CURITIBA MISCIGENADA

CURITIBA MISCIGENADA

“Se um produto passar no teste do gosto do povo curitibano, podem lançá-lo no país todo que dará certo”.

Isso tem a ver com sociologia urbana.

Até antropologicamente existem ricos exemplos nas plagas da antiga Vila da Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.

Colonizada por imigrantes europeus durante o século XIX, na maioria italiana, alemã, polonesa e ucraniana, com rigorosos e conservadores hábitos, e costumes, formando assim uma diversidade cultural de grande exigência, foi miscigenada com o fluxo migratório de outros brasileiros do Norte e Nordeste deste país continental. Com descendências diferenciadas, fruto das misturas índio, portuguesas e africanas, mais descontraídas e calorosas que os frios europeus, empolgados pela imagem de que Curitiba era a Suíça brasileira, adensaram o planalto curitibano na expectativa de melhor qualidade de vida.

Desta forma, o conglomerado urbano se tornou um laboratório para identificação daquilo que é bom ou é ruim para o consumidor exigente.

De forte opinião.

Minha sogra imigrante conta que quando “estourou a guerra”, em 1939, ela e um bando de crianças chutavam as portas de aço das lojas da cidade (provavelmente para fazer barulho) cantando: “Tim… Tim Pereira… Polaco não tem bandeira”.

Interação com os fatos já em tenras idades.

De forte opinião.

Soma-se ao fato o êxodo rural que contribuiu com a diversidade dos costumes e consumos.

A fama de ser palco para lançamento de novos produtos vem principalmente dos colonizadores europeus. Como escreveu José Pio Martins, economista e vice-reitor da Universidade Positivo, em seu artigo “O exigente consumidor”:

“Talvez induzida pelo clima e pelo conservadorismo da Europa anglo-saxã, essa parte da população curitibana é vista sim como um consumidor mais difícil de conquistar, além de ser diferente do estilo festivo e quase irresponsável do brasileiro simples das regiões de clima sempre quente”. 

Símbolos Fálicos.

Lendo a Coluna do Aroldo Murá de 06/11/12, sobre a bela matéria do Chafariz da Praça Zacarias, onde ele resgata o brilhante jornalista e publicitário Renato Schaitza, lembrei-me do polêmico fotografo da BENETTON, Oliviero Toscani.

Google Imagens

Aguadeiro apanhando o líquido no chafariz da Praça Zacarias em 1905.

Escreve o Aroldo:

Sobre esse chafariz, há um episódio pitoresco, que viria a ser narrado pelo jornalista Renato Schaitza: algumas senhoras pudicas da cidade teriam ido até o prefeito para exigir que fosse retirada a cúpula arredondada que ornava a coluna central de bronze. Essa cúpula estava bem no topo central do chafariz e as beatas senhoras eram de opinião que essa ornamentação era ofensiva à moral pública, pois lembrava um ereto símbolo fálico.

Dizia Renato Schaitza: “Se a mulher marota é difícil de vencer, imaginem a pudica”. Vai daí, e por causa da fantasiosa imaginação beatice, decepou-se o tal ereto símbolo fálico. Ou como dizia o Renato, a “glande incomoda”. E assim está até hoje.

Renato e netos, Otávio, Alfredo e Renata (minha filha).

Quanto ao Oliviero Toscani

imaginem a pudica apreciando o polêmico fotógrafo!

Google

Fico imaginando minha sogra cantando: “O Santo Padre disse que é pecado… andar de braço dado sem ser casado…”!

Tá armada a encrenca…

Laboratório “curitibense”!

EREÇÃO INFANTIL

Curitiba não deixa de ser laboratório polêmico.

Oliviero Toscani Google

Há alguns anos passados acompanhamos a iniciativa de uma agência de propaganda de Curitiba, utilizando um garotinho nu com o “pequeno” pênis em posição de sentido, em 80 outdoors esparramados pela capital paranaense.

Não resta dúvida sobre a pretensão da agência na divulgação do seu primeiro ano de existência, que a linha concepcional a seguir, seria a do Oliviero Toscani.

Particularmente, acho o fotógrafo da Benetton um gênio de sensibilidade sem par.

A agencia curitibana exagerou no tamanho do apêndice pendular para demonstrar que eles estavam com grande “excitação” (Tesão mesmo).

A linha concepcional de Toscani utiliza-se do chocante, mas sem aleijar o “casting”.

Em “A publicidade é um cadáver que nos sorri”, Toscani escreve:

Quero abrir o processo de Nuremberg da publicidade.

Sob que acusações?

Crime de malversação de somas colossais.

Crime de inutilidade social.

Crime de mentira.

Crime contra a inteligência.

Crime de persuasão oculta.

Crime de adoração às bobagens.

Crime de exclusão e de racismo.

Crime contra a paz civil.

Crime contra a linguagem.

Crime contra a criatividade.

Em “Crime de malversação de somas colossais”, Toscani falava em 330 bilhões e meio de francos franceses para empresas europeias, 406,7 bilhões nos Estados Unidos, 172 bilhões no Japão, 85 bilhões na Alemanha, 92,64 bilhões na Inglaterra e 48,7 bilhões na França, tudo em 1992, em plena crise.

De qualquer forma, a polêmica dá o “briefing” do movimento na propaganda.

Google Toscani para Benetton

O traseiro nu com o carimbo “H.I.V. POSITIVE” ou as fotos sem textos do gênio encontrado por Luciano Benetton, sem dúvida fazem parte de um estilo concepcional diferenciado.

Na França, a turma da Benetton foi atacada de todos os lados, frente a uma “intelligentsia” dividida. Até o papa da publicidade francesa, Jaques Séguéla, lembrando as donzelas curradas de outrora, quando gritavam: “Minha virgindade! Minha virgindade!” citou textualmente:

“Toscani é a grande exibição da monstruosidade do mundo (…) pouco a pouco a provocação substitui a criação…”.

De qualquer modo, meus parabéns aos fotógrafos publicitários, pois alguns grandes teóricos da publicidade ainda não compreendem o poder criador da imagem. Sua capacidade de dar livre curso às paixões e às múltiplas interpretações para além de um sentido convencional e dogmático. Alguns intelectuais, que se acreditam ultramodernos, trazem novamente à cena a velha querela da coisa escrita contra a imagem, do texto como o único depositário da verdade. Não admitem que uma foto esteja carregada de uma força explosiva, sem estar legendada…

Google Foto Oliviero Toscani Itália

Foto Rodrigo Alzamora (meu filho) Curitiba Paraná Brasil

Alguém, quando escreveu, foi mais elegante que Vinícius de Moraes.

Enquanto o poeta mor brasileiro escrevia: “As feias que me perdoem… Mas a beleza é fundamental”, outro poeta, Antonio Maria, escrevia: “Não existe mulher feia… Existe uma mais bonita que a outra!”.

Pior que qualquer afirmação acima é a de que “Não existe mulher feia… O que existe é mulher pobre!”.

Google – Só Imagem…

Aqui é só texto.

Mas vamos ouvir um publicitário bem próximo do meu coração.

Antes, quero que o leitor me desculpe pelo fato de ter usado e citado um montão de gente ligada a mim por laços familiares. Não tenho culpa que todos os citados são da área publicitária (e muito bons).

“Se a curra é iminente (ou eminente)… Relaxe e goze!”.

Vinicius Alzamora

Sócio Diretor de Criatividade da Tom Comunicação.

Olá Vi! Dá uma cancha aí!

Fala pra gente:

Salve, salve mano!

Como você bem coloca, um breve comentário, até porque não sou um cientista do assunto. Mas vamos lá.

Curioso. BH também leva essa imagem, o que se passou a chamar de mercado teste. Penso que por motivos similares, mas por realidades bastante distintas. Imagino que Curitiba ganhe esse status basicamente por sua formação étnica: diferentes culturas, hábitos e tradições reunidas num mesmo espaço urbano, com gostos, costumes e preferências peculiares. Já BH, talvez pelas características centrais da personalidade de sua população, a discrição e a reserva, traços esses herdados, muito provavelmente, dos tempos de extração do ouro e das pedras preciosas. É claro que o traço étnico do português, e do negro dessas épocas também compõe tal personalidade, mas de forma tímida, muito mais discreta do que a colonização imigrante de Curitiba. Mas os efeitos acabam sendo os mesmos, para o assunto em questão: em ambas as populações, algo de prudente, e até mesmo de desconfiança, em relação ao novo e às inovações, típico de uma comunidade mais conservadora.

Num aspecto mais pragmático, o tamanho dessas cidades também contribuiu para serem escolhidas como mercados teste. Isso acontece quando elas ainda estão ali pelo milhão de habitantes, talvez um pouco menos, o que favorecia a análise e ajustes de outras variáveis fundamentais para o sucesso de um produto ou serviço, quais sejam: nome, embalagem, preço, distribuição, logística, gestão e toda a parafernália da qual lança mão a sofisticada indústria do consumo.

É por isso que, aqui na Tom, trocamos a mídia pela interação e o público alvo pelo “público gente”. Não queremos atingir ninguém, mas queremos convencer a todos… hehehehe!!!

Beijo. Espero que dê caldo.

Te amo.

É por isso e por tudo mais que amo a minha família.

Ela é igual Curitiba e BH, um grande “Laboratório de Propaganda e Marketing”!

Tem também jingles para se comunicar, né?

Não deixe sua vida ficar muito séria. Viva como se estivesse num jogo, saboreie tudo o que conseguir. As derrotas e as vitórias, a força do amanhecer e a poesia do anoitecer.

(Roberto Shinyashiki).

Meus parabéns á Umuarama Publicidade.

 “House” do extinto Bamerindus.

Pela Umuarama passaram alguns dos nomes mais importantes da propaganda paranaense, como Sérgio Mercer, Jamil Snege, Luiz Aurélio Alzamora, Paulo Leminski, Alice Ruiz, Eloi Zanetti, Rettamozzo, Solda e Eugênio Thomé.

Com a ida de Sérgio Reis para a diretoria de marketing do banco, Mercer assumiu a direção da agência, também ocupada por Zanetti e Alzamora.

 A Umuarama fechou as portas em 1994, três anos do desaparecimento do “banco da nossa terra”.

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