Purificação

Purificação

“Deixe que um banho de luz limpe seus pensamentos, sentimentos e ações. Lave o drama que encobre sua natureza primordial”.

Estava escrito em um bilhetinho que retirei do recipiente que minha mãe levou em uma reunião de família. Era Natal. Até agora não sei como devo proceder. Como deixar que um banho de luz limpasse algo? Eu até deixo sim, mas onde está essa luz? Ela vem de dentro de mim ou vem de fora? Ou de ambas as fontes? Quando essa luz aparece? Em momentos de dúvidas, surgem todos os tipos de interrogações!

A luz da lua cheia? Do sol a pino? Das estrelas?

Dos reflexos em prismas das gotas e das lágrimas? Qual banho e qual luz? Qual é a minha natureza primordial?

Bom, vamos por etapas. Ou por partes, como diria Jack, the Ripper ou Jack, o Estripador! Brincadeiras à parte. Vamos definir algumas coisas sobre purificação. Purificação é o ato de tornar puro.  Diz respeito a ações que o homem pode fazer para tornar-se puro.

É fato que toda religião possui um sistema de crenças no sobrenatural, geralmente envolvendo divindades ou deuses.

Pesquisando na Wikipédia, a enciclopédia livre, encontrei: “As religiões costumam também possuir relatos sobre a origem do Universo, da Terra e do Homem, e o que acontece após a morte. Existe uma tendência de colocar o homem em um patamar intermediário. Então são criadas diversas formas de purificação, para fazê-lo acender de posição, ou pelo menos não permitir que decaia mais”.

No Judaísmo, Mikvá é o nome dado ao “batismo ritual” utilizado para as cerimônias de purificação. Geralmente é utilizado para purificação da mulher após a menstruação e o nascimento de um filho, e também é requerido do convertido ao judaísmo.

Já no Cristianismo, existe o Batismo, Reconciliação ou Penitência e Unção dos enfermos. Batismo é um rito de passagem, feito normalmente com água sobre o iniciado através da imersão, efusão ou aspersão. Perdoando automaticamente o fiel de qualquer pecado cometido anteriormente. Reconciliar é a confissão dos pecados a um sacerdote, que aplica a penitência para, uma vez cumprida, propiciar a reconciliação com Cristo.  Por outras palavras, é o sacramento que dá ao cristão católico a oportunidade de reconhecer as suas faltas e, se delas estiver arrependido, ser perdoado por Deus. Enfim, a Unção dos enfermos é o sacramento pelo qual o sacerdote reza e unge os enfermos para estimular-lhes a cura mediante a fé, ouve deles os arrependimentos e promove-lhes o perdão.

Para o Espiritismo as pessoas são purificadas pelo processo de reencarnação. Os homens reencarnam porque é da Lei de Progresso que exista o aperfeiçoamento constante. Mas chega um dia em que não mais é preciso encarnar – é quando o Espírito atingiu o cume da evolução, quando não precisa mais da matéria para evoluir. Ele chegou então à condição de Espírito puro, ou seja, depurado das imperfeições que nos caracterizam até atingirmos esse nível evolutivo. Mas, até que se torne Espírito puro, a criatura humana precisa da matéria para aprender e adquirir os valores intelectuais e morais que se incorporarão ao ser imortal.

Como o Espírito não consegue aprender tudo o que é necessário para tornar-se um Espírito puro em uma única encarnação, ele recebe de Deus a graça de continuar em outras vidas o que apenas começou na primeira.

Daí serem necessárias muitas e muitas encarnações para terminar o aprendizado.

Enquanto isso, eu fico cá com meus botões a pensar onde está a luz que deve banhar-me.

A Luz… Ela vem de dentro de mim ou vem de fora?

Ou de ambas as fontes?

Quando essa luz aparece?

A Purificação seria pelo Fogo ou pela Água? Talvez pelo Ar ou pela Terra? Por quais dos quatro elementos? A Natureza Primordial está onde?

No Budismo Tibetano encontrei uma afirmação interessante:

“Cem coisas podem ser explicadas e milhares, ditas, mas apenas uma coisa você deve compreender. Saiba uma coisa e tudo está liberado! Permaneça dentro de sua natureza interna, seu estado desperto”.

Entendeu ou quer que eu desenhe?

É… Minha gente, a coisa não é tão simples.

A Purificação é um processo dolorido. Como forjar o fio da espada ou lapidar a pedra bruta!

“… Lave o drama que encobre sua natureza primordial” teria alguma relação com o famoso “Pecado Original”? Estou eu, de novo, fazendo interrogações? Vou arriscar afirmando que sim!

Acho que Adão não deveria ter comido a maçã… Nem a Eva! Segundo a doutrina, os primeiros seres humanos e antepassados da humanidade, Adão e Eva, foram advertidos por Deus de que, se comessem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, certamente morreriam. No entanto, instigados pela serpente, ambos comeram o fruto proibido, tendo Eva cedido, primeiramente, à tentação e posteriormente oferecido o fruto a Adão, que o aceitou. Ambos continuaram vivos, mas foram expulsos do Jardim do Éden. Quando estive na Capela Sistina, fiquei hipnotizado por alguns minutos, viajando nessa projeção.

Pecado Original

“Que é da minha realidade, que só tenho a vida?
Que é de mim, que sou só quem existo?”.

Fernando Pessoa

Para lavar o drama que encobre minha natureza primordial, vou invocar a luz dos pensamentos, sentimentos e ações de dois seres iluminados… Charlie Chaplin e Sócrates…

Vidas que se acabam a sorrir…
Luzes que se apagam, nada mais…
É sonhar em vão tentar aos outros, iludir
Se o que se foi pra nós…
Não voltará jamais…
Para que chorar o que passou…
Lamentar perdidas ilusões…
Se o ideal que sempre nos acalentou…
Renascerá em outros corações…

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