Caminho das Pedras

Caminho das Pedras

Não é muito fácil caminhar sobre as pedras. Mas massageia os pés. O poeta já dizia:

“Meu caminho é de pedras, como posso sonhar?
Sonho feito de brisa, vento vem terminar!
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar…”.

Em minhas caminhadas pelo velho mundo, fui observando pedras. Viajando pela Itália deparei-me com algumas construções bem características de uma época e região.  Veneza é pura pedra… E água!

Pelos caminhos fui encontrando pedras e mais pedras.

Em Florença, elas também estavam. Em todo caminho havia pedras.

Lembrei-me de alguns “gaiatos” comentando sobre o avatar de a cristandade andar sobre as águas! “Pede para nos ensinar o caminho das pedras”! Milagres existem mesmo? Acho que sim. A Natureza em sua forma mais sublime se transforma o tempo todo. Grãos de areia viram pedras. A água congelada se transmuta em pedras de gelo.

As montanhas são grandes “pedras” em paisagens das mais variadas!

Em Veneza, com recursos escassos, procurei um gondolieri, dispensando uma limusine aquática e, optando pela individualidade, desviei-me do Vaporetto, principal ônibus aquático da cidade.

Não conhecendo o “Caminho das Pedras” eu fui “andando” sobre as águas. Caminho aquático emoldurado de pedras!

De repente defrontei-me com Il Ponte dei Sospiri, a famosa ponte veneziana Ponte dos Suspiros. Embora a polícia não estivesse atrás de mim, lembrei-me do filme “Um Pequeno Romance” com Diane Lane. Que narra à história de um menino francês e uma garota americana quando iniciam um pequeno namoro. Enquanto o padrasto está ocupado com negócios e sua mãe fica flertando com um cineasta de 2ª categoria, os dois namoradinhos conhecem um bondoso senhor, que lhes conta fatos extraordinários. Isto desperta a imaginação do jovem casal, principalmente uma lenda veneziana que afirma se os namorados se beijarem em uma gôndola sob a Ponte dos Suspiros ao entardecer, ao som dos sinos do campanário, vão se amar para sempre. Como logo ela fica sabendo que irá morar em Houston, o pequeno casal decide ir até Veneza para selar o amor deles. Já que não podem viajar sozinhos, o velho vai junto para dar cobertura, mas a viagem é pontilhada de contratempos. Além disto, o desaparecimento das crianças põe a polícia em alerta. Passou um filme inteiro pela minha cabeça. Porém, buscando o Caminho das Pedras, refleti sobre a questão dos suspiros. Aquela ponte não era de suspiros de amor… Mas de tormento. Aquela passarela fechada servia de ligação entre o palácio e a prisão dos doges.

Cheguei a ouvir os gemidos de angústia ecoando por todo o canal. Pensei… Seria melhor voar! Buscar o Caminho das Nuvens!

Florença floresceu outra vez! Pedra carregando Pedra!

Uma pedrinha aqui… Outra pedrinha ali… Fui parar na Grécia, Korfu! Esse indivíduo me deu boas vindas com olhar de âmbar!

Descalço, andei sobre as areias, pedregulhos e sobre a grama raleada pela alimentação deste montanhês grego. Acordava muito cedo para dar a volta na ilha com uma “lambreta” alugada. Dava para ver a divisa da Albânia com a Grécia em um dos pontos do trajeto. A linha que separa um país do outro é vista exatamente ao término da vegetação grega e a região desértica albanesa.

Sempre parava em Paleokastritsa, praia onde costumava passar o dia. O mar é tão claro que se vê o fundo com mais de dois metros de profundidade. Muitos caminhos com pedras também!

Após essa pequena caminhada pelo mundo, concluí que todos nós vamos virar pó de pedra algum dia! Daí Poeira Cósmica e Caminho das Pedras!

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