Não sei… Vou pensar…

Quizás… Talvez…

Não sei… Vou pensar…

Ando muito ocupado, e com problemas na coluna.

Talvez, vamos ver.

Quem sabe.

Pode ser.

Essa foi à resposta que um amigo muito querido me enviou quando pedi para que ele fizesse algo para mim.

Luigi, cuja alcunha é Juan Campesino, formata com muita competência os meus escritos, transformando-os em revista eletrônica. Achei a expressão tão pura e verdadeira, com a pitada certa de humor e carinho, que guardei arquivada em meu computador.

Ao receber por e-mail um vídeo maravilhoso apresentando Andrea Bocelli e Jennifer Lopez cantando e interpretando a música Quizás, eu não tive escolha melhor senão percorrer o caminho que levou ao tema proposto. Não é de hoje que aproveito as “dicas” dessa sensível figura, Luigi para os íntimos. Sempre sugeriu temas interessantes e sublimes. O perigo será se ele quiser cobrar direitos autorais! Vou arriscar!

Quanto ao casal cantante Andrea Bocelli e Jennifer Lopez eu não havia visto coisa mais linda em toda minha vida! Simbiose de amor, vida… Pureza d’alma!

As primeiras palavras dessa lavra foram escritas ao som e imagem, repetidas vezes, desse maravilhoso colóquio musical! O violino… Os bailarinos… Tudo muito mágico! Não precisa ter a visão para sentir aquela mão dócil e carinhosa encostando-se ao coração.

Google – Andrea Bocelli e Jennifer Lopez

O título escolhido, embora começando com a palavra negativa, é leve, lúdico e límpido!

A frase eu “Não sei… Vou pensar…”, ameniza a rispidez de um “não” definitivo. O “sim” é perfeitamente possível também.

Na escrita do meu amigo Juan Campesino é nitidamente visível que, ao final, ele concorda com a possiblidade de aquiescer ao pleito solicitado.

Procrastinar também é cabível no contexto. Lembrei-me que perambulei por estas paragens quando li Will Stanton na revista Seleções Reader’s Digest. Clássico escrito em 1974.

Em “Os riscos de um procrastinador” o autor conta histórias pessoais cômicas e interessantes. Começa com a ponderação de “Talvez seja mesmo melhor não fazer nunca o que deixamos para amanhã”.

Juntando uma coisa com a outra tive a certeza de que meu amigo Juan Campesino estava mesmo procrastinando. Da mesma forma como é o Quizás muito bem interpretado pelo fantástico casal citado.

Desse ponto em diante… Foi só usar um pouco de criatividade e contar situações pertinentes ao conteúdo dessa prosa. Cheguei até pensar novamente se o Geraldo Vandré tinha ou não razão…

“Vem, vamos embora”.

“Que esperar não é saber”!

“Quem sabe faz a hora”

“Não espera acontecer.”

Mas aí é outra conversa. É possível que sim, é possível que não. Todavia, contudo… Não obstante! Não digo que sim nem que não… Muito antes pelo contrário! De toda sorte, isso é… Melhor que mais ou menos!

Jean Cocteau mostra outra face dessa situação. Não houve postergação, porém, ele foi fazendo sem saber que a ação era tida como improvável de se realizar. Senão… Quizás… Talvez…

Não sei… Vou pensar…

Ando muito ocupado, e com problemas na coluna.

Talvez, vamos ver.

Quem sabe.

Pode ser.

Pensei que eu estava perdendo tempo… Pensando! Pensando! E aí me dei conta de que é pensando que permaneço vivo. Ora triste. Ora alegre! Quando não temos as respostas na “ponta da língua”, damos tempo ao tempo. Maturar uma ideia, esmiuçar o raciocínio no seu tempo adequado, pode nos dar referências mais sólidas e coerentes. Quando tomamos decisões precipitadas incorremos na possibilidade do erro com maior facilidade.

…Estás perdiendo el tiempo

Pensando, pensando

Por lo que más tú quieras…

Sempre invoco uma frase na língua alemã para justificar momentos de espera:

Alles zu seiner Zeit! – Tudo ao seu tempo!

Assim confirmamos outras afirmações do gênero: “Dar tempo ao tempo” e por aí a fora… Ou adentro né? Quem sabe? Pode ser!

Minha mulher perguntou-me se eu poderia lavar a louça aquela noite.

Amor, você lava a louça hoje”?… “É porque fiz as unhas de tarde”!

Respondi conforme a frase já oficialmente presente em nosso dia a dia e aprendida com o amigo Juan Campesino:

Não sei… Vou pensar…

Ando muito ocupado, e com problemas na coluna.

Talvez, vamos ver.

Quem sabe.

Pode ser.

Cinco minutos depois… A louça estava lavada… Enxugada… Brilhando e guardada!

Sei lá se ela resolver não me alimentar mais! Ou colocar veneno na comida! Ela vai me matar quando ler isso!

Quizás… Talvez…

A verdade é que existem alguns jargões que se perpetuam no decorrer do tempo.

Mal sabia o meu amigo parafraseado que o texto já havia ganhado o Universo!

Procrastinação é sugerida na letra da música Quizás tendo sido uma canção escrita em 1947, em espanhol, pelo compositor cubano Osvaldo Farrés.

Siempre que te pregunto

Qué, cuándo, cómo y dónde…

Tú siempre me respondes

Quizás, quizás, quizás…

Sempre que te pergunto

O que, quando e onde…

Você sempre me responde

Talvez, talvez, talvez…

Sem me espichar… Porque a conversa é curta…

Vou cantando Quizás, quizás, quizás…

 

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