Simplesmente… Chorei…

Simplesmente… Chorei…

Mentira! Chorar não é tão simples! Precisa ter uma gama variada de motivações, sim, das simples até as mais sublimes. Você pode chorar de dor física ou espiritual. Dor de corpo e dor de alma.

Quando nascemos, choramos para insuflar a primeira baforada de ar da vida. Pneuma. “Sopro da Vida”. Espírito. Alma. Enquanto o novo rebento chora com expressão de dor, os entes envoltórios queridos choram de alegria.

Minha filha contou-me que chorou assistindo um comercial de amaciante de roupas. Disse-me que era característica da TPM (Tensão Pré Menstrual). A sensibilidade das mulheres aumenta consideravelmente nestes períodos. Existe “choro” para todo tipo de situação. Já chorei de tristeza, de alegria, de raiva, de agonia, quando alguém nasceu e quando alguém morreu.

Chorei, não procurei esconder…
Todos viram, fingiram…
Pena de mim, não precisava…
Ali onde eu chorei…
Qualquer um chorava…
Dar a volta por cima que eu dei…
Quero ver quem dava…

Essa… Todo mundo sabe… Dar a Volta por Cima.

Choros de amores e paixões também não são assim tão… Simplesmente… Chorei…

Será que o choro só existe com lágrimas?

Essa… Todo mundo sabe também… Não Tenho Lágrimas.

Quero chorar…
Não tenho lágrimas…
Que me rolem nas faces…
Pra me socorrer…

Se eu chorasse…
Talvez desabafasse…
O que sinto no peito…
E não posso dizer…

Só porque não sei chorar…
Eu vivo triste a sofrer…

Chorei na maternidade, no cemitério, na formatura, no casamento, em frente à televisão, escutando o rádio do carro, sozinho e, até, sonhando! Existem lágrimas até quando se chora sonhando… É só ver a fronha do travesseiro molhada para constatar essa verdade. Tem alguns exagerados que dizem: Quase morri afogado!

Falando em afogado, os tsunamis da vida afogaram muitas vidas e geraram muitas lágrimas.

O Impossível (The Impossible 2012). Baseado em história real – cinemacomrapadura- Google

Os gritos de dor sentidos na alma.

Esse choro é desesperador. Encaixa-se em uma categoria de extrema agonia. Desespero. Visão da morte.

Um brado de súplica ao Criador. Também não é…

Simplesmente… Chorei…

Entremente.com- filme “O Impossível”.

Até o “Menino do Pijama Listrado”… Chorou!

Há choro solitário e coletivo. Comoções generalizadas.

Sozinho, quando na tenra infância, nos primeiros anos escolares, ganhei do meu avô uma régua de plástico transparente e (meio) flexível. Até então as réguas eram quase todas de madeira. Fiquei tão feliz e empolgado. Meu avô deu-me régua e eu mais tarde consegui o compasso. Previa que teria os instrumentos para geometrizar o mundo.  Em êxtase comecei a demonstrar as qualidades da nova tecnologia para todos os espectadores. Motivado e excitado, torci mais do que devia e a flexibilidade do medidor não resistiu… Crack! Quebrou. Chorei muito. Não pela perda do instrumento retilíneo meio flexível… Mas por achar que estava magoando meu avô que me presenteou com tanto carinho. Não queria que ele ficasse triste pelo meu exagero e descuido. Esse choro expressa sentimento diferenciado. Fui estudar arquitetura. Sem quebrar régua.

Existe choro com lágrimas de crocodilo também! A expressão popular derramar lágrimas de crocodilo, usada para dizer que alguém chora sem razão ou por fingimento, surgiu de um fato que acontece com os crocodilos. Quando o animal come uma presa, ele a engole sem mastigar. Para isso, abre a mandíbula de tal forma que ela comprime a glândula lacrimal, localizada na base da órbita, o que faz com que os répteis lacrimejem.

Fui até ali buscar um pouco de massacre. Encontrei a Bina, minha sogra, com os olhinhos parados. Parecia estar olhando para o infinito. Só mexeu um pouco quando deve ter vislumbrado meu vulto beijando-lhe a testa.

Pré-estado de coma!

Simplesmente… Chorei…

Acho que ela se encontrava naquele estágio entre o céu e a terra. Limbo cósmico. Imaginei seu pensamento indo ao encontro do seu amor que estava esperando por ela com a outra aliança que fizeram juras de amor eterno.

Na certeza de que não haveria reversão daquele quadro, tentei imaginar como será comigo, no momento sublime da transição. Minhas lágrimas não eram de crocodilo…

Google – Imagem

Saindo da casa dela, fui conversar com uma tia querida, Zilá, que passou pela transição há alguns bons dez anos.

Coloquei suas flores preferidas. Cravos vermelhos.

Simplesmente… Chorei…

No caminho do cemitério, imaginei como seria se pudéssemos ir morrer dirigindo o próprio carro. Chegaríamos lá, encostaríamos o veículo na vaga para idosos, colocaríamos no painel a licença para tal e iríamos morrer nos sepulcros de nossas propriedades. Terreno bem valorizado, por sinal. Muito bem localizado num campo santo do tipo parque, no alto da colina. Três andares subterrâneos. Ali também estiveram meus avós, Adelaide e João. É para onde irei também. Imagino. A vantagem é que quem vai chegando depois, vai ocupando a cobertura. Só que nessa dimensão a cobertura fica mais próxima da linha entre o céu e a terra. Lá, quanto mais baixo… Mais alto na escalada divina!

Há quem chore de tanto rir…

Essa eu recebi por e-mail.

Para minha sogra querida… No palco da vida…

Essa é a Peça Rara

Sabine é assim. Hoje pode ser “Gilda”, amanhã “Marlene” e depois “Bina”.

Aqui ela é Sabine Dietrich.

Histórias da Sabine:

Um dia eu joguei um prato de sopa na Sheilla… Mas estava morna!”

Narrando histórias sobre fazer os filhos comerem. Imaginem as pratadas.

Adeus Peça Rara!

Um dia a gente se encontra outra vez..

Sua cortina nunca vai fechar minha sogra querida!

Vidas que se acabam a sorrir…
Luzes que se apagam, nada mais…
É sonhar em vão tentar aos outros iludir…
Se o que se foi pra nós…
Não voltará jamais…
Para que chorar o que passou…
Lamentar perdidas ilusões…
Se o ideal que sempre nos acalentou…
Renascerá em outros corações…

 (LUZES DA RIBALTA) CHARLES CHAPLIN

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