Dízimos da Ribalta

Dízimos da Ribalta

Dízimo é a décima parte de algo, paga voluntariamente ou através de taxa ou imposto. Num país onde a corrupção campeia solta, 10% é dinheiro de garçom, como diriam alguns políticos sem escrúpulos. A taxa deles já esbarra às raias dos 30%. Além, é claro, do gorducho salário que já seria a paga mais do que justa aos seus serviços. Quando o homem do “agasalho listrado” vai para as ruas, com seu chapéu “tapa orelhas” e seu tênis de “andarilho”, alguém pagou impostos ou tributos até pela sacola de plástico que carrega. Pela indumentária do individuo, ele não deve ser um dizimista. Muito menos um contribuinte de impostos ou tributos. Esse “caminhante” está mais para uma classe sujeita a ser dizimada pela fome e pela doença. Considerando que os programas de erradicação da pobreza não têm funcionado no decorrer de sucessivas administrações governamentais.

As luzes da ribalta se acendem diante deste vivente que num momento está no palco e em outro na plateia! Quando está no palco é iluminado. Já na plateia, fica obscurecido pelas intempéries causadas por más destinações das arrecadações de impostos e tributos.

A frase “O petróleo é nosso” vem de tempos atrás!

Lula e Getúlio lambuzaram as mãos com o “ouro negro”. Hoje se acendem as luzes da ribalta no palco da Petrobrás. É o Pré-Sal. Quais serão efetivamente os dízimos iluminados que irão enriquecer os cofres públicos e privados visando uma melhoria na qualidade de vida de um povo que padece com uma carga tributária de arrancar a pele do contribuinte?

Os holofotes são acesos com festejos de foguetes e folias pirotécnicas justificando um processo licitatório em forma de leilão pela descoberta da divulgada camada do Pré-Sal. Estão até aparecendo novas reservas do “ouro negro”!

Objetivo é produzir petróleo leve em águas profundas de Sergipe – Marcos de Paula/Estadão Conteúdo.

Nasceu da noite para o dia? As prospecções feitas desde o governo do Getúlio até agora estavam guardadas ou escondidas? Bom… Quem procura encontra!

Pré-Sal renderá R$ 134,9 bi para educação!

Recursos serão insuficientes para investir 10% do PIB na área! E a saúde?

Alguém vai me dizer: “Calma! Companheiro” vai devagar com o andor que o Brasil é nosso. Dízimo? Será? Imposto! Tarifa! Tributo!

Para Alvaro Dias, o leilão do Campo de Libra tem para o governo federal uma importância muito mais fiscal do que propriamente para a expansão da produção de petróleo, uma vez que o Executivo precisaria dos R$ 15 bilhões que serão arrecadados a título de bônus de assinatura para fechar suas contas orçamentárias e produzir um melhor resultado de superávit primário este ano.

Agência Senado

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado).

Enquanto isso… Quando o homem do “agasalho listrado” vai para as ruas, com seu chapéu “tapa orelhas” e seu tênis de “andarilho”, alguém pagou impostos ou tributos até pela sacola de plástico que carrega. Esse homem, da capa dessa escrita, vislumbra atravessar a rua, saindo do lado da sombra para o lado ensolarado, atravessando a ribalta que ilumina as construções da calçada oposta… Imposta.

Os cães ladram… Os ladrões latem! E a caravana passa… O impostômetro nacional já esbarra às raias do absurdo!

Impostômetro chega à marca de R$ 1 trilhão 35 dias antes do ano passado. Foto: Ayrton Vignola/AE

Ao escrever esta lavra, recebi um e-mail de um confrade da Confraria do Lechaim, grupo em que faço parte e se reúne todas as primeiras terças feiras do mês: “O café pendente”.

“Entramos em um pequeno café, pedimos e nos sentamos”.

Logo entram duas pessoas:
– Cinco cafés.

Dois são para nós e três “pendentes”.
Pagaram os cinco cafés, beberam seus dois e se vão.

Pergunto:
– O que são esses “cafés pendentes”?

E me dizem:
– Espera e vai ver.
Logo vêm outras pessoas. Duas garotas pedem dois cafés – pagam normalmente.

Depois de um tempo, vêm três advogados e pedem sete cafés:
– Três são para nós, e quatro “pendentes”.
Pagaram por sete, tomaram seus três e vão embora.

Depois um rapaz pede dois cafés, bebe só um, mas paga pelos dois.

Estamos sentados, conversamos e olhamos, através da porta aberta, a praça iluminada pelo sol em frente à cafeteria. De repente, aparece na porta, um homem com roupas baratas e rotas, e pergunta em voz baixa:

– Vocês têm algum “café pendente”?

 Esse tipo de caridade apareceu pela primeira vez em Nápoles. As pessoas pagam antecipadamente o café a alguém que não pode permitir-se ao luxo de uma xícara de café quente. Deixavam também nos estabelecimentos, não só o café, mas também comida. “Esse costume ultrapassou as fronteiras da Itália e se difundiu em muitas cidades de todo o mundo.”

São os Dízimos da Ribalta!

Caminhando o homem vai atravessar a rua. Acende um cigarro, que alguém lhe deu, e fuma o imposto pago pelo seu semelhante. Mas fica pensando na vida…

Esse homem, da capa dessa escrita, vislumbra atravessar a rua, saindo do lado da sombra para o lado ensolarado, atravessando a ribalta que ilumina as construções da calçada oposta… Imposta.

Quem sabe ele esteja pensando como o Raul Seixas?

Pare o mundo
Que eu quero descer
Que eu não aguento mais
Escovar os dentes
Com a boca cheia de fumaça…

Você acha graça
Porque se esquece
Que nasceu numa época
Cheia de conflitos
Entre raças…

Pare o mundo
Que eu quero descer
Que eu não aguento mais
Tirar fotografia
Pra arrumar meus documentos…

É carteira disso, daquilo
Que até já amarelou
Minha certidão de nascimento
E ainda por cima…

Tem que pagar pra nascer
Tem que pagar pra viver
Tem que pagar pra morrer…

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