A Pedra

A Pedra

Numa agonia daquelas, há dois dias pensando em que escrever, acordei e fui pensar no banheiro. “O Pensador” veio invadir minha mente! Sentado lembrei-me das pedrinhas que tiramos do bolso e, assim, começa uma história. O Pensador (francês: Le Penseur) é uma das mais famosas esculturas de bronze do escultor francês Auguste Rodin. Retrata um homem em meditação soberba, lutando com uma poderosa força interna. Nessa situação eu me encontrava.

É claro que o leitor deve imaginar outras “forças internas”… Também era! Confesso! Porém não se trata disso. Minhas necessidades prementes não eram fisiológicas. Quem nunca passou por isso que atire a primeira pedra! Ops… Pedra! É sobre a iconográfica pedra que quero discorrer. Pode ser o volume que carregamos em nosso caminhar aqui na Terra… Pode ser o elemento que sustenta uma fundação sólida e assim por diante… Na maçonaria a pedra bruta deve ser lapidada!

A Pedra Bruta é aquela que sai da pedreira. Tosca, simboliza o estado de falta de conhecimento.

Pedra Cúbica ou Polida é a peça que está em condições de ser assentada em uma obra. Na construção do nosso Templo Interior.

Uma imensa chuva de pedras, que cobriu boa parte do sul brasileiro ontem, contribuiu muito para a escolha do título desta prancha (trabalho escrito na maçonaria).

O planeta não é mais o mesmo de tempos atrás.

Com alterações climáticas constantes e diárias, a própria atmosfera se transforma dia após dia seguidamente. Todos os dias o horário do por do Sol é alterado. Vivemos em mutações frequentes e ininterruptas. Estamos sendo lapidados pelo tempo e pelo espaço. Dimensionais que existem aos pares na natureza.

No ensaio da vida, percorremos caminhos onde encontramos tudo, que existe no universo, aos pares. Nada existe sem seu oposto.

O bem e o mal, o claro e o escuro, o dia e a noite, a alegria e a tristeza o tudo e o nada, a dinâmica e a estática e etc…

O translúcido diamante nada mais é que uma bela pedra bruta onde, bem lapidada, torna-se de valor divino pela luz de seu sublime espectro. Réstia celestial.

O diamante foi um carvão que quando submetido à pressão se transforma numa linda pedra. O mesmo acontece com as pessoas, que às vezes precisam passar por dificuldades para melhorar como seres humanos.

E as pedras continuam rolando… Existe também a Pedra Angular. Aliás, se formos falar sobre as pedras… Ficaríamos uma eternidade. Desde a idade da pedra até agora… Não passou um ínfimo sequer quando nos remetemos ao eterno! Aí… Estamos lascados!

A Pedra Lascada, também conhecida como Período Paleolítico, é a primeira fase da Idade da Pedra. Vai de dois milhões AEC até 10.000 AEC (início do Período Neolítico).  Esse período da Pré-História se caracteriza pela fabricação de ferramentas, como machados, lanças, cajados, facas e outros objetos de pedra, como ossos e madeira.

A Pedra Tumular é mais uma expressão usada no decorrer dos tempos. Ontem eu fui com minha mulher ao apartamento da minha falecida sogra.

Certamente ela se fez mais presente do que em outros dias. Lembrei-me de passagem que escrevi em “Vítimas do Delírio”, resenha das nossas vidas ao lado dessa figura maravilhosa que foi Sabine Wahrhaftig (saudade imensa)!

Reproduzo abaixo:

CAPITULO 9 – CONJECTURAS SOBRE O FUNERAL

Além das besteiras corriqueiras, a protagonista comenta sempre como gostaria que fosse o ritual da sua transição.

Pensávamos todos juntos em como seriam os arranjos do colóquio final.

Em sua fértil imaginação sugeria que fossem como uma festa dionisíaca, com homens e mulheres nuas, guarda-sóis brancos, um violinista no telhado, um flautista tocando e andando entre os presentes.

Seria servido champagne, (ocasionalmente aportuguesado para champanha ou champanhe, deriva do latim popular campania, que designava uma paisagem de campos abertos).

Todo cenário era bem estudado e, como num arrumar de vitrines, ela projetava suas mirabolantes criações.

Os arquitetos da família iriam fazer o trabalho de projeto e construção da sua última morada. Marco faria o projeto arquitetônico e Salo iria tocar a obra. O Maurinho da Gazebo ficaria por conta do paisagismo e jardinagem, fazendo arranjos psicodélicos.

Em um jantar de pessach no edifício que sofreu o atentado, estavam o Mauricio e a Martha, interessadíssimos nesta história que a manceba contava com orgulho. Depois de relatar seu desejo derradeiro, ela perguntou ao Mauricio:

-Mauricio, o que você acha dessas ideias?

Rapidamente, com o tirocínio e inteligência apimentada, característica Schulman, responde:

-Gostei muito Sabine, mas, por favor, faça logo a sua parte!

Todos riram.

Hoje… Ela já fez a parte dela! E nós… Saudades!

A Pedra Tumular no judaísmo é definida e denominada de forma muito mística.

Segundo o Rabino Shamai Ende, do Livro “Últimos Momentos”:

A colocação da Matsevá

É costume judaico colocar uma matsevá (pedra tumular) sobre o túmulo do falecido. Esta é de responsabilidade dos filhos e demais parentes…

Quando se coloca a matsevá

Há costumes de colocar a Matsevá somente após doze meses do falecimento ou no dia do primeiro Yohrtsait, outros costumam colocá-la após o shloshim, ou após onze meses, e entre muitos chassidim, costuma-se colocá-la no sétimo dia ou oitavo dia, após levantar-se da shivá.

Logo após o falecimento da minha sogra Sabine, eu e minha mulher fomos ao restaurante em que sempre íamos com ela. Ao lado da mesa onde sentávamos havia um vaso grande com pedrinhas brancas. Choramos juntos e peguei uma das pedrinhas roliças.

O garçom serviu três cafezinhos… O que seria para ela, Lágrimas! E balinhas de banana!

Estaremos lá no dia certo, segundo ela queria, aos onze meses da sua transição… Conforme ela pensava e reclamava: “Pra que a família precisa de tanta pressa”?

Vou levar… A Pedra!

A Bina foi encontrar com o amor dela… O Léo!

Nessa vida travessa… Só nos resta a… Travessia!

Solto a voz nas estradas, já não quero parar…

Meu caminho é de pedras, como posso sonhar…

Sonho feito de brisa, vento vem terminar…

 

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