Ando devagar… Tocando em frente!

Ando devagar… Tocando em frente!

Fazendo da caminhada uma linda fantasia, o lema de Walter Elias Disney sempre foi “Keep moving forward” (“Continue seguindo em frente”).

Em um momento difícil em que o mundo está vivenciando terrores e desequilíbrios em todos os pontos cardeais, eu fiquei cá com meus botões a imaginar sobre andar depressa ou devagar. Correr pra que? Embora tenha nascido em Curitiba, capital do Paraná, a cidade era pacata e não se via a correria que as grandes metrópoles apresentam hoje, quando ultrapassam um milhão de habitantes. Predestinado a ser nômade e tendo em vista a profissão do meu pai, que seguiu a carreira jurídica como magistrado, nós sempre mudamos de cidade em cidade nas várias promoções do judiciário. Vivi a tranquilidade do interior, passando por pequenos lugares cujas características eram quase rurais. Não havia pressa no dia a dia. No interior do Paraná foram os municípios de Reserva, Marechal Mallet, Bela Vista do Paraíso, Rolândia e Londrina além da capital Curitiba. Já na idade adulta, passei a correr de um lado para o outro sem parar. Mudando para Minas Gerais, fui estudar o curso científico em Belo Horizonte. Uai sô!

Minha vida era um laboratório de antropologia.

Na época do vestibular, percorri o Brasil para tentar uma vaga em alguma universidade.

Prestei exame em Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, Mogi das Cruzes e consegui o desiderato em Barra do Piraí, no Estado do Rio de Janeiro.

Fiz o primeiro ano de arquitetura e Urbanismo lá e transferi-me para a Universidade Federal de Minas Gerais em BH. Uai sô! De novo! Foram mais quatro anos e mudei-me outra vez para receber a graduação e o diploma na Universidade Federal do Paraná em minha cidade natal, Curitiba.

Imediatamente transferi-me para Salvador na Bahia. Lá, corri atrás de mais de 18 cursos de extensão universitária. Fui morar na Europa. Grenoble, na França, foi à cidade que ancorei no princípio.

 Era uma pós-graduação onde fiquei hospedado na casa do meu diretor de tese, o famoso artista plástico e arquiteto Sérgio Ferro.

Joguei a tese para o espaço e mudei-me para Berna, capital da Suíça. Mas não sosseguei o “pito” lá. Viajei pela França toda e pela Confederação Helvética também.

Com cara de italiano eu ia comer macarrão com fritas em Gstaad todo final de semana. Raspava o traseiro na neve quando tentava esquiar. Ficava hospedado em um chalé vizinho ao do Ivo Pitangui! Conheci Jiddu Krishnamurti, filósofo, escritor, e educador indiano. Proferiu discursos que envolveram temas como revolução psicológica, meditação, conhecimento, liberdade, relações humanas, a natureza da mente, a origem do pensamento e a realização de mudanças positivas na sociedade global. Para manter sua energia sem interferência, por onde andava havia sempre um cordão de isolamento com 4 metros de distância.

Fui á Paris e quase tive o ímpeto de ficar morando lá.

Bom, como ao sair do Brasil eu havia comprado a passagem até a Grécia… Não demorou muito e desembarquei em Atenas. Aluguei um carro e fui parar no extremo noroeste grego, Corfu. Nada mal!

Ao chegar à ilha grega fui recepcionado por esse indivíduo desconfiado… Com olhos de âmbar!

Ando devagar… Tocando em frente!

Corfu ou Córcira é uma ilha grega do mar Jônico situada na costa da Albânia, de que é separada por estreitos variando em comprimento de 3 a 23 km, incluindo um perto de Butrint e outro perto de Tesprócia. Saí de lá “esturricado” do sol grego e fui encontrar uns amigos cuja família morava em Ostuni, entre Brindisi e Bari na Itália. Ostuni é uma comuna italiana da região da Puglia, província de Brindisi, com cerca de 30 mil habitantes.

Ostuni. Cidade caiada! Toda pintada de branco.

Fui muito bem recebido pela família anfitriã!

Já com a perna fina de tanto andar devagar, peguei um trem de Brindisi até Roma. Joguei moedinhas na Fontana di Trevi.

Viajei pela Itália quase toda. Outro trem de Roma á Paris.

Morei às margens do Rio Marne e apreciei muito por do sol no Rio Sena.

Voltei á Berna.

Tudo andando devagar e tocando em frente.

Vi a água de um rio sinuoso passar, ora apressado, ora devagar.

Vi os telhados da rua onde Albert Einstein morou.

Sem esquentar muito a poltrona, fui para o Principado de Mônaco, onde meu bisavô nasceu. Pensei… Porque ele tinha que sair daqui?

Aprendi semiótica arquitetônica apreciando a paisagem em Nice, na Côte d’Azur.

Morei em Porto Seguro na Bahia e desenhei minha caminhada por lá também.

No Tocantins, coloquei os pés exatamente no dia da institucionalização do Estado. Projetei e construí muitas obras. Até o calor não era muito problema.

Agora… Passando por Milano na Itália!

Com frio e com meu amor…

Estamos indo morar definitivamente em Israel…

Desde de Tel Aviv…

Até ao Mar Morto!

Aguardo os amigos e parentes para um grande abraço!

Conclui que Depois desse chimarrão…

Nunca mais parei…

Cada um de nós compõe a sua história… Daí eu chamei Almir Sater e Renato Teixeira pra ilustrar em verso, prosa e música esta caminhada:

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada sei
Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs
É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente…

Abraços fraternos!

2 respostas para “Ando devagar… Tocando em frente!”

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