidade de Mileto). Creso fora famoso pela sua riqueza, a qual foi atribuída à exploração das areias auríferas do Pactolo, rio afluente do Hermo onde, segundo a lenda, se banhara o Rei Midas (que transformava em ouro tudo o que tocava). Mandou construir o Templo de Artemis.

Ainda tentando entender o que estava acontecendo entre o sonho e a realidade, me encontrei aqui, neste Brasil varonil. Petróleo, ouro, gente rica, povo pobre… Embora a propaganda dos governos induza a uma imagem de melhora para as massas.

Ah! Se meu fusca de ouro falasse…

Google – Volkswagen Beetle in gold. Carro de Ouro

O petróleo brasileiro começou a jorrar.

O monopólio estatal do petróleo foi instituído no Brasil em 1953, pela Lei Nº 2004, que estabeleceu o monopólio da União na exploração, produção, refino e transporte do petróleo e criou a Petrobras para exercê-lo. Para defender a tese do monopólio estatal do petróleo organizaram um grande movimento popular, que ficou conhecido como a campanha “O petróleo é nosso”. A mobilização conseguiu impedir a tramitação do Anteprojeto do Estatuto do Petróleo no Congresso Nacional e muito contribuiu para a aprovação, em 1953, da referida Lei. Wikipédia, a enciclopédia livre.  Oscar Cordeiro abaixo:

Google – 1938. Criação do Conselho Nacional de Petróleo

Oscar Cordeiro, pioneiro da exploração do petróleo no Brasil, diante do poço de Lobato, na Bahia, nos anos 30.

Oscar Cordeiro não foi, certamente, o “O Creso do século vinte”.

Na década de 1930, a questão da nacionalização dos recursos do subsolo entra na pauta das discussões. Em 1938, toda a atividade petrolífera passa, por lei, a ser obrigatoriamente realizada por brasileiros. É criado o Conselho Nacional do Petróleo (CNP), que avalia pedidos de pesquisa e lavra de jazidas de petróleo. Em 1938, é iniciada, sob a jurisdição do recém-criado CNP, a perfuração do poço DNPM-163, em Lobato, na Bahia.

Blog do Planalto – Primeira Descoberta de Petróleo no Brasil.

Blog do Planalto – Plataforma elevatória P-1, primeira plataforma móvel de perfuração da Petrobras construída nos anos de 1967 e 1968.

Hoje… Maior feirão da história e do País: Petrobras coloca à venda parte do patrimônio no exterior…

A ausência de critério, segundo executivos da Petrobras, aparece também na parte mais valiosa do feirão: as operações da estatal na África. Cálculos do mercado e da Petrobras estimam o patrimônio no continente num patamar entre US$ 5 bilhões e US$ 8 bilhões. A Petrobras produz e explora petróleo em Angola, Benin, Gabão, Líbia, Namíbia, Nigéria e Tanzânia. De 2003 a 2010, investiu cerca de US$ 4 bilhões na África. (brasil agro – INFORMAÇÃO PARA TER OPINIÃO).

Os governos podem tornar “SECRETOS”, documentos de sua administração? Perguntar não ofende: São “secretos” os documentos relativos a financiamentos do governo brasileiro para Cuba e Angola, dois países socialistas. Pior ainda, a Angola é um dos países mais corruptos do mundo! Esses financiamentos do Brasil aos governos da Angola e de Cuba só poderão ser conhecidos os seus conteúdos a partir de 2027? O que é isso minha gente? Sacanagem explicita? O BNDES desembolsou, somente no ano passado, US$ 875 milhões em operações de financiamento à exportação de bens e serviços de empresas brasileiras para Cuba e Angola.

O que está por trás disso tudo?

Hoje o buraco é mais embaixo. Tem até pré-sal. Sem “O Creso do século vinte”.

Eliezer Batista da Silva – Google Imagem

Seria esse mineirinho de Nova Era, Minas Gerais, “O Creso do século vinte” brasileiro?

Essa sumidade diplomou-se pela Escola de Engenharia da Universidade do Paraná, em 1948.  Engenheiro ferroviário, em 1949 foi contratado pela Vale do Rio Doce – então uma empresa inexpressiva – e tornou-se seu primeiro presidente oriundo dos quadros da empresa, tendo assumido sua presidência em 1961. Coube a Eliezer Batista transformar a mineradora em uma das maiores companhias do planeta, presidindo-a de 1961 a 1964 e de 1979 a 1986.  Poliglota autodidata aprendeu sozinho russo, inglês, alemão, francês, italiano e espanhol, e adquiriu noções básicas de grego.

Sua fortuna foi transferida em herança para seu filho Eike Fuhrken Batista, que é um empresário brasileiro com atuação em diversos setores, em especial petróleo, logística, energia, mineração, indústria naval e carvão mineral. Que também está usando a roupagem “laranja” da Petrobras…

Google – Imagem

Frase de Lula…

Luiz Inácio Lula da Silva:

Eu jamais, jamais, deixarei de andar de cabeça erguida diante do povo brasileiro… Porque irei dormir todo santo dia com a consciência tranquila de que cumpri o meu dever.

A soma e o resto: um olhar sobre a vida aos 80 anos – Fernando Henrique Cardoso:

Mesmo em termos subjetivos, a ideia de felicidade, eu nunca busquei com denodo a felicidade pessoal.

Eu a tive de alguma forma, nunca me senti infeliz. Eu me dediquei muito mais a ver a situação dos outros.

De uma maneira modesta, sem proclamar.

Mas levei a vida inteira pensando no mundo, pensando na sociedade, pensando nas pessoas, nos outros.

O sentido que dei à minha vida foi construir isso.

Qual dos dois teria o perfil de “O Creso do século vinte”?

Talvez Abdullah as-Salim as-Subah, que foi o homem mais rico do mundo em épocas passadas, possa ter deixado algum legado aos mais esclarecidos de hoje.

Diante de tantas incertezas, os ímpetos de voltar para cama e dormir são muito grandes. Lá, no meu sonho, eu pensava ser proprietário de um carro de ouro. Pouco me importava se estava sendo rebocado… Compraria um novo só para não ter o trabalho de retirá-lo de algum depósito de veículos. Até já escolhi a marca e o modelo.

Em meu onirismo não pagava imposto… Nem precisava ser isento… Dinheiro era como petróleo. Fluía nos dedos de todos. E o salário… Ufa! Era só… Um sonho…

Google – Imagem

 Já que no Kuwait é petróleo… No Brasil vai o que?

O calhambeque escolhido para embalar os meus sonhos, também já foi definido…

Sem o menor problema com gastos de gasolina…

Mandei minha Ferrari…

Pro mecânico outro dia…

Pois há muito tempo um conserto ela pedia…

Como vou viver sem meu carango pra correr…

Minha Ferrari, bip, bip…

Quero consertar minha Ferrari…

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