Derradeiro Reduto

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As Forças da Natureza

Acordei no reduto do meu quarto, abri a janela e olhei para o céu!

Nuvens de variados formatos perambulavam pelo espaço, formando desenhos e esculpindo nichos de azul ao fundo.

Em altitudes diferentes, cada tufo esbranquiçado possuía uma velocidade e direção própria, marcando a própria individualidade.

Em pouco tempo a paisagem celeste mostrou grande quantidade de desenhos.

Pássaros vieram embelezar o balé aéreo.

Assim como o azul do céu, o Sol saía e voltava no mesmo diapasão do movimento das nuvens.

De repente ouvi um barulho forte do vento nas árvores.

Em seguida os pássaros cantaram em tons e linguagens peculiares de cada espécie.

A “Orquestra da Natureza” estava se manifestando ao raiar do dia.

O sonho diurno havia começado!

Um desenho surgiu em minha mente!

Geoffrey Blainey, professor da Universidade de Harvard e de Melbourne, brilhante historiador, discorre com muita propriedade a evolução da natureza.

Em seu best-seller UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO, eu encontrei:

Capítulo 31 – NEM FRUTAS, NEM PÁSSAROS.

Uma das profundas mudanças ocorridas na história da humanidade é tão óbvia que raramente é comentada: apesar de um dia terem sido de extrema importância às diferenças gradativamente deixaram de ser tão nítidas.

As estações perderam suas características de distinção; e assim aconteceu com as diferenças entre noite e dia, verão e inverno. À medida que o céu noturno se tornava menos importante, a Lua também diminuía sua influência sobre as atividades humanas.

Trabalho e lazer, cidade e campo deixaram de proporcionar esses contrastes.

No imenso espaço de tempo em que predominaram os caçadores e agricultores, as estações foram de extrema importância.

O verão e o inverno, a primavera e o outono, determinavam o que as pessoas comiam; as cerimônias de que participavam e os confortos e dificuldades de suas vidas cotidianas.

A maioria dos seres humanos, mesmo em 1800, ainda era composta de agricultores e criadores de rebanhos, sendo profundamente afetada pela mudança das estações.

Assim, no inverno, ovos, frutas e até mesmo carne, a não ser que tivesse sido salgada, eram luxos.

O verão da fartura cedia seu lugar a um inverno de contenções. Thomas Hood, poeta inglês, uma vez escreveu: “Nem frutas, nem flores, nem folhas, nem pássaros, Novembro”!

Hoje estamos em meados do ano 2015.

Momento em que a Cúpula do Clima se mobiliza para mais uma COP – Conferência das Partes.

A 20ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP-20) será em Paris.

— Vamos fazer de Paris um grande sucesso — afirmou o presidente da COP-20 e Ministro de Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar-Vidal.

O presidente da conferência referia-se a um possível acordo multilateral para dar ao mundo a chance de chegar ao final deste século com o aumento de até 2ºC em sua temperatura média. Sem o acordo, os termômetros subirão bem mais, conforme alertaram os estudos do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC).

Está o mundo urbano evoluindo de forma que permita acreditar que pelo menos 10 bilhões de pessoas poderão habitar nas cidades deste planêta no ano 2020 vivendo razoavelmente?

O que acontecerá com o homem? Com suas instituições políticas e seus traços culturais, num mundo que se urbaniza assim desta forma e tão rapidamente?

O Papa Francisco culpa a “humanidade” pelo aquecimento do planeta em sua encíclica sobre o meio ambiente. “É previsível que o controle da água por parte de grandes empresas mundiais se converta em uma das principais fontes de conflitos deste século”, escreveu o pontífice, que viveu na Argentina, sua terra natal, sobre as tensões sociais pela privatização da água. Francisco pediu na encíclica “mudanças do estilo de vida”, e acusa as potências e suas indústrias de fazer um “uso irresponsável” dos recursos.

“A submissão da política ante a tecnologia e as finanças se mostra no fracasso das reuniões mundiais”, escreveu o papa em um texto que acusa os “poderosos” de não querer encontrar soluções.

“A dívida externa dos países pobres se transformou em um instrumento de controle, mas não acontece o mesmo com a dívida ecológica (…) com os povos em desenvolvimento, onde se encontram as mais importantes reservas da biosfera e que seguem alimentando o desenvolvimento dos países mais ricos ao custo de seu presente e de seu futuro”.

Quando o Sol

Se derramar em toda sua essência

Desafiando o poder da ciência

Pra combater o mal…

E o mar

Com suas águas bravias

Levar consigo o pó dos nossos dias

Vai ser um bom sinal…

Os palácios vão desabar

Sob a força de um temporal

E os ventos vão sufocar o barulho infernal

Os homens vão se rebelar

Dessa farsa descomunal

Vai voltar tudo ao seu lugar

Afinal…

Vai resplandecer

Uma chuva de prata do céu vai descer

O esplendor da mata vai renascer

E o ar de novo vai ser natural

Vai florir…

As pragas e as ervas daninhas

As armas e os homens de mal

Vão desaparecer nas cinzas de um carnaval!

O Derradeiro Reduto… Será apenas no plano espiritual!

As Forças da Natureza… Nas cinzas de um carnaval!

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