A Revolta Das Jabuticabas

A Revolta Das Jabuticabas

A coisa aqui está preta. Dizem que “guerra é guerra”!

Um amigo sempre comentava quando via uma grande fila em algum lugar:

“Estão distribuindo jabuticaba ‘de grátis’ nessa rua”!

Descrita inicialmente em 1828 a partir de material cultivado, sua origem é desconhecida.

Outros nomes populares: jabuticabeira-preta, jabuticabeira-rajada, jabuticabeira-rósea, jabuticabeira-vermelho-branca, jabuticaba-paulista, jabuticaba-ponhema, jabuticaba-açu.

Tem de várias cores.

Mas aqui o rumo da prosa é outro.

Reforma Agrária que não vem.

Como se fossem jabuticabas apinhadas em uma árvore, os “Sem Terras” vão invadindo tudo…

Até as cidades e estradas do Oiapoque ao Chuí!

A reforma agrária tem por objetivo proporcionar a redistribuição das propriedades rurais, ou seja, efetuar a distribuição da terra para a realização de sua função social.

Esse processo é realizado pelo Estado, que compra ou desapropria terras de grandes latifundiários (proprietários de grandes extensões de terra, cuja maior parte aproveitável não é utilizada) e distribui lotes de terras para famílias camponesas.

Como se não bastassem às crises “alopradas” em que vive o Brasil, integrantes da Via Campesina e do MST arrebentam e destroem pesquisas de anos trabalhados.

Manifestantes realizaram caminhada em Porto Alegre.

Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

Grupo de 1.000 mulheres destruiu as mudas de eucalipto geneticamente modificado desenvolvido há 15 anos em São Paulo.

Eu diria que se jabuticaba falasse, bradaria:

“Uni-vos jabuticabeiras! Estão matando os fetos dos eucaliptos e invadindo terras e ruas do Brasil”!

Integrantes do MST destruindo mudas de eucaliptos!

Tem “jabuticabas” de todas as cores nas ruas!

No curso de pós-graduação que minha mulher está fazendo, Gestão do Trabalho e Educação em Saúde, recebeu um vídeo da sua diretora de tese.

Produzido pelo governo do Estado de São Paulo cujo título é “O Encontro do Século”.

Reproduzo aqui parte do diálogo de Karl Marx com Adam Smith, caso eles tivessem vivido na mesma época.

Karl Marx: Enquanto a nossa sociedade estiver dividida em classes, senhor Smith, as relações econômicas não podem ser consideradas igualitárias, tão pouco livres. A classe dominante sempre vai oprimir os mais pobres! Por isso é preciso eliminar as classes…

Adam Smith: Não! O seu discurso pode iludir os desavisados, sabe senhor Marx? Mas vamos aos fatos. Tomemos, por exemplo, este vinho… Que, aliás, tem grande presença para uma simples taberna como essa! Uh… Muito bom! Para fazer esse vinho, vários homens trabalharam, plantaram suas uvas, às maceraram, escolheram o carvalho ideal e deixaram ali, o tempo certo! É uma arte! (sorvendo um degustado gole do vinho).

Karl Marx: Senhor Smith! Vá direto ao ponto, eu sou um homem muito ocupado!

Adam Smith: Pois bem, o produtor desse vinho, o que é que ele buscou fazer? Um produto com muitos predicados, muitas qualidades, apenas porque ele aprecia o vinho como nós, senhor Marx? Não! Não! Não! A sua intenção é sair ganhando dentro de um cenário de livre concorrência, a sua intenção é vender mais! Claro! E certamente com os vinagres que estão por aí, este vinho vai render… E vai render muito mais! Trabalhando pelos seus interesses individuais, o proprietário faz com que os outros produtores também procurem melhorar a qualidade dos seus vinhos.

Karl Marx: Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há!

Adam Smith: E assim todos empregam mais trabalhadores especializados e melhoram a produtividade. Podem até diminuir o preço se for o caso. É o mercado se regulamentando, senhor Marx!

Karl Marx: (acenando negativamente com a cabeça, fazendo expressão de cinismo).

Adam Smith: É o que impulsiona a economia e melhora a vida do cidadão!

As razões que levaram o produtor a melhorar o seu vinho, também impulsionam toda a sociedade.

Karl Marx: KKKK! É… Senhor Smith! O caminho do inferno está calçado de boas intenções! O senhor também acredita em contos de fadas?

Adam Smith: Em vez de me tratar por ingênuo, o senhor deveria ler a minha obra, está lá, “A Riqueza Das Nações”!

Karl Marx: Já li… E reli a sua obra! Não quero ofendê-lo pessoalmente, mas uma resposta se faz necessária. Imagine senhor Smith, que o produtor desse mesmo vinho aveludado seja proprietário de muitos recursos, um membro da burguesia, ele é um grande produtor. Compra as melhores terras, contrata os profissionais mais destacados na arte do vinho!

He! He! He! Escolhe as melhores feiras para colocar o seu produto, afinal ele pode pagar mais! Ha! Ha! Ha!

O que vai acontecer com os médios e pequenos produtores? Eles irão á falência!

Depois de muito Blá… Blá… Blá… As jabuticabas revoltadas saíram ás ruas para reivindicar direitos adquiridos em que seus pares em espécie já haviam conquistado nas anteriores agriculturas em terras próprias ou alheias!

O pleito público bradava assim:

Nós, jabuticabas revoltadas, queremos a inserção da nossa genética, modificada ou não, nas seguintes cantigas do folclore tupiniquim:

“Jabuticaba madura… Na beira da estrada! Tá bichada Zé… Ou tem marimbondo no pé!”

“Jabuticabinha quando nasce… Se esparrama pelo chão… Mamãezinha quando dorme… põem a mão no coração!”

“Meu limão… Meu limoeiro… Meu pé de jabuticaba!”

Assim acaba a pendenga entre o senhor Smith e o senhor Marx.

Hoje a música clássica brasileira é um “rap”.

Está todo mundo “rapando” o “tacho”!

Tem mulher abacate e abacaxi…

Entre outras frutas!

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