Escravo da Alegria…

Já tive a oportunidade de ser apresentado muitas vezes por proeminentes figuras. Quando, recém-formado e me transferindo para a Bahia, em busca de trabalho, fui agraciado com um bilhete de apresentação feito pelo então já famoso prefeito de Curitiba. Era, inicialmente, endereçado para o “Toninho Malvadeza”, Antonio Carlos Magalhães, governador daquele Estado.

Por motivos de não comprometimento político… Não foi endereçado para a “Malvadeza”…

Citado por um dos mais competentes jornalistas paranaenses, eu fico com ele nessa história:

Patrimônio propõe presença na futura Constituição estadual

Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 13 de outubro de 1988

Resultado de pelo menos seis meses de trabalho e com consultas técnicas junto aos municípios, proposta de texto de lei relacionado ao patrimônio cultural está sendo encaminhada aos parlamentares paranaenses para aproveitamento na Constituição Estadual, na iminência de ser elaborada. A sugestão, que parte da Coordenadoria do Patrimônio Cultural da Secretaria da Cultura, está fundamentada na Carta Magna recém-promulgada e tem o propósito de ser mais dinâmica e objetiva que a legislação em vigor, que data de 1953. Marco Antônio Alzamora Gonçalves, coordenador de patrimônio da SEEC e que preside a equipe interdisciplinar que preparou a nova redação à lei do patrimônio, justifica o estudo como forma de aprimorar o próprio trabalho da Coordenadoria, que esbarra num texto que se deteriorou ao longo de 25 anos. O técnico da Secretaria da Cultura lembra que a Lei nº 1.211 refere-se ao patrimônio histórico, artístico e natural, omitindo outras manifestações culturais.

Na Bahia, optei por Carlos Bastos ao invés de Jorge Amado. Pois se tratava de artes plásticas e não de literatura.

Da Editora Resson, “O Filho DO HIPNOTIZADOR e outras histórias de estranhas pessoas” do ainda não conhecido meu Dennis D:

“Escrever é revelar-se”. “Por isso, talvez, já disseram que toda escritura – como ofício ou como arte – é apenas uma das muitas faces do exibicionismo humano.”

“Acreditem, mostrar a bunda na janela pode ser menos constrangedor do que expor, em letras, as entranhas da própria sensibilidade”.

Aqui estou eu novamente expondo sentimentos… Sem bunda na janela!

Na vida ou se perde ou se ganha. Se empatar vai para os pênaltis e após, persistindo o empate, é cara ou coroa em moedinha de um centavo!

Desempregado, procurei alguns amigos influentes para ajudar-me na empreitada da consecução de boa colocação em uma grande empresa.

Alguns se negaram! Outros fingiram que não era com eles. Apareceu uma santa alma que resolveu me ajudar na busca de um espaço de trabalho. Redigiu a carta de apresentação abaixo:

Ilmo. Senhor,

Dr. FULANO DE TAL

Proprietário da Empresa Operosa

Neste importante momento de formação de quadros para a administração dessa Operosa Empresa é preciso contar com profissionais experientes nas diferentes áreas de gestão pública e privada, para composição do staff das diretorias e outras funções essenciais.

Não temos dúvida da qualidade técnica e da experiência daqueles que, ao longo de anos, foram e serão apontados para exercer diversas funções para a próxima administração empresarial. Mesmo assim, profissionais de diversas áreas, com conhecimento do serviço público e privado, que acompanham de perto o desenvolvimento e as atuações de gestões empresariais anteriores sente que apresentar um profissional qualificado e com sólida formação acadêmica é uma forma de contribuir com a próxima gestão desta grande firma.

Apresentamos o senhor Marco Antônio Alzamora Gonçalves. Arquiteto e Urbanista “inoxidavelmente” brilhante.  Prova disto é a atuação nas prefeituras de municípios da Bahia com a implantação de uma rede de quiosques para venda de cachaça e acarajé. Locais que chegou a se apresentar como tocador da rabeca. Além disso, coordenou a lavação das escadas do Senhor do Bonfim, prova da sua dedicação às causas da fé popular.  Atuou, juntamente com vereadores, no projeto de instalação de mictórios públicos. Projeto que fez um sucesso muito grande entre a malta de cagões e mijões da cidade.

Quiosque próximo aos “Chalés do Mundaí”.

Secretariando o Conselho Estadual da Cultura.

Google dando Bandeira.

Marco Alzamora, homem requintado, que nos faz lembrar a fisionomia de Antonio Banderas, vá lá que numa versão meio prejudicada pelos anos dedicados a boemia dos tempos que viveu na Europa, na França e na Bahia. Apesar disso, temos a certeza, senhor proprietário, que Marco, Marcão, como é conhecido aqui no Janguito Malucelli, é também chefe da torcida do Paraná Clube, função que exerce há décadas, desde que o Paraná se chamava Ferroviário.

Vitória do Coxa no Janguito Malucelli.

Quando Coordenador do Patrimônio Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, ligando para o Rettamozo e para o Miguel Bakun, avisando que eles estavam atrasados para a coletiva da Denise Roman…

Alzamora é um homem da administração pública e privada. Atuou imensamente na divulgação da cultura baiana. Como exemplo de atuação exemplar, citamos a organização das festas de aniversário de Jaime Lerner, onde se encarregava de fornecer acarajé, manguzá, canjica, cachaça, figa e nega gorda para os convivas. E nas festas do litoral – Nossa Senhora do Rocio do Pilar – Marcão executava sua rabeca. Foi, por anos, o primeiro rabequista – rabequista spala – da Orquestra de Fandango da Ponta da Pita.  Sua veia artística lhe permitiu bater, com o esmero de um filho de Iansã, tambor em terreiro e decorar casa de quenga em Ilhéus e arredores.  Marcão faz mais. Além de bater o tambor em terreiro, o devoto de Jorge, bate a cabeça em terreiro de candomblé e, nas horas vagas, em ponta de faca.

Alzamora é um homem sensível. Ele possui uma veia espiritualista como poucos. Lê cartas, joga búzios e bocha na Sociedade Água-Verde, desmancha malfeito e sela casamentos (tu vais precisar Senhor Empresário Proprietário), levanta empresa falida e como num passe de mágica, cura brochura.

Senhor Proprietário, como vê, não é a toa que apresentamos o urbanista, o artista, o rabequista Marcão.  Ele sim irá dar o tom e a cor na sua administração. Pergunte para Bina. Ela confirmará o que estamos dizendo.  Chame Marcão para administração da empresa. Ele é “o cara”.

Não consegui o emprego!

Fiquei triste e desconsolado. Queria ficar alegre.

Escravo da Alegria.

“Piquei a mula” para Veneza e fiz da vida um grande carnaval.

Comprei uma gôndola e saí navegando outra vez.

Era Escravo da Alegria!

Tristeza
Por favor vai embora

A minha alma que chora…

Cantei e dancei um montão.

Enturmei-me!

Comprei máscara também!

Meu Emprego Minha Vida!

Google

Escravizei-me no dourado da Alegria!

Esqueci-me dos que se negaram a me recomendar para o emprego na grande empresa tupiniquim!

Mas continuei grato ao redator que teve a boa vontade de redigir minha apresentação. Ele teve boa vontade… Mas o curriculum… Não ajudou! kkk

Fui me especializar na língua e na culinária italiana.

Meu prato “carro chefe” era Coniglio arrosto con Acarajé e Pepe.

Para bom entendedor ficam visíveis os protagonistas dessa mirabolante viagem!

Não querendo ficar triste nunca, busquei com afinco a alegria.

Escravo de novo?

Sim… Escravo da Alegria.

Levei para Veneza o projeto de instalação de mictórios públicos. Projeto que fez um sucesso muito grande entre a malta de cagões e mijões venezianos.

Os canais de Veneza se transformaram em líquido viscoso com tons fortes de âmbar e dourado.

Como a máscara que comprei.

Alegria… Alegria… Vem de noite… Vai de dia…

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