E agora, José?

E agora, José?

Carlos Drummond de Andrade

Escrito durante a Segunda Guerra Mundial e da ditadura de Vargas, José, apesar da dureza, ainda tem o impulso de continuar seguindo. Mesmo sem saber para onde:

“… Você marcha, José! / José, para onde?”

Em 1940, o poeta escreveu “Sentimentos do Mundo”. Os poemas foram lavrados entre 1935 e 1940. Mostram a visão sobre o mundo à sua volta, em uma ótica determinantemente política. Foram tempos de guerras, onde o pessimismo era nota entoada. Nem bem o mundo se recuperava da Primeira Guerra Mundial e já vislumbrava a Segunda grande batalha.

Tudo somado á imposição do Estado Novo de Getúlio Vargas e o crescimento do Nazi-fascismo.

A história do Brasil é repleta de momentos nevrálgicos.

Em dimensão diferenciada, cuja mensuração não esbarra nem tange as raias de calamidades como as guerras, o Brasil e o mundo estão vivendo épocas de desequilíbrios constantes quanto suas políticas!

O certo e o errado confirmam a existência dos opostos.

“Lutar com palavras / é a luta mais vã”

“O lutador” Carlos Drummond de Andrade.

Acho que a partir daí surge um brado indutor para que um povo vá às ruas fazer seus reclames.

“Independência ou Morte” foi um grito dito por vários líderes de países que indicavam que o povo estava a postos para lutar. Seus casos mais famosos são Brasil e Romênia, onde:

Descendentes do príncipe Mihai (Miguel) Viteazul, que reuniu os reinos da Moldávia, Valáquia e Transilvânia, gritaram isso para sair do posto de colônia da Hungria, em 1876. Isto ficou registrado no hino oficial da Romênia até hoje, Desperte, Romeno! “Viaţă-n libertate ori moarte!”

Wikipédia.

O nosso “brado”, todos já devem ter estudado nas escolas. Na Grécia também houve “grito”!

Eles teriam gritado “Liberdade ou morte” (Ελευθερία ή θάνατος) contra os otomanos. Cada sílaba corresponde a uma listra da bandeira grega (Ελ-ευ-θε-ρί-α ή θά-να-τος).

Wikipédia.

Não há necessidade de sobrenomear os “Josés” que estão evidenciados neste momento brasileiro.

Nada contra o nome em si. Meu avô, homem da mais alta integridade, de moral e costumes ilibados, era José! Conheço “Adolfos” que são bem diferentes daquele do 3º Reich! Mas… Carlos Drumond nominou assim. Pode ser o Zé da quitanda, da farmácia… Do povão mesmo! Ou pode ser o Zé que usou o poder para dilapidar os cofres públicos. Aves de rapina.

A polêmica dos “mensaleiros” na Pátria Amada já causou levantes verbais pelos cantos mais submersos da verborreia portuguesa! Quem sou eu para enunciar um veredicto? Mas o “Voto Minerva” da questão “Embargos Infringentes” havia afirmado em ocasião anterior:

 Celso de Mello declarou: “Trata-se de uma quadrilha de bandoleiros de estrada, (…) devem ser condenados e punidos com o rigor da lei”.

Imagino que o fato protelatório esteja bem respaldado nos esteios maiores da justiça! Mas… Se condenados os réus:

E agora, José?

Bom, aí será outra história.

Celso de Mello

Vamos falar um pouco do José da construção. Nessa… Havia até o João! Também cantado em verso e prosa por outro poeta. Gilberto Gil:

O rei da brincadeira… Ê, José!

O rei da confusão… Ê, João!

Um trabalhava na feira… Ê, José!

Outro na construção… Ê, João!…

Cada “Zé” e cada “João” com destinos diferentes.

Um trabalhava na feira… Outro na construção!

Os “Josés” do Planalto Central… Bom… Quem sabe se trabalhassem na construção de um país mais justo?

O que dá pra rir dá pra chorar!

Qual dos “Zés” vai morrer na contramão atrapalhando o tráfego?

Canto Chorado

O que dá pra rir dá pra chorar…

Questão só de peso e medida…

Problema de hora e lugar…

Mas tudo são coisas da vida…

O que dá pra rir dá pra chorar…

No jogo se perde ou se ganha…

Caminho que leva que traz…

Trazendo, alegria tamanha…

Levando, levou minha paz…

Tem gente que ri da desgraça…

Duvido que ria da sua…

Se alguém escorrega onde passa…

Tem riso do povo na rua…

Billy Blanco

O José da Construção… Pode morrer na contra mão atrapalhando o tráfego!

O José de Brasília… Pode viver na contra mão espalhando o tráfico!

E agora, José? Ou seria… E agora Joaquim?

Recebi um e-mail interessante que faz o tipo “entendeu ou quer que desenhe”?

Pai, o que são Embargos Infringentes?

É o seguinte, imagine que nossa casa seja um Tribunal e que quando alguém erra, é julgado e todos podem votar!

Um dia, por exemplo, o papai comete um deslize: É pego traindo sua mãe com três prostitutas.

Eu irei a julgamento.

Sua mãe, a mãe dela, o pai dela, sua irmã mais velha, você e seu irmão mais velho, votam pela minha condenação.

Meu pai, minha mãe, o Totó e a Mimi, nossa gatinha, votam pela minha absolvição.

Tá pai, mas aí você é condenado, não?

Sim, eu fui e aí é que entram os tais dos “Embargos Infringentes” meu filho. Como eu ganhei quatro votos a favor da minha absolvição, tenho direito a um novo julgamento.

Mas pai, no novo julgamento, todos vão votar do mesmo jeito. Não se eu tiver trocado a sua mãe, o pai dela e a mãe dela pelas três prostitutas…

E agora, José?

A festa acabou a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? E agora, você? Você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama protesta,

E agora, José?

 

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