Uma Vontade Louca de Escrever

Uma Vontade Louca de Escrever

Voltei correndo da rua para casa. Meu cérebro parecia querer explodir de tantas ideias, estuporando minha caixa craniana. Pensei estar exagerando no ímpeto. Muitos títulos vieram à tona. Com velocidade vertiginosa, meus neurônios (Tico e Teco) percorreram o exíguo espaço físico entre o núcleo e a crosta. Era o dito pelo não dito, bendito e maldito… Ditado… Dita dura… Dita mole… Escambau! Até dentadura veio visitar o centro da “moringa” (Cabeça… Para os que não conhecem gírias). Tinha que escrever logo. Sem coordenar minhas emoções e os meus dedos, comecei a teclar (Datilografar… Para os antigos). Antigamente eu datilografava 150 palavras por minuto. Agora consigo escrever 1500! Çalskhdfçoaiwefçalwebnf, mais ou menos assim! Sem respirar ou tirar o dedo do teclado. Escrevendo tudo sem dizer nada com nada.

CALMA!… Vamos começar tudo de novo!

Respire fundo!… Prenda o ar por alguns segundos… Solte pausadamente. PRONTO!… Agora já dá para pensar em alguma coisa que deleite o leitor e que você acredite ser útil ao Universo.

Vaca? Não!

Fui ao andar de baixo e reparei um artigo em

 O ESTADO DE SÃO PAULO – Editorial – 21/ABR/13.

Dilmês castiço

Já se tornou proverbial a dificuldade que a presidente Dilma Rousseff tem de concatenar ideias, vírgulas e concordâncias quando discursa de improviso.  No entanto, diante da paralisia do Brasil e da desastrada condução da política econômica, o que antes causaria somente riso e seria perdoável agora começa a preocupar.  O despreparo da presidente da República, que se manifesta com frases estabanadas e raciocínio tortuoso, indicam tempos muito difíceis pela frente, pois é principalmente dela que se esperam a inteligência e a habilidade para enfrentar o atual momento do País.

Uai gente! Será que tudo isso está dando ansiedade e angústia?

Será que estou concatenando bem as ideias na “moleira” (moringa)?

Agora consigo escrever 1500! Çalskhdfçoaiwefçalwebnf, mais ou menos assim! Sem respirar ou tirar o dedo do teclado. Escrevendo tudo sem dizer nada com nada.

CALMA!… Vamos começar tudo de novo!

“E eu quero adentrar pela questão da inflação e dizer a vocês que a inflação foi uma conquista desses dez últimos anos do governo do presidente Lula e do meu governo”. Presidenta do Brasil

Bom, isso é papo para quem entende de política. Vamos mudar de assunto. Vou continuar falando da vontade de escrever… Não da vontade louca de falar!

Hoje alguns elementos da minha personalidade, aflorados, pincelam a minha lavra. Se o texto for corrosivo, é revelação da minha amargura. Caso eu continue escrevendo com palavras que transmitam leveza e tranquilidade, demonstrarão meu estado de alegria.

Lendo o Bom Dia Hoje do Sigmar Sabin, esbarrei com uma citação de Sêneca, um orador romano que viveu entre (55 AEC e 39 DEC). Correndo da rua para casa… Corri mais um risco!

Rir é correr o risco de parecer tolo… Chorar é correr o risco de parecer sentimental… Estender a mão é correr o risco de se envolver… Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu… Defender seus sonhos e ideias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas… Amar é correr o risco de não ser correspondido… Viver é correr o risco de morrer… Confiar é correr o risco de se decepcionar… Tentar é correr o risco de fracassar… Mas devemos correr os riscos, porque o maior perigo é não arriscar nada… Existem pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada… Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem… Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade… Mas, somente a pessoa que corre riscos, é livre!

Aí mergulhei na famosa frase de Franklin Roosevelt:

É melhor lançar-se à luta em busca do triunfo mesmo expondo-se ao insucesso, que formar fila com os pobres de espírito, que nem gozam muito nem sofrem muito; E vivem nessa penumbra cinzenta sem conhecer vitória nem derrota.

Faça algo e, se não conseguir, faça outra coisa. Mas, acima de tudo, tente algo.

Franklin Roosevelt

Quando tive Uma Vontade Louca de Escrever, não pensei que estava compartilhando parte da minha experiência de vida com algumas pessoas. Minha alegria ou minha tristeza, minha criatividade ou minha estupidez. Os benefícios da instrução nunca são perdidos.

Sempre cito, “O Filho DO HIPNOTIZADOR e outras histórias de estranhas pessoas” de Dennis D:

“Escrever é revelar-se”. “Por isso, talvez, já disseram que toda escritura – como ofício ou como arte – é apenas uma das muitas faces do exibicionismo humano.”

“Acreditem, mostrar a bunda na janela pode ser menos constrangedor do que expor, em letras, as entranhas da própria sensibilidade”.

Quando tenho essa vontade louca de escrever, parece que estou rasgando páginas dos meus cadernos do primário. Exibicionista desde a tenra idade.

Quem sabe não seja essa a grande diferença procurada pelos escritores mais famosos?

Curto cada letra formando uma palavra que flui da alma, ainda que já insistentemente explorado por outros!

Hoje descobri outro escritor que passei a admirar.

Como escreveu o brilhante escritor Juliano Martinz:

Quando falamos sobre algo que pulsa nosso coração, que salta pelos poros de nossa pele, o Estilo Literário mostra suas caras e bocas. Este será o elemento mais sedutor de suas narrativas”.

Já o Arnaldo Jabor desabafa sem dó:

Google – Imagem

Sinto-me assim, como articulista.  Para que escrever? Nada adianta nada. E como meu trabalho é ver o mal do mundo, um dia à depressão bate.  A náusea, não a do Sartre, mas a minha. Não aguento mais ver a cara do Lula, o homem que não sabe de nada, talvez nem conheça a Rosemary, não aguento mais ver o Sarney mandando no País, transformando-nos num grande “Maranhão”…

E ainda fica em dúvida sobre a letra da música de Cole Porter:

 “Conflicting questions rise around my brain/ Should I order cyanide or order champagne?” (“Questões conflitantes rondam minha cabeça/ devo pedir cianureto ou champanha?”).

Uma escrita, além de espontânea, pode ser lapidada, elaborada. Como fazemos em arquitetura. Primeiro criamos um partido a ser adotado, que chamamos de estudo preliminar. Em seguida fazemos o anteprojeto, que é uma definição mais acurada da ideia. Finalmente desenvolvemos o projeto definitivo, que de definitivo fica só o nome, pois ainda poderá restar alguma correção. Normalmente vai para um órgão responsável de aprovação relativo ao objeto da obra a ser construída.

Agora consigo escrever 1500! Çalskhdfçoaiwefçalwebnf, mais ou menos assim!

Algum roteirista disse que o importante é o grande final.

O meio pode ser uma “merda”. Emoções “invisíveis” dos personagens não são indicadas pelos roteiros, porque precisam ser mostradas ao espectador através da vivência das ações dos atores em frente à câmera. Daí a noção essencial aos escritores de roteiro de que “escrever é igual a descrever”.

Pablo Neruda diz que “Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias”.

Será? Mesmo o meio sendo uma “merda”?

“A verdade é que não há verdade.”

Pablo Neruda

Por isso e por todo o risco que corro agora, escrevendo, invoco o mestre que diz:

“A timidez é uma condição alheia ao coração, uma categoria, uma dimensão que desemboca na solidão”.

Pablo Neruda

Antigamente eu datilografava 150 palavras por minuto…

Mesmo escrevendo 1500! Çalskhdfçoaiwefçalwebnf, mais ou menos assim!  “Tipo assim”! Xô timidez!

Já teclei um monte de palavras e sei que poderia podar algumas. Mas não vou me acovardar. Se as letras fluíram do cerebelo e meus dedos tocaram essa música no piano datilográfico… É porque era para ser!

Escrever é tão antigo quanto falar e cantar, chorar e rir, “ir ao banheiro” e até, esculpir, lapidar, elaborar…

Escreveu… Não leu… O pau comeu! Será que na palma da mão… Alguém escreveu?

Google – Imagem

Desde os tempos mais remotos, a escrita tem sido um baluarte das grandes civilizações. Os escribas eram os profissionais que tinham a função de escrever textos, registrar dados numéricos, redigir leis, copiar e arquivar informações. Como poucas pessoas dominavam a arte da escrita, possuíam grande destaque social. Hoje, embora guardada as devidas proporções, quem escreve também tem um lugarzinho ao Sol! Formadores de opinião.

No Egito Antigo, os escribas tinham uma importante função e ocupavam lugar de destaque na sociedade egípcia, pois eram conhecedores da escrita demótica e dos hieróglifos. Eram eles que escreviam sobre a vida dos faraós, registravam a cobrança de impostos e copiavam textos sagrados. Os escribas usavam o papiro para escrever dados e textos ou registravam nas paredes internas das pirâmides. (Sua Pesquisa.com – Google)

Toth – o Deus dos Escribas

Assim como Baco e Dionísio, deuses do vinho romano e grego respectivamente, Toth também era Hermes…

Hermes Trismegisto (em latim: Hermes Trismegistus; em grego Ἑρμῆς ὁ Τρισμέγιστος, “Hermes, o três vezes grande”) é o nome dado pelos neoplatônicos, místicos e alquimistas ao deus egípcio Thoth (ou Tehuti), identificado com o deus grego Hermes. Ambos eram os deuses da escrita e da magia nas respectivas culturas. Thoth simbolizava a lógica organizada do universo. Era relacionado aos ciclos lunares, cujas fases expressam a harmonia do universo. Referido nos escritos egípcios como “três vezes grande”, era o deus do verbo e da sabedoria, sendo naturalmente identificado com Hermes. Na atmosfera sincrética do Império Romano, deu-se ao deus grego Hermes o epíteto do deus egípcio Thoth. Wikipédia, a enciclopédia livre.

Dessa forma minha folha viveria borrada…

Escutando fragmento do concerto “Vozes para a Paz” (Músicos Solidários), realizado no Auditório Nacional de Música de Madri (Espanha), em 12 de junho de 2011 na Peça do compositor americano Leroy… Concluí:

Dá para escrever até numa orquestra bem calibrada.

Loucamente… Extraí uma música da velha máquina de escrever…

Depois do show musical, escrevendo, continuei com Uma Vontade Louca de Escrever…

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